Por que a vacina contra o novo coronavírus ainda não está pronta?
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Por que a vacina contra o novo coronavírus ainda não está pronta?

Por que a vacina contra o novo coronavírus ainda não está pronta?

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A descoberta de uma vacina contra a Covid-19 se tornou uma corrida científica com mais de cem estudos no mundo todo. A população espera ansiosa por resultados, mas a produção de uma vacina pode demorar cinco anos ou mais. Com a urgência da pandemia, os cientistas buscam maneiras de acelerar o processo, mas sem comprometer a segurança e eficácia do medicamento.

A médica generalista Bárbara Lima diz que existe um limite de quanto a elaboração da vacina pode ser acelerada: “(…) esses testes, feitos com mais gente, demoram de dois a cinco anos. O que geralmente atrasa (…) que poderia ser adiantada é a questão de recursos”. Contudo, ainda segundo Lima, o tempo de produção não poderia passar de um ou dois anos, pois há medidas de segurança a serem seguidas: “(…) a gente tem que saber, por exemplo: essa vacina precisa de reforço? Essa vacina tem efeitos colaterais? Essa vacina é segura?”. 

O processo de elaboração começa na pesquisa sobre a genética do vírus e de como ele age no organismo. Em seguida, é escolhido o tipo de vacina mais adequado. De acordo com a médica Lima, as vacinas podem ser produzidas com o vírus enfraquecido, introduzido no organismo para que desenvolva uma resposta imune; ou com proteínas semelhantes, e o corpo gera uma resposta imunológica similar à que responderia com a proteína verdadeira. 

vacina contra coronavírus
A vacina contra o novo coronavírus ainda está em testes. | Foto: Reprodução.

Vacina contra o coronavírus

Com o conhecimento do vírus e de como a vacina deve ser produzida, iniciam as fases de testes. Na fase pré-clínica, são feitas testagens em animais. Logo depois, a vacina é testada em seres humanos, divididos em grupos: algumas dezenas na primeira fase, centenas na segunda fase e milhares de pessoas na terceira fase, para confirmar gradualmente a eficácia e a resposta imunológica no corpo humano. Após aprovada pelo órgão sanitário, a vacina é liberada para a população, mas ainda tendo seus efeitos colaterais monitorados.

Até a publicação desta reportagem, duas pesquisas estão mais avançadas: a primeira é da equipe dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da China, que após um estudo em cento e oito pessoas, foram produzidos anticorpos contra o Sars-cov-2 e a vacina se mostrou segura; e a segunda é da Universidade Oxford, que enviou um lote com duas mil vacinas para serem testadas no Brasil.

O Instituto Butantan é um dos laboratórios brasileiros que está estudando uma possível vacina contra o novo coronavírus. Luciana Leite, pesquisadora do Butantan, explica que a pesquisa se baseia em um estudo prévio sobre vesículas de membrana externa, um mecanismo usado pela bactérias para despistar a resposta imunológica. “Essas vesículas (…) são muito imunogênicas, ativam muito o sistema imunológico. A nossa estratégia vai ser não só misturar, mas (…) ligar as proteínas do vírus na superfície dessas membranas externas”, esclarece a pesquisadora. 

O Butantan ainda está na fase de estudos, e mesmo a vacina pesquisada na China e em Oxford, que já estão nos testes em pessoas, podem demorar um ano ou mais para serem liberadas. Até lá, o melhor é continuar respeitando as medidas de segurança, como lavar as mãos, usar máscaras e ficar em casa.

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Por Mariana Tomazi, Yasmin Mior, Fernanda Nogueira e Marina Soares – Fala! UFSC

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