'Holocausto Brasileiro' - Leia a resenha crítica do livro
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‘Holocausto Brasileiro’ – Leia a resenha crítica do livro

‘Holocausto Brasileiro’ – Leia a resenha crítica do livro

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Holocausto Brasileiro é uma obra escrita por Daniela Arbex, 45, jornalista brasileira. Foi publicado em 6 de julho de 2013, pela editora Geração. É um livro dedicado a todos que lutaram e fizeram parte da vida de anônimos no maior hospício do país. Composto e dividido por 14 capítulos. Discorre em sequência sobre depoimentos de sujeitos que viveram boa parte de suas vidas em situação de calamidade como internos na cidade de Barbacena, Minas Gerais. No total de 233 páginas, descreve em detalhes as trajetórias, dificuldades e injustiças sociais sofridas por pessoas que simplesmente eram tímidas, analfabetas ou alcoólatras. Isso já era o bastante para serem diagnosticados como doentes mentais e levados ao, como era chamado, Colônia.

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Livro Holocausto Brasileiro, de Daniela Arbex. | Foto: Reprodução.

Enredo de Holocausto Brasileiro

A obra traz à tona o esquecimento de um capítulo da história brasileira. A escritora, partindo de uma denúncia oriunda da imprensa, investiga o caso. Dessa forma, descreve o tema explicando como o Colônia funcionou por boa parte do século XX, associando-o a um campo de concentração nazista, onde os indivíduos lá instalados eram tratados de forma decadente. As mortes por frio, fome e choques elétricos eram diárias. Assim, era visível o genocídio e o descaso por parte do Estado e conformismo da sociedade, dos funcionários e médicos do hospício.

Uma característica especial de Holocausto Brasileiro é o fato de Arbex ter tido contato, antes de escrever o livro, com uma coleção de fotos da revista O Cruzeiro, feitas pelo fotógrafo Luiz Alfredo. As imagens retratavam o cotidiano no Colônia de uma forma realista e comovente, fazendo parte da construção ilustrativa da obra.

O assunto é abordado através da reprodução de diálogos e detalhes, feitos minuciosamente sobre a vida de sobreviventes como Elza Maria do Carmo, que teve sua infância roubada após ser internada. Além de histórias de falecidos como Conceição Machado, “diagnosticada” com tristeza, e funcionários do local como Marlene Laureano, vendo de perto a retirada da humanidade dessas pessoas. Vale ressaltar o capítulo “Encontro, desencontro, reencontro”, em que Geralda Siqueira Santiago reencontra seu filho, João Bosco, com o auxílio da pesquisa de Arbex e do Corpo de Bombeiros de Belo Horizonte.

Daniela Arbex
Daniela Arbex. | Foto: Reprodução.

A intenção da pesquisadora é retratar e evidenciar as fatalidades entre seres humanos que foram esquecidos, e contextualizá-las. Assim, expõe informações com o intuito de manifestar diversos ângulos, com objetivo de conscientizar a todos da situação vivenciada naquele local.

O livro-reportagem, através do uso fundamental da investigação, faz com que o leitor se aproxime daquela realidade e amplie suas interpretações. É de fácil entendimento ao leitor, ocasiona uma leitura agradável e rica em detalhes na produção, observação e, principalmente, na humanização da leitura.

 As exclusões de “indesejáveis sociais” no Colônia mostram o cenário do descaso público. As omissões coletivas fazem com que mais e mais relatos sejam acobertados. Dessa forma, a história brasileira faz vítimas e mais vítimas de estereótipos, onde a indiferença muitas vezes vem de encontro ao retrocesso. Por isso, se faz necessário conscientizar e contar essas narrativas para produção de novos olhares sem ignorar os fatos, como antes. Assim, transformar a vida de excluídos, diminuindo o sofrimento e as injustiças, sejam elas quais forem.

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Por Paula de Lima Santos – Fala! Anhembi

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