Transtorno do Espectro Autista: Saiba como o TEA foi descoberto
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Transtorno do Espectro Autista: Saiba como o TEA foi descoberto

Transtorno do Espectro Autista: Saiba como o TEA foi descoberto

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Desde dos anos 60, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) vem sendo cada vez mais estudado, com a observação de conhecimentos passados constantemente. O TEA foi apresentado no ano de 1943 pelo médico psiquiatra Leo Kanner, a partir de então foi apontado como um transtorno invasivo, ligado ao desenvolvimento. Na década de 90, foi utilizado pela primeira vez o termo “autismo” pelo psiquiatra Eugen Bleuler, palavra à qual foi usada como expressão para definir uma criança que apresenta uma certa dificuldade na sua comunicação ou a falta de contato com a realidade. 

A seguir, veja mais detalhes e descubra como o entendimento sobre TEA foi mudando ao longo dos anos. 

Transtorno do Espectro Autista
O Transtorno do Espectro Autista afeta o desenvolvimento neuropsicológico, mas tem tratamento. | Foto: Montagem/ Reprodução

O conceito do Transtorno do Espectro Autista ao longo dos anos

De acordo com o psiquiatra que usou a expressão “autismo infantil precoce”, uma vez que os indícios já eram visíveis nos primeiros anos, o mesmo passou a analisar que as crianças mostravam maneirismos motores e formas que não são utilizadas na comunicação, sendo uma delas a modificação de pronomes e a predisposição ao eco. Retardo cognitivo e desvio social (não apenas em função do retardo mental), os problemas de comunicação, mais uma vez, não se devem apenas ao retardo mental associado; comportamentos incomuns, como movimentos estereotipados e compulsivos; e início da doença antes dos 30 meses de idade.

No ano de 1952, a Associação Americana de Psiquiatria publica a primeira edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais DSM-1. Referência mundial para pesquisadores e clínicos do segmento, este manual dispõe as nomenclaturas e os critérios padrão para o diagnóstico dos transtornos mentais estabelecidos. Nesta primeira edição, os vários sintomas do autismo foram classificados em subgrupos da esquizofrenia infantil, não sendo entendido como uma condição específica e separada. ­

Desde a semelhança com os comportamentos observados nos prisioneiros dos campos de concentração nazistas, como o olhar fugidio, a paralisia e a memorização de listas e datas, o autor argumenta que, assim como o nazismo infligia esses comportamentos aos prisioneiros, as mães também o faziam com seus filhos.

Findando a década de 1990 e início dos anos 2000, o autismo se espalhou por dois motivos: uma provável epidemia e o medo de vacinas. Naquela época, os números de crianças com autismo estavam aumentando rapidamente. Segundo dados de uma análise demográfica de 1999 chamado “California Study”, apresentam um aumento de 273% no número de casos de pessoas com autismo que recebem serviços de assistência pública.

A partir de 1943, os conceitos de Transtorno do Espectro Autista, psicose e esquizofrenia teriam sido confundidos e usados ​​de forma intercambiável por muitos anos, hoje obsoletos. O TEA pode ser diagnosticado antes dos 3 anos de idade, apresentando características notáveis ​​como: limitações relacionadas à atividade, comportamento repetitivo, alterações relacionadas ao desenvolvimento da linguagem oral e não verbal, restrições de preferência e déficits quantitativos relacionados à interação social e comunicação.

Ao longo das últimas décadas, muito do que se sabe sobre os transtornos do espectro do autismo foi revisto com grandes avanços graças ao desenvolvimento da medicina e áreas afins em pesquisas como genética, psiquiatria e psicologia, possui um grande corpo de dados sobre o TEA.

O sistema nervoso central é responsável pelo desenvolvimento mental, é o coordenador das habilidades motoras como percepção, coordenação, equilíbrio e sensação. Qualquer alteração estrutural, ou desvio atípico da função fisiológica, pode levar a distúrbios do movimento ou alterações psíquicas, razão pela qual pais e profissionais de saúde devem estar atentos ao bebê, de acordo com o estágio de desenvolvimento da criança.

Habilidades do bebês em cada fase da vida

As habilidades do bebê podem ser avaliadas desde o primeiro mês de vida, período em que o bebê já está realizando movimentos inatos de reflexos sensoriais e motores, como os reflexos de sucção, agarrar, rastrear e comunicar, visualmente são habilidades essenciais para a adaptação, interagir com o mundo exterior. Após o processo de coordenação reflexa, o bebê começa a ter respostas sensório-motoras e adquire as primeiras tendências de imitação.

De 0 a dois meses, o bebê será capaz de garantir a aparência, reagir com o som, aconchegar-se nos joelhos e ter troca com seus pais durante a amamentação ou durante o processo de câmbio. No terceiro mês, espera-se que o bebê apoie a coluna cervical. Aos quatro meses, o bebê emite sons, mostrando as pessoas que está interessado, e reagindo a sorrisos, pronunciando ou chorando. Aos seis meses já consegue levantar o tronco, começa a sentar, primeiro com apoio e depois sem apoio.

Aos nove meses, a criança já começa a interagir, sorrir e demonstrar diferentes expressões faciais, brincar de esconde-esconde e começar a engatinhar. Aos 12 meses, seu bebê está imitando gestos simples como adeus e aplausos, além de responder a nomes e fazer sons como se estivesse falando sozinho, e já está dando seu primeiro passo com apoio de uma pessoa mais velha. 

Entre os 0 e os 2 anos de idade, o cérebro da criança é muito mais flexível e sensível às mudanças, declinando lentamente ao longo da vida, o que é um fator muito marcante, pois pode-se esperar que a criança passe por todos os principais estágios de desenvolvimento a partir dos dois anos. Dos 2 aos 7 anos de idade, ocorre o desenvolvimento integral das habilidades motoras, estabilidade e manipulação, medidos na primeira infância (3 anos), no ensino fundamental (5 anos) e no estágio maduro (6 anos). Nesta fase, espera-se que a criança em desenvolvimento típico demonstre habilidades motoras essenciais maduras e tenha um desempenho correto.

No entanto, deve-se ter em mente que o desenvolvimento neuropsicológico é um processo individual, também influenciado por estímulos internos ou externos, que podem ter um efeito positivo ou negativo na criança. Todavia, há evidências de que, independentemente dos estímulos externos, as crianças com TEA apresentam habilidades motoras reduzidas, em relação ao desenvolvimento motor típico esperado, e que os fisioterapeutas podem usar as ferramentas necessárias para realizar avaliação e teste de mobilidade e deficiência.

A importância da fisioterapia no tratamento do Transtorno do Espectro Autista

A fisioterapia contribui para a melhora das funções das atividades diárias, bem como para resultados evolutivos no desenvolvimento motor e na interação social, levando a uma melhora na qualidade de vida dos indivíduos com deficiência.

Uma vez concluído o diagnóstico de TEA, é importante estabelecer uma abordagem multimodal individualizada, pois existem diferentes aspectos que afetam o paciente e, portanto, o funcionamento de um grupo multimodal. A indústria pode melhorar o desempenho e a qualidade de vida do paciente. Essa equipe inclui profissionais como: terapeutas ocupacionais, psicólogos, fonoaudiólogos.

Nessa visão, a atuação do fisioterapeuta possibilitará o aprimoramento motor e mental por meio do uso de técnicas que promovam a proximidade com o paciente, o diálogo, a inclusão social e o trabalho com autonomia do paciente de forma lúdica. 

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Por Marya Bernardes – Fala! Centro Universitário da Serra Gaúcha 

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