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Novembro Azul: exame de próstata ainda é tabu entre homens

No mês de novembro, o mundo volta sua atenção para uma causa de extrema importância: o Novembro Azul. Este movimento nasceu com o objetivo de conscientizar os homens sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de próstata, uma realidade que ainda enfrenta barreiras delicadas. 

Em pleno século XXI, o exame de próstata permanece como um tabu entre muitos homens, criando uma lacuna preocupante entre a informação disponível e a busca ativa pela própria saúde. Neste contexto, é essencial compreender as razões por trás desse fenômeno e promover uma mudança de paradigma, visando a saúde e o bem-estar de todos. 

Vamos adentrar nesse universo e desvendar os mitos e verdades que cercam o exame de próstata, guiando-nos por uma jornada informativa e esclarecedora. Afinal, a prevenção é o primeiro e mais crucial passo rumo à saúde plena e ao controle efetivo dessa condição.

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Saiba mais sobre a campanha de Novembro Azul. | Foto: Freepik.

O que é o exame de próstata? 

Para compreendermos o exame de próstata, é crucial primeiro entender a anatomia envolvida. A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Sua função primordial é produzir o líquido seminal, que nutre e protege os espermatozóides durante a ejaculação.

O exame de próstata se desdobra em duas principais vertentes: o toque retal e a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA). O primeiro, embora envolva um nível de intimidade, é fundamental para a avaliação física da glândula e permite ao médico detectar quaisquer irregularidades ou anormalidades em sua textura ou formato.

O PSA, por sua vez, é um exame de sangue que mede os níveis do antígeno liberado pela próstata. Valores elevados podem indicar a presença de condições como o câncer de próstata, mas também podem ser resultado de outras situações, exigindo uma análise mais aprofundada.

A idade é um componente crucial quando falamos sobre os fatores de risco associados ao câncer de próstata. A incidência e a letalidade da doença começam a aumentar a partir dos 50 anos, tornando-o um câncer predominantemente da terceira idade. Surpreendentemente, aproximadamente 75% dos casos em todo o mundo se manifestam a partir dos 65 anos, conforme dados do renomado Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Além da idade, a hereditariedade também desempenha um papel significativo. Mesmo os indivíduos mais jovens com histórico familiar de câncer devem estar alertas para os cuidados preventivos. Estudos também sugerem que a obesidade está correlacionada a um maior risco de desenvolvimento da doença.

A detecção precoce é um elo vital na cadeia de tratamento do câncer de próstata, proporcionando uma resposta mais eficaz do organismo às intervenções terapêuticas e, por conseguinte, ampliando as perspectivas de cura para o paciente. Esta detecção pode ser alcançada através da combinação de dois exames: o Antígeno Prostático Específico (PSA), obtido por meio de uma simples coleta de sangue, e o exame de toque retal, um procedimento indolor realizado no consultório médico.

O tratamento da doença é um caminho individual, variando conforme a situação do paciente. Opções incluem cirurgia, radioterapia, observação vigilante e terapia hormonal, sendo a escolha determinada após uma avaliação detalhada.

Por que o exame de próstata ainda é tabu para os homens? 

Um dos principais motivos para a resistência ao exame de próstata é a natureza íntima do procedimento. O toque retal, parte essencial da avaliação, muitas vezes é percebido como invasivo e desconfortável, o que contribui para a relutância de muitos homens em se submeterem a essa prática.

Além disso, questões culturais e sociais desempenham um papel importante nessa dinâmica. A masculinidade muitas vezes é associada à resistência à vulnerabilidade e à exposição de áreas consideradas sensíveis. Essa visão limitada, embora em evolução, ainda prevalece em muitos segmentos da sociedade.

Outro fator determinante na relutância em relação ao exame de próstata é o temor do diagnóstico de câncer. O medo do desconhecido e a ansiedade em relação às possíveis consequências de um resultado positivo podem paralisar a busca pela prevenção.

Além disso, a falta de informação clara e acessível sobre o procedimento e suas implicações pode aumentar a incerteza e a hesitação. É essencial quebrar essa barreira informativa, fornecendo aos homens as ferramentas necessárias para tomar decisões conscientes sobre sua saúde.

Quebrando o Tabu

Para quebrar o tabu e promover uma cultura de cuidado com a saúde masculina, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) tem empreendido uma série de iniciativas. A campanha emblemática Novembro Azul serve como um alerta à sociedade, destacando a importância de enfrentar o câncer de próstata, motivando os homens a priorizarem sua saúde, realizando os exames e agendando consultas periódicas.

Em 2018, a SBU lançou a campanha #VemProUro, direcionada aos jovens do sexo masculino. Essa iniciativa visa incentivar a implementação de uma rotina de acompanhamento desde cedo, em paralelo à prática comum das jovens com seus ginecologistas.

Na busca pela saúde masculina, romper com o tabu que envolve o exame de próstata se mostra crucial. É preciso compreender as raízes dessa relutância, enfrentando o desconforto físico, desafiando as normas culturais e encarando o temor do diagnóstico. A educação, aliada a uma comunicação franca e ao suporte especializado, emerge como a chave para empoderar os homens na campanha de novembro azul e consequentemente na prevenção do câncer de próstata.

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