'Um Contratempo': a exceção à regra dos filmes de suspense clichês
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‘Um Contratempo’: a exceção à regra dos filmes de suspense clichês

‘Um Contratempo’: a exceção à regra dos filmes de suspense clichês

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Após seguir todas as instruções que lhe foram dadas, Adrián Doria (Mário Casas) acorda em um quarto de hotel com sua amante, Laura Vidal (Bárbara Lennie), morta em um chão coberto de dinheiro no banheiro do aposento, sua vida muda completamente. Todas as provas contra ele e seu caso extraconjugal revelados, Adrián desmorona. Sua reputação, de grande empresário, não era mais a mesma e um de seus pilares – sua mulher e filha – não mais o apoiavam.

Tentando provar sua inocência e com a data de seu julgamento chegando, sua condenação quase que certeira, ele não tem muita opção a não ser confiar em seu advogado e contratar Virginia Goodman (Ana Wagener) para ajudá-lo a montar um álibi perfeito que fizesse com que fosse  absolvido de seus possíveis crimes.

No meio de uma conversa franca com a mulher que poderia salvá-lo de uma condenação para a vida toda, Adrián revela algo que ocorre meses antes da tragédia, algo que pode puxá-lo ainda mais para baixo do poço, além de todo seu relacionamento e comportamento de Laura.

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Cena do filme Um Contratempo. | Foto: Reprodução.

Em 180 minutos, segredos são revelados e várias versões de um fato são expostos à mesa. Perguntas são levantadas: Se não Adrian, então, quem matou Laura? O que houve meses atrás? De quem é realmente a culpa? O tempo vai se passando rapidamente entre um flashback e outro, um desaparecimento de um homem surge na conversa. Nesse momento em diante, a trama ganha mais emoção.

Por ter mais de um plot twist, alguns flashbacks são necessários na narração e cada retomada do passado é diferente. Isso se dá por conta das diferentes perspectivas sobre um assunto sombrio do passado de Adrian e Laura. Cada volta ao passado é uma história diferente com narradores diferentes, às vezes, quem narra – indiretamente – é Laura, outras vezes, é Adrian e, às vezes, é Adrian narrando por Laura. Esse tipo de técnica usada pelo diretor pode causar confusão ao acompanhar a história, se não assistir ao filme com cuidado e atenção. E, focando no possível problema de confusão do telespectador, alguns desse falshbacks não fossem assim tão necessários.

A cada segundo que passa, são revelados mais segredos e detalhes também. A trilha sonora, o plano de filmagem e composição de cores do cenário – maioria preta, cinza em cenas do presente e azul, azul escuro, verde e verde claro nas cenas do passado – contribuem para a formação de vários clímaxes e ajudam no suspense.

Em sua primeira versão, Adrián pouco se lembra do que ocorreu. Ele e Laura pegaram um trem, seguiram até o hotel indicado com sua maleta cheia de dinheiro. Dinheiro esse que seria para pagar a pessoa que ameaçava dedurar o caso dos dois para mídia. Tudo estava nos conformes até que uma mensagem chega ao seu celular, sendo o remetente o celular de Laura. Porém, ela se encontrava à sua frente sem qualquer eletrônico. Nesse momento, Laura e Adrián percebem que estão em uma armadilha.

Enquanto ele pega o dinheiro, Laura vai em direção ao lavabo. Ao pegar a maleta de dentro do armário e caminhar em direção ao espelho, Adrián apaga com um golpe na nuca. A seguir, mostra Laura sendo morta e reconhecendo o seu assassino antes de seu fim. Depois, disso a única lembrança que ele retém é de ter acordado com a polícia.

Essa narrativa boa o suficiente para aguentar o filme é colocada em dúvida por Virginia. Pergunta após pergunta, o clima se intensifica e a tensão aumenta. A advogada arranca detalhes minúsculos de Adrián e são por conta destes detalhes que os plot twist são magníficos. Quanto mais próximo do desfecho, mais verdades são arrancadas e mais dúvidas surgem, porém, são sanadas todas em uma única cena.

O suspense espanhol foi gravado em 2016, sob direção de Oriol Paulo, mas ganhou mais visibilidade ao entrar na Netflix esse ano, por consequência da ampliação de alcance que a plataforma on-line possibilita. Com 67% de aprovação da crítica do RottenTomatoes e 85% do público, Um Contratempo (Contratiempo) inova, em vários quesitos, desde o meio de produzir um suspense às técnicas de prender o público até o último instante.

Muitas críticas comparam o longa com os sucessos de Hitchcock e com os suspenses de Agatha Christie. Por mais que, no começo, tudo pareça confuso, ao final, tudo fará sentido. O que encanta é descobrir, nos últimos minutos de filmagem, que tudo, exatamente tudo, até os mínimos detalhes foram pensados para que, no final, tudo fizesse sentido.

Se for assistir a esse filme, preste atenção neles para não se perder e vá com mente aberta. A película mudou o jeito de enxergar os filmes de suspense da Netflix, quebrando com o bordão de: só há filme ruim e com enredo fraco de suspense na Netflix. 

Filme Um Contratempo
Filme Um Contratempo. | Foto: Canaltech.

Sinopse e trailer

Tudo está indo muito bem para Adrian Doria (Mario Casas). Seu negócio é um sucesso e lhe trouxe riqueza, sua bela esposa teve a criança perfeita, e sua amante está bem com o caso dos dois escondido. Tudo está ótimo até que Doria desperta num quarto de hotel, depois de ser atingido na cabeça, e encontra sua amante morta no banheiro, coberta com um monte de notas em euros. Pior, o quarto é trancado por dentro e não tem nenhuma maneira de entrar ou sair. Com tudo o que construiu desmoronando aos seus pés, Doria recorre a melhor advogada de defesa da Espanha, Virginia Goodman (Ana Wagener), e eles tentam descobrir o que realmente aconteceu na noite anterior.

Ficha técnica

Título OriginalContratiempo
Duração: 110 minutos
Lançamento: 22 de setembro de 2017 (Brasil)
Dirigido por: Oriol Paulo
Classificação: 14 anos
Gênero: Policial, Suspense
País de Origem: Espanha

Sinopse: AdoroCinema.

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Por Maria Clara Vaiano – Fala! Cásper

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