Manchester City: o sonho da Champions League continua
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Manchester City: o sonho da Champions League continua

Manchester City: o sonho da Champions League continua

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Este século, certamente, pode ser considerado maior do que os outros 106 anos de história do Manchester City. Um clube que passou diversas vezes pela segunda divisão, torna-se, hoje, um dos mais ricos e aclamados clubes do mundo, que, mesmo assim, só conseguiu alcançar a final da Champions League na temporada 2020/21. 

O princípio da ascensão do Manchester City

Desde o surgimento do FC St. Mark’s em 1880, no distrito de Gordon, até o atual Manchester City, nomeado dessa forma apenas em 1894, o clube foi o primeiro da cidade a ser promovido automaticamente para a Primeira Divisão Inglesa, ganhou a primeira Copa da Inglaterra em 1903/04, foi campeão sete vezes da Segunda Divisão e se firmou de vez na Premier League somente na temporada 2002/03.

Dono do Manchester City
Dono do Manchester City, o sheik Mansour Bin Zayed Al Nahyan. | Foto: City Football Group.

Na campanha 2003/04, o City ficou próximo do rebaixamento novamente – na 16ª posição, com 41 pontos -, mesmo assim, jogou a Copa Uefa, garantida no ano anterior graças ao prêmio Fair Play. Até a temporada 2007/08, o time balançou na corda bamba da Premier League, alternando entre meio e fim da tabela. Até que, no dia 1 de setembro de 2008, o clube iniciou uma era de renovações: a Era Sheikh Mansour. 

Após um ano de familiarização com o novo dono, a mudança começou a ser perceptiva, quando na temporada 2009/10 os torcedores puderam ver o Citizens em quinto na tabela, encaminhando-se para a elite inglesa, além de se tornar um dos clubes com mais investimento do mundo. 

A partir de 2010/2011, os Blues contavam com um elenco de grandes jogadores, como Yaya Touré, Carlos Tévez, Jérôme Boateng, David Silva, Mario Balotelli, Jô e James Milner, além da chegada de Roberto Mancini, ex-Inter de Milão. Após 35 anos sem ganhar a Copa da Inglaterra, o City conquistou finalmente o título que marcava a quinta vez em que levaria o troféu, passando pelo Manchester United na semifinal e pelo Stoke City na final. Um fato interessante dessa época foi que os Reds levaram a Premier League, e então a cidade ficou marcada pela comemoração de ambos os rivais. 

FA Cup
City campeão da FA Cup, em 2011. | Foto: Reprodução.

Para o Sky Blues, uma conquista simbólica: a primeira chegada do clube a Champions League depois de 43 anos, quando o campeonato ainda era nomeado como Taça dos Campeões Europeus. 

Os anos de ouro do Manchester City

Para a temporada 2011/12, o clube teve contratações pontuais do meio-campista Samir Nasri, do lateral-esquerdo Clichy e do zagueiro Stefan Savic. A última chegada de impacto ao clube foi nada mais nada menos que Sergio Agüero, uma compra de 40 milhões de euros pelo atacante que jogava no Atlético de Madrid. 

Sergio Agüero
Sergio Agüero em sua chegada ao Manchester City. | Foto: Divulgação.

No começo do período, o Manchester City acabou cedendo a Supercopa da Inglaterra para o United por um placar de 3 a 2, em partida única. Enquanto sua participação na Champions League não foi longínqua, ficando apenas na Fase de Grupos em terceiro colocado, na Liga Europa da Uefa conseguiu avançar até as oitavas, parando no Sporting, de Portugal.

No Campeonato Inglês, espírito de campeão, mas tensão até a última rodada. United e City terminaram o torneio com os mesmos 89 pontos, jogando contra Sunderland e Queens Park Rangers, respectivamente, em seus últimos jogos. A história pode começar com a vitória dos Reds por 1 a 0 com gol de Rooney, mas o destaque foi para a partida do Blues, que abriu o placar aos 38 minutos do primeiro tempo com Zabaleta. Na segunda etapa, aos dois minutos, o QPR empatou com Cissé e virou aos 20, com Mackie. Tudo parecia perdido, quando, aos 46 minutos, já nos acréscimos, Dzeko empatou o jogo em 2 a 2. Então, a estrela de Agüero brilhou grandemente e, aos 49, virou o jogo para o Manchester City, conquistando a vitória e a taça de campeão pela terceira vez.

Premier League
City campeão da Premier League na temporada 2011/12. | Foto: Alex Livesey/Getty Images.

Na temporada seguinte, foi campeão da Supercopa da Inglaterra em cima do Chelsea, vice-campeão da Premier League e da Copa da Inglaterra, perdendo para o Wigan por 1 a 0, placar que levou à demissão do técnico Roberto Mancini. Em 2013/14, comandado pelo chileno Manuel Pellegrini, o clube venceu a Copa da Liga Inglesa, ou Carabao Cup, derrotando o Sunderland por 3 a 1. Além da conquista, o Blues chegou às oitavas de final da Champions League pela primeira vez em sua história, mas foi parado pelo Barcelona, de Gerardo “Tata” Martino.

Depois de cinco anos, em 2014/15, o City ficou sem ganhar nenhum título, perdendo para o Barcelona novamente nas oitavas da Champions, para o Arsenal na Supercopa e sendo vice da Premier League, atrás do rival Chelsea. Pellegrini finalizou seu trabalho no ano seguinte, após vencer mais uma Copa da Liga Inglesa, além de realizar uma campanha histórica na Liga dos Campeões chegando à semifinal, mas derrotado por 1 a 0, no agregado, pelo Real Madrid. 

Daqui em diante, o futuro do City ficaria nas mãos do espanhol Josep Guardiola i Sala, o gigante Pep.

Guardiola e Mansour Manchester City
Guardiola e Mansour, técnico e dono do City, respectivamente. | Foto: Getty Images.

O catalão Pep Guardiola, 50, assinou um vínculo de três anos com o Manchester City no dia 1 de fevereiro de 2016, mas só iria assumir dia 1 de julho, quando seu contrato finalizaria com o Bayern de Munique. O treinador, que já publicou diversos livros, fez história no Barcelona, ganhando três vezes consecutivas o Campeonato Espanhol, duas Champions League e dois Mundiais de Clubes. 

Antes de ir assumir o clube de Manchester, Pep estava estudando as oportunidades que chegavam a ele, mas, como queria um “novo desafio”, acatou o Blues. Como principais influências, Guardiola tira e utiliza ideias de Johan Cruyff – seu antigo treinador no Barcelona da década de 90 – e de Telê Santana, quando treinou a  Seleção Brasileira de 1982. Esse estilo de jogo mistura métodos eficientes de posse de bola, trocas de passe e ofensividade, muito utilizados por ele entre 2008 e 2012, quando treinava os Culés, denominado como o famoso “tiki-taka”.

No City, é perceptível o jogo de superioridade, onde Pep sempre coloca o seu elenco em maior quantidade ou melhor posicionamento em campo, sempre fazendo com que o adversário fique vulnerável a ataques extremamente eficientes. Ele impõe a vitória em primeiro lugar, mas não apenas com o “futebol bonito”, e sim com objetividade para conquistar o resultado. 

Durante seus quase cinco anos comandando o Blues, o treinador conquistou três Premier League, quatro Taças da Liga Inglesa, uma Copa da Inglaterra e duas Supercopa da Inglaterra.

Próxima parada: final da Champions League

Para o City, a temporada 2020/2021 começou em setembro de 2020, em jogos válidos pela Copa da Liga Inglesa e pelo Campeonato Inglês. Na Copa, foram campeões com uma campanha de seis vitórias, 12 gols marcados e apenas dois sofridos. Na Premier League, concluíram a competição com 75,4% de aproveitamento, somando 27 vitórias, cinco empates e seis derrotas, sendo vencedores com a melhor defesa e melhor ataque do campeonato.

Manchester City
City campeão da Premier League 2020/21. | Foto: Divulgação/Manchester City.

E a tão esperada final da Champions League chegou para o City. Após belas atuações na última década, dentro e fora da competição, mais uma final inglesa foi disputada no maior campeonato do mundo. Em outras duas oportunidades, times ingleses se enfrentaram na disputa pelo título: em 2007/08, o Manchester United bateu o Chelsea nos pênaltis, após empate no tempo normal por 1 a 1; e em 2018/19, o Liverpool saiu vitorioso após 2 a 0 em cima do Tottenham. 

Estreando na Champions em 21 de outubro de 2020 pela Fase de Grupos, o Blues passou para a próxima fase totalizando cinco vitórias, um empate, 13 gols marcados e um sofrido. Nas oitavas, enfrentou o Mönchengladbach, vencendo ambos os jogos por 2 a 0. Nas quartas, seu adversário foi o Borussia Dortmund, garantindo vaga na semifinal pelo placar de 2 a 1 nas partidas de ida e volta. 

Exercendo a primeira partida fora de casa no Parque dos Príncipes, o City saiu com a vantagem, de virada, alcançada por 2 a 1 contra o PSG. Em casa, no Etihad Stadium, foi dominante e não deu chances ao time francês, vencendo por 2 a 0.

“E eu já ‘tô’ prevendo/ O estádio lá, fervendo.” E realmente ferveu, como dito na paródia Kanté e Mahrez feita pela Chapelada, página de futebol no Instagram. No fim, a emoção foi transmitida aos adversários, os Blues de Londres, que ficaram com o título da Champions 2020/21, adiando mais uma vez o sonho do City. 

Com a presença de 14.110 pessoas, uma expectativa muito alta rodeava os torcedores dos Citizens, que assistiram de perto o gol de Kai Havertz, de apenas 21 anos, aos 42 minutos do primeiro tempo. Ainda para a infelicidade do City, aos 15 da segunda etapa, De Bruyne deixou o campo após choque rosto a rosto com o zagueiro de 1,90cm Antonio Rudiger.

De Bruyne com rosto machucado após acidente em campo. | Foto: Reuters/Michael Steele.

O gol do atacante alemão foi o único do jogo, frustrando os jogadores, torcedores e comissão técnica, que esperavam gritar, ansiosamente, pela vitória e título inédito. Por outro lado, Guardiola foi destaque de uma das imagens mais bonitas da noite inglesa, quando beijou a medalha de prata recebida. 

Manchester City Pep
Pep beijando medalha de vice-campeão. | Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP.

O futuro é incerto, mas o Manchester City tem capacidade de chegar em mais uma final de Champions League e, em breve, conquistar o tão esperado título. 

Manchester City champions league
Torcida apoiando o City. | Foto: Twitter/Manchester City.

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Por Ana Lúcia Bertolino e Vinícius Gimenez Bueno – Fala! Cásper

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