Opinião: O discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU
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Opinião: O discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU

Opinião: O discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU

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O presidente brasileiro Jair Bolsonaro (sem partido), foi a Nova Iorque para participar da 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), e em discurso de cunho ideológico, que, como de costume abriu as discussões na Assembleia, Bolsonaro descreveu um Brasil utópico ao falar de combate à corrupção, das ações de seu governo no enfrentamento à pandemia, economia, meio ambiente e as manifestações do 7 de setembro. 

Jair Bolsonaro (sem partido) em discurso na ONU em 2019.
Jair Bolsonaro (sem partido) em discurso na ONU em 2019. | Foto: Reprodução.

Tudo sobre o discurso de Bolsonaro na Assembleia Geral da ONU

Bolsonaro foi previsível ao subir na tribuna e defender os mesmos blá-blá-blás que costuma dizer em seu cercadinho. Ao se dividir entre o seu habitual discurso negacionista em relação ao enfrentamento da pandemia e auto elogios de seu governo em outros segmentos, o presidente fez do Brasil uma  vitrine ridícula para o mundo. Enquanto a maioria dos países fizeram da ciência a mais forte aliada contra a Covid-19, Bolsonaro criticou a obrigatoriedade do passaporte da vacina e defendeu o tratamento precoce, que é comprovadamente ineficaz. 

Jair Bolsonaro também distorceu dados para exaltar a política ambiental de seu governo, e disse que houve uma redução de 32% no desmatamento da Amazônia, o que é verdade, porém, impreciso. Isso porque os números ditos pelo presidente não traduzem totalmente a realidade e desconsideram o avanço da destruição da floresta sob o atual governo. Elogiando sua própria política ambiental, Bolsonaro pareceu se esquecer que em 2020 o Pantanal bateu recorde de queimadas e que o cerrado registrou a maior área sob alerta de desmatamento desde 2018. 

A economia brasileira foi outro ponto levantado pelo presidente durante o discurso, novamente ancorado por informações distorcidas. Bolsonaro afirmou que o crescimento da economia brasileira em 2021 era estimado em 5% e que o País tinha um dos melhores desempenhos econômicos do ano entre países emergentes. O Brasil aparece na 38° em desempenho do PIB do segundo trimestre, em um ranking de 48 países, ficando atrás de México, Peru, Chile e Turquia. 

Para além do vergonhoso discurso, o presidente brasileiro causou incômodo ao dizer que ainda não se vacinou contra a Covid-19. A afirmação foi feita durante um encontro com o Primeiro-Ministro do Reino Unido, Boris Johnson. Jair Bolsonaro é o único presidente dentre os líderes do G-20 sem imunização contra o coronavírus, e sua presença na Assembleia Geral foi classificada como “provocativa” pela agência de notícias norte-americana Associated Press. 

A agência norte-americana ainda destacou o diagnóstico positivo para Covid-19 do Ministro da Saúde Marcelo Queiroga, que acompanhou a comitiva brasileira em Nova Iorque. “[Queiroga] permanecerá isolado nos Estados Unidos. Ele tomou sua primeira injeção de vacina contra o coronavírus em janeiro.”, cita a reportagem. O ministro ainda protagonizou uma cena vexatória ao reagir a um grupo de manifestantes contrários ao governo com um gesto obsceno.  

A britânica Reuters chamou Jair Bolsonaro de “o cético da vacina” e lembrou que por esse motivo o presidente não pôde entrar nos restaurantes finos de Nova Iorque. “Chefes de estado não vacinados […] podem ter que se contentar com um pedaço de pizza na calçada.”, diz a agência. Tanto o presidente, como a delegação que o acompanha, explanaram com falas e falta de posturas, a imagem de um Brasil ignorante, negacionista, ideologicamente radical e quimérico.  

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Por Maria Fernanda Ribeiro – Fala! UFG

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