Receber o diagnóstico de câncer é, para quase todas nós, o momento em que o chão parece sumir. É uma notícia que não atinge só o corpo, mas balança a nossa mente e o nosso espírito. Quando a pergunta “tenho câncer, e agora?” surge, ela geralmente vem acompanhada de uma avalanche de sentimentos: o medo do desconhecido, a incerteza do amanhã, a raiva e, principalmente, uma tristeza profunda.
Eu já estive exatamente nesse lugar e sei como o silêncio desse momento pode ser ensurdecedor.
Contudo, por mais dolorosa que seja essa fase, ela também marca o início de uma jornada onde o seu emocional precisa de tanto cuidado quanto o seu corpo. Eu aprendi que construir um plano de suporte eficaz não é “perfumaria”; é algo tão vital quanto o tratamento médico. É esse apoio que vai te dar a base necessária para enfrentar cada etapa com mais força, clareza e, acima de tudo, com a leveza possível para cada dia. E se eu consegui, você também consegue.

Tenho Câncer e agora: identificando sua rede de apoio
O primeiro passo para não carregar esse peso sozinha é olhar ao redor e ativar a sua rede de apoio. Eu sei que, às vezes, a gente quer ser forte o tempo todo, mas a verdade é que nossos amigos e familiares geralmente estão doidos para ajudar — eles só não sabem como. Falar o que você precisa é um ato de amor com eles e com você.
Pense com carinho nas pessoas em quem você confia. Pode ser o parceiro, os filhos, aquela amiga de infância ou alguém da sua comunidade. Lembre-se que cada um tem um “superpoder” diferente para te oferecer:
- Apoio prático: Aquela ajuda para dirigir até as consultas, organizar a casa ou preparar aquela refeição que o seu corpo aceita bem.
- Apoio emocional: Para aqueles momentos de desabafo, um abraço em silêncio ou para uma tarde vendo um filme leve, sem falar de doença.
- Apoio informacional: Aquele apoio para anotar as orientações dos médicos ou organizar os papéis do tratamento.
Não tenha medo de pedir ajuda. Delegar não é sinal de fraqueza; é uma estratégia inteligente para você poupar sua energia para o que realmente importa: a sua cura.
O papel da família e amigos na jornada do câncer
A jornada do câncer mexe com todo mundo ao redor. Por isso, ser clara sobre seus limites e sentimentos ajuda a manter essa rede de apoio saudável. Permita-se ser vulnerável. Aceitar o carinho e a solidariedade de quem te ama é um dos remédios mais potentes que existem. Deixe que o amor deles seja o seu combustível.
Como encontrar profissionais de saúde mental que entendam o “tenho câncer e agora?”
Além do carinho de quem está por perto, ter um apoio profissional é um passo de coragem e autocuidado que faz toda a diferença. O diagnóstico de câncer traz questões que, muitas vezes, são pesadas demais para carregarmos sozinhas ou apenas com a família. É normal sentir que a ansiedade ou a tristeza estão ocupando um espaço grande demais, e está tudo bem pedir ajuda para organizar esses sentimentos.
O meu conselho é que você busque psicólogos ou oncopsicólogos — profissionais que escolheram se especializar justamente na jornada oncológica. Sabe por que isso é importante? Porque eles já entendem as “particularidades” do que você está vivendo. Eles conhecem o peso da espera por um exame, os medos que surgem com os efeitos colaterais e as incertezas que só quem passa pelo câncer conhece.
Esses profissionais não estão ali apenas para “ouvir”, mas para te entregar ferramentas e estratégias reais que ajudam a acalmar a mente e a fortalecer o seu emocional. Ter esse acompanhamento é garantir que você terá um lugar seguro para ser você mesma, sem filtros, e encontrar a serenidade necessária para cada etapa do caminho.
Benefícios do apoio psicológico especializado
Um profissional de saúde mental pode ajudá-lo a:
- Processar o choque do diagnóstico e as emoções subsequentes.
- Desenvolver mecanismos de enfrentamento para lidar com o estresse do tratamento.
- Melhorar a comunicação com a equipe médica e sua rede de apoio.
- Gerenciar a dor e o desconforto de forma mais eficaz.
- Reconstruir a autoimagem e a autoestima, que podem ser afetadas.
- Encontrar um novo sentido e propósito, mesmo diante das adversidades.
O mais importante é que você se sinta abraçada e segura com o profissional que escolher. Não tenha pressa: se não sentir conexão de primeira, procure outro até encontrar aquele olhar que te transmite confiança. Esse vínculo é um dos investimentos mais bonitos que você pode fazer por você mesma.
Tenho câncer e agora: práticas de mindfulness para gerenciar o estresse
Eu sei muito bem que, depois do diagnóstico, a nossa cabeça vira um turbilhão. É o estresse das consultas, a ansiedade pelos resultados e aquela vontade de querer saber como será o futuro. Mas existe uma ferramenta simples e poderosa que pode ser o seu refúgio: o Mindfulness, ou a atenção plena.
Muita gente pensa que praticar Mindfulness é “esvaziar a mente”, mas na verdade é algo muito mais gentil. É o ato de se convidar a estar presente, aqui e agora, sem se julgar. É sobre observar o que você está sentindo, seja um pensamento de medo ou uma sensação no corpo, mas sem deixar que isso te arraste para longe.
Eu costumo dizer que o Mindfulness não é sobre apagar as preocupações com o futuro ou as lembranças do passado, mas sim sobre dar um tempo para o seu coração descansar no presente. É aprender a estar com você mesma, exatamente onde você está, e descobrir que, no silêncio de uma respiração consciente, existe uma força imensa esperando por você.
Integrando mindfulness no dia a dia
Existem diversas maneiras de incorporar o mindfulness em sua rotina:
- Respiração consciente: dedique alguns minutos do dia para focar apenas em sua respiração, observando o ar entrando e saindo de seu corpo.
- Meditação guiada: existem muitos aplicativos e vídeos gratuitos que oferecem meditações guiadas, adaptadas inclusive para pacientes oncológicos.
- Escaneamento corporal: deitado ou sentado, direcione sua atenção para cada parte do seu corpo, observando quaisquer sensações sem tentar mudá-las.
- Mindfulness em atividades diárias: preste atenção plena enquanto come, toma banho ou caminha, focando nas sensações, cheiros, sabores e sons.
Essas práticas são como pequenas pausas para o seu sistema nervoso, ajudando a baixar o estresse, melhorar o sono e trazer aquela calma necessária quando tudo parece turbulento. Comece devagar, com um minutinho por vez, e sinta como a sua relação com o presente vai ficando mais suave.

A importância de grupos de apoio para quem vivencia o Câncer
Eu acredito profundamente que existe algo de mágico e profundamente curativo em encontrar pessoas que estão percorrendo o mesmo caminho que o nosso. Sabe aquele sentimento de “só quem passa, sabe”? É exatamente isso que os grupos de apoio oferecem: um lugar onde o seu medo não é julgado e a sua esperança é celebrada.
Nesses espaços, você se conecta com pessoas que entendem as entrelinhas do que você está vivenciando. Elas sabem o que é o cansaço da quimioterapia, a ansiedade de um exame ou como as nossas relações mudam depois do diagnóstico. Ali, você não precisa medir as palavras para não assustar a família; você pode ser você mesma.
A solidariedade e a empatia que a gente encontra nesses grupos são incomparáveis. É como descobrir uma nova família que, mesmo tendo acabado de te conhecer, já sabe exatamente como o seu coração está batendo. É o fim do isolamento e o começo de uma rede de força onde uma sustenta a outra, lembrando que, juntas, somos muito mais resilientes.

Encontrando seu grupo de apoio
Existem diversas formas de encontrar um grupo de apoio:
- Hospitais e centros oncológicos: muitos oferecem grupos coordenados por profissionais de saúde.
- Organizações de apoio ao câncer: associações e ONGs frequentemente mantêm listas de grupos ou facilitam a criação de novos.
- Online: fóruns e grupos em redes sociais podem ser uma alternativa para quem tem mobilidade reduzida ou busca anonimato.
Grupo Terapeutico para Pacientes Oncológicos
O mais bonito de um grupo de apoio é que ele respeita o seu tempo. Você não precisa chegar falando tudo; às vezes, apenas ouvir a história de outra mulher e perceber que os seus sentimentos fazem sentido já é um remédio poderoso. Sentir que você pertence a uma comunidade te dá novas lentes para enxergar a jornada e fortalece aquela resiliência que já existe aí dentro de você.
E, se você quer sentir como essa conexão pode ser transformadora, eu te convido a ler sobre uma experiência que guardo com muito carinho: o nosso Retiro de comemoração da minha cura, com minhas mentoradas. Foi um tempo sagrado de trocas, risos e fortalecimento mútuo que mudou a perspectiva de todas nós.
Construir esse plano de suporte — cuidando de quem está ao seu redor, buscando um profissional que entenda a sua língua e silenciando a mente com o mindfulness — é o que transforma o “Tenho câncer, e agora?” em um caminho de mais dignidade e esperança. É assim que a gente fortalece o espírito para não apenas “atravessar” essa fase, mas para vivê-la com o máximo de bem-estar possível.
Sinta, de todo coração, que você não precisa — e não deve — caminhar sozinha nessa jornada. Se você busca um lugar onde o acolhimento encontra a estratégia prática para o seu dia a dia, eu te convido a dar o próximo passo comigo.
Descubra como construir um plano de suporte emocional e nutricional robusto para o seu “Tenho Câncer, e Agora?”. Na minha mentoria, eu pego na sua mão para que a gente transforme o medo em ação e a incerteza em cuidado consciente, sempre juntas e com todo o apoio necessário.
Estou te esperando do outro lado para ressignificarmos esse processo juntas. Vamos?
