Luz na passarela, que lá vem elas: Entrevista com beer sommelier
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Luz na passarela, que lá vem elas: Entrevista com beer sommelier

Luz na passarela, que lá vem elas: Entrevista com beer sommelier

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Muito se sabe que, no mundo em que vivemos, existem segregações, meninas vestem rosa e meninos vestem azul, boneca e jogo de cozinha são para meninas e espadas, escudos e carrinhos são para meninos, cerveja não é coisa de mulher…opa!

Calma lá, senhoras e senhores, cerveja é coisa para mulher, sim! E para mulher fazer e ainda degustar. Como prova disso eu trago para vocês a primeira mulher a mostrar para o mundo que lugar de mulher é aonde ela quiser!

Entrevista com beer sommelier

Marcia Nieri, de 53 anos, é produtora de cerveja, formada como beer sommelier pelo Instituto da Cerveja Brasil, começou a atuar no segmento cervejeiro representando por um ano a distribuidora Beer Maniacs e, neste mesmo ano, fez a produção artesanal da cerveja de panela (outro estilo de se fazer a bebida) pelo Pier 1327.

Desde então, nunca mais parou e, hoje, tem em torno de 230 brassagens (safras feitas por ela), sendo elas trabalhos pessoais e alguns profissionais e, como mestre cervejeira, ela busca focar em tudo que envolve processos artesanais.

beer sommelier
Marcia Nieri, beer sommelier. | Foto: Acervo Pessoal.

Inserida nesse mundo há apenas quatro anos, Marcia se diz completamente confortável em meio aos homens. Ela também afirma que acha incrível ver que essa divisão entre trabalho de mulher e trabalho de homem está se diluindo. “Eu acho incrível, essa coisa de não ter sexo pra você tomar determinado tipo de cerveja ou determinado perfil de trabalho”.

Um dos seus maiores espantos nesse meio foi e ainda é ver o preconceito partindo de mulheres. “Tem perfil de homem que desacredita de nós, mulheres, mas tem muita mulher também. Já teve uma esposa de um aluno meu que falou: ‘Eu quis vim para ver, pois não entra na minha cabeça o porquê uma mulher vai gostar de cerveja e vai querer ensinar a fazer cerveja’. Olha só uma mulher falando isso”, riu.

Dentro deste mesmo assunto, Marcia conta que já perdeu muitos contatos de homens que não “engolem” direito a ideia de que as mulheres têm a total capacidade de produzir uma cerveja com uma qualidade igual ou superior do que a produzida por eles e que, por isso, muitos não aceitam a sua opinião e se afastam por se sentirem com o ego ferido ou algo do tipo. Ela conta também que muitos dos que optam por se afastar, passam a difamar sua reputação como cervejeira, o que não conseguem, é claro.

Lamentavelmente, a área de beer sommelier não possui muitas mulheres no ramo para unir forças com a Marcia e, assim, quebrar essa padronização imposta, principalmente pela mídia, que relaciona de forma deturpada o corpo da mulher com a bebida. Porém, a sommelier nos conta que a quantidade de pessoas do gênero feminino dentro do segmento da cerveja, pode mudar se a divulgação aumentar.

“A divulgação é bem legal para as pessoas se sentirem mais à vontade e chamar a atenção que isso é possível”. E é isso que eu me dispus a fazer, fora o fato de querer enaltecer essa mulher que quebra paradigmas produzindo e ensinando sobre cerveja e ainda cozinhando bolinhos deliciosos de feijoada, que harmonizam perfeitamente com as suas cervejas de panela.

Mesmo existindo, a nossa mestre cervejeira fala em não acreditar no machismo como obstáculo, pois, assim como ela, a mulher que quer mesmo faz e mete um f***** para o que os homens pensam. “Eu já ouvi muito desaforo em grupos, mas, para mim, quando alguém tenta me intimidar, acaba me desafiando e me impulsionando.”. 

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Por Heloise Pires Silva – Fala! FMU

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