Moradia na USP: Uma ajuda ou uma ameaça eminente?
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Moradia na USP: Uma ajuda ou uma ameaça eminente?

Moradia na USP: Uma ajuda ou uma ameaça eminente?

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Ser aceito em uma faculdade pública é uma tarefa difícil e, para aqueles que sonham em estudar na Universidade de São Paulo – ou popularmente conhecida como USP – e possuem problemas financeiros para o mesmo, há de saber que existem auxílios como alojamentos e auxílios moradia. Na USP podemos contar com a ajuda do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) que auxilia àqueles com dificuldades socioeconômicas por meio de moradia, auxílio financeiro, auxílio alimentação e ajuda financeira com o custeamento dos livros, além do auxílio transporte. Mas, não se esqueça que os programas oferecidos são possíveis apenas para estudantes em sua primeira graduação!

A moradia na USP oferecida para os alunos que necessitam, contudo, ela pode ser um risco!
A moradia na USP é oferecida para os alunos que necessitam, contudo, ela pode ser um risco! | Foto: Reprodução.

Para participar do programa, é preciso ingressar por meio das inscrições feitas através da página do SAS, além de disponibilizar todo o edital e a documentação necessária para o requerimento. Depois disso, é preciso passar por uma entrevista com toda a documentação exigida. Acompanhe a seguir mais informações sobre os auxílios oferecidos.

  • Auxílio alimentação: O auxílio alimentação funciona com todos os restaurantes disponíveis dentro da Universidade, cobrindo três refeições diárias, sendo R$2,00 para almoço e jantar (incluindo sobremesa e bebidas, também disponibilizando opções vegetarianas) e R$0,50 para o café da manhã.
  • Auxílio transporte: Já para custear os transportes, a USP oferece uma ajuda de R$200,00 para os estudantes (exceto em Janeiro e em Julho), e conta também com a ajuda de ônibus gratuitos que circulam dentro dos campus que levam até transportes públicos e fazem as conexões entre as unidades da Universidade.
  • Livro: Essa ajuda tem o intuito de custear os livros e materiais usados durante a graduação. O aluno recebe um crédito de R$150,00 mensais para ser usado nas livrarias das editoras da USP. O auxílio tem a duração de um ano, exceto nos meses de férias.
  • Moradia: Já nesse subsídio, o estudante conta com dois tipos de ajuda. O primeiro consiste em vagas disponíveis nos conjuntos residenciais da USP na cidade Universitária. Os conjuntos residenciais podem ser encontrados nos campus: São Paulo, Bauru, Ribeirão Preto, São Carlos, Piracicaba e Pirassununga. São oferecidos aos alunos um quarto, um banheiro e uma área comum. Já na segunda opção, o aluno possui uma ajuda financeira de R$400,00 mensais.

Para mais informações e esclarecimentos de dúvidas, os estudantes que se interessarem podem entrar em contato com a Divisão de Promoção Social do SAS através do número: (11) 3091-0118.

Mas afinal, a moradia na USP é tão boa quanto parece?

Não se deixe levar pela empolgação, há os perigos providos pelo descuido, falta de investimentos e abandono na moradia da USP que ajuda tantos estudantes a realizarem seus sonhos. O Crusp (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) abriga atualmente mais de dois mil alunos, tornando possível seus sonhos de estudarem em uma Universidade tão renomada. Mas além disso, a Crusp também conta com mais de 20 anos sem reforma e encontra-se em estado de perigo e precariedade, colocando em risco a vida de estudantes que não possuem a opção de morar em outro lugar.

As paredes são decoradas por manchas de mofo e infiltração, além de avisos informando o perigo devido ao vazamento de gás. Ao entrar na cozinha coletiva do bloco B do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, há uma fita plástica preta e amarela envolta da tubulação de gás, sob um fogareiro velho e com um aviso na parede informando sobre o vazamento de gás e o risco de uma possível explosão.

A condição é precária. Nenhuma lavadora de roupa funciona, não há água quente para tomar banho e muito menos Wi-Fi. O mofo e a infiltração entram em contato com fios expostos. Na cozinha, o cenário não muda muito e torna-se impossível esquentar uma simples refeição, sem contar com a falta de torneiras para o mínimo de higiene.

No período de chuva, e consequência dos buracos e das infiltrações, a água invade os apartamentos, tornando-os impossível de habitar.

Ao perguntarem aos estudantes e moradores da Crusp sobre a importância do alojamento, eles afirmam que o local está abandonado e em perigo constante de uma tragédia, mas mesmo nessas condições é de muita importância e um dos únicos meios que possibilitam os estudantes de conseguirem um diploma. Sem a moradia oferecida pela Universidade, afirmam eles, seria impossível realizar esse sonho.

No ano de 2020, com o início da pandemia, a situação revelou-se ser ainda pior. Com os protocolos estabelecidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde) de afastamento social e isolamento recorrentes da pandemia do novo coronavírus, ficou ainda mais evidente o descaso dos alojamentos e a falta de higiene básica.

Os estudantes informam que a falta de estrutura os obriga a deixar os alojamentos em busca de uma refeição nos restaurantes coletivos disponíveis nas unidades, conhecidos como “bandejão” e que, dessa forma, os expõe mais ainda a Covid-19. Sem contar que aos finais de semana os restaurantes da Universidade não funcionam.

Os funcionários da manutenção contabilizam seis pessoas ao todo, e após serem interrogados sobre as condições precárias dos alojamentos, eles reclamam da falta de material e ainda alertam sobre o perigo constante que moradores enfrentam. E ressalta sobre os corredores acumulados de entulhos e sobre como isso pode impossibilitar uma fuga para os estudantes, caso alguma coisa aconteça. Em 2017, um dos apartamentos do Bloco G pegou fogo e até hoje não se sabe a causa.

Outro medo que assombram os alunos é o adoecimento psicológico consequente da precariedade em que vivem. Um dos estudantes relembra o caso em que um dos moradores tentou suicídio ao pular do sexto andar e enfatiza o porquê da USP ainda não oferecer recursos, como uma clínica psiquiátrica.

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Por Isabella Souza Alves – Fala! Cásper

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