Pandemia aumenta dificuldade de alunos periféricos para entrar no ensino
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Pandemia aumentou dificuldades da periferia para entrar no ensino superior

Pandemia aumentou dificuldades da periferia para entrar no ensino superior

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Diante da pandemia que se arrasta desde o ano passado, os alunos que vivem em situação de vulnerabilidade social têm encontrado uma série de dificuldades para manter uma rotina de estudos em casa. Isso porque a falta de um ambiente adequado para os estudos e a dificuldade do acesso à internet se tornaram mais uma preocupação desses alunos durante esse período. 

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Pandemia aumentou dificuldades de alunos da periferia na educação. | Foto: Reprodução.

Dificuldades dos alunos da periferia na pandemia

Uma pesquisa realizada pela UFMG e pela Fiocruz, entre junho e setembro de 2020, apontou que, durante a pandemia, 48,7% dos adolescentes do país sentiam preocupação, nervosismo ou mau humor na maior parte do tempo ou sempre. Nesse sentido, o psicólogo Rafael Santos, que atua na secretaria de educação em Belém, afirma que “o custo psicológico causado nesses alunos foi muito grande, já que entre as várias perdas, houve também a perda do vínculo institucional com as escolas e as práticas pedagógicas”. 

Além do acesso a itens básicos, os alunos que prestam os exames de vestibulares precisam de uma trajetória educacional sólida e não podemos deixar de citar a importância dos cursinhos pré-vestibulares populares dentro das comunidades de Belém, que exercem um papel fundamental na preparação desses jovens que não possuem condições financeiras para pagar um.

Para o professor Renato Cruz, que atua no Emancipa, um cursinho preparatório em um bairro de Belém, as principais dificuldades que eles encontram hoje é a falta de incentivos financeiros e a política de desvalorização do ensino do público adotada pelo governo federal, que inviabiliza a continuação da preparação dos jovens que tentam mudar sua realidade de forte violência e tráfico por meio da educação. 

Algumas famílias já possuíam dificuldades de comprar alimentos antes mesmo da pandemia e a escola era o único lugar que o aluno conseguia se alimentar, com a suspensão das atividades presenciais, a alimentação também contribuiu para que esses alunos se afastassem dos estudos para tentar complementar a renda da família.

O estudo “Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil”, coordenado por um grupo de pesquisadores da Universidade Livre de Berlim, na Alemanha, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade de Brasília, mostrou que a insegurança alimentar já atinge metade dos lares brasileiros. Para tentar mudar um pouco esse cenário no Pará, um vale alimentação de R$ 80 foi dado a todos os alunos da rede pública de ensino, o benefício durou até a volta das atividades presenciais, que aconteceu neste mês de agosto. 

A Secretaria de Estado de Educação do Pará criou, durante esse período de pandemia, algumas políticas públicas que visavam garantir o acesso à educação para os estudantes da rede pública de ensino. Entre as medidas tomadas, estão a criação de um movimento chamado “Todos em casa pela educação”, que oferecia videoaulas pela TV estatal Cultura. Além disso, plataformas de podcast e a disponibilização de material impresso também foram oferecidos aos alunos durante esse período, conforme a Seduc.

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Por Ronald Souza – Fala! UFPA

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