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Tudo sobre o objeto misterioso detectado pelo Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory

Com os estudos feitos a partir da interpretação de ondas gravitacionais, foi descoberto, pelo Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory, um misterioso objeto com 2,6 massas solares. O corpo celeste se encontra a aproximadamente 8000 milhões de anos-luz de distância da Terra, porém, sua suposta fusão com um buraco negro de 23 massas solares, teria gerado ondas gravitacionais suficientes para serem detectadas aqui na terra. O evento elevou a massa de ambos os objetos de forma tão extrema, que especialistas afirmaram ser a atividade de maior proporção já detectada pelos interferômetros LIGO e Virgo.

Laser Interferometer Gravitational-Wave Onservatory
Simulação da visualização do objeto. | Foto: Reprodução

A descoberta do Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory: onda “GW190814”

LIGO é considerado um dos poucos “super-interferômetros” do mundo. Ele conta com dois lasers capazes de utilizar as propriedades da luz, para detectar o comprimento e origem de eventos gravitacionais no espaço. Sendo categorizado como um interferômetro de Michelson, assim como Virgo, o super-interferômetro italiano.

O evento foi registrado por detectores às 02:29 da madrugada, no horário de Brasília, em Agosto de 2019. Durante esse período, a principal teoria, que percorria os laboratórios de pesquisa e análise, era a possibilidade do evento estar associado com as órbitas de dois buracos negros em processo de fusão. Teoria que até o momento não foi comprovada, devido a extrema distância do ocorrido com relação ao planeta Terra. Apesar de incerta, a origem das ondas já chamava a atenção, por apresentar ondas com mais de 8 massas solares, ganhando o apelido de GW190814.

Enquanto, inicialmente, apenas um dos dois detectores do LIGO conseguiu receber e reconhecer o impacto das ondas, o laser italiano Virgo, conseguiu incorporar os dados que havia recebido para auxiliar na triangulação do céu, permitindo a descoberta de uma localização e distância mais precisa.

“A primeira coisa que eu soube, foi que era algo de extrema significância. Eram maiores do que o normal“, disse Chad Hanna, astrofísico do IGC (Institute fo Gravitation and the Cosmos) e colaborador da LIGO, com relação a detecção das ondas no dia do evento.

Apesar da teoria ter sido bem recebida pela comunidade científica, durante o frenesi de sua descoberta em 2019, foi apenas durante o ano de 2020, em um artigo científico publicado no The Asthophysical Journal Letters, que outras hipóteses foram levantadas oficialmente, tais como a possibilidade do objeto em questão ser uma estrela de nêutrons fundida com um buraco negro.

De acordo com o coautor do artigo, Patrick Brady, “isso pode mudar a forma com que os cientistas falam sobre buracos negros e estrelas de nêutrons. A diferença de massa pode, de fato, não existir, sendo interpretada dessa forma apenas devido a limitações na capacidade de observação, coisa que apenas o tempo e avanços tecnológicos dirão”.

Vicky Kalogera, outra coautora do artigo também afirma que, “é um desafio para os modelos teóricos atuais formar pares de objetos compactos com uma razão de massa tão grande em que o parceiro de baixa massa reside na lacuna de massa”, ela também brinca, “Basicamente, igual ao Pac-Man comendo uma bolinha”

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Por Tales Batalha – Fala! Universidade Cruzeiro do Sul 

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