sábado, 20 julho, 24
HomeSaúdeO que é granuloma e quais os tipos? 

O que é granuloma e quais os tipos? 

Granuloma inclui um grupo de formações nodulares de tecido inflamatório que surgem como uma resposta do sistema imunológico a substâncias que não consegue eliminar, que podem acontecer, por exemplo, no caso de piercing

Essas formações podem ocorrer em diversos órgãos e tecidos do corpo humano e estão associadas a várias doenças, tanto infecciosas quanto não infecciosas. Este artigo tem como objetivo explicar o que é um granuloma, discutir os sintomas associados a essa condição, descrever os diferentes tipos de granulomas e abordar as opções de tratamento disponíveis.

granuloma
Entenda o que é granuloma e os principais tipos. | Foto: Freepik.

O que é granuloma?

Um granuloma é uma pequena massa de tecido inflamatório, geralmente de forma nodular, que se forma quando o sistema imunológico tenta isolar substâncias estranhas que não consegue eliminar. Essas substâncias podem incluir microrganismos, como bactérias e fungos, bem como materiais inorgânicos ou células do próprio corpo que estão danificadas ou alteradas. 

O desenvolvimento de granulomas é uma resposta imunológica complexa e envolve a ação de várias células do sistema imunológico, incluindo macrófagos, linfócitos T e células epitelióides.

Os macrófagos, que são células fagocitárias, desempenham um papel crucial na formação do granuloma. Quando encontram uma substância que não conseguem degradar, eles se aglomeram e se transformam em células epitelióides, que têm a aparência de células epiteliais. 

Em alguns casos, os macrófagos podem se fundir para formar células gigantes multinucleadas, conhecidas como células gigantes de Langhans. Ao redor desse núcleo de macrófagos e células gigantes, linfócitos T e outras células imunológicas formam uma camada protetora, tentando conter a substância estranha.

Granulomas podem ocorrer em várias doenças, incluindo tuberculose, sarcoidose, doença de Crohn e várias infecções fúngicas e bacterianas. Eles também podem ser causados por corpos estranhos, como materiais de sutura ou partículas inaladas.

Quais são os sintomas do granuloma?

Os sintomas de granulomas podem variar amplamente dependendo de sua localização no corpo e da causa subjacente. Em alguns casos, os granulomas podem ser assintomáticos e descobertos apenas incidentalmente durante exames de imagem ou biópsias realizadas por outras razões.

No entanto, quando os granulomas causam sintomas, estes podem incluir:

Sintomas gerais

  • Febre: Pode ocorrer devido à inflamação e à resposta imunológica do corpo.
  • Fadiga: Um sintoma comum em muitas doenças inflamatórias e infecciosas.
  • Perda de peso inexplicada: Pode ser observada em doenças crônicas associadas a granulomas.

Sintomas específicos por localização

Pulmões

  • Tosse persistente: Com ou sem produção de muco.
  • Dificuldade para respirar: Sensação de falta de ar ou respiração ofegante.
  • Dor torácica: Desconforto ou dor no peito.

Pele

  • Nódulos ou placas cutâneas: Lesões elevadas, muitas vezes de cor avermelhada ou púrpura.
  • Úlceras: Áreas de pele rompida ou feridas que não cicatrizam facilmente.

Fígado e baço

  • Dor abdominal: Sensação de desconforto ou dor no abdômen.
  • Icterícia: Amarelecimento da pele e dos olhos devido ao comprometimento hepático.

Sistema nervoso central

  • Dor de cabeça: Pode ser severa e persistente.
  • Déficits neurológicos: Como fraqueza, perda de coordenação, ou convulsões.

Olhos

  • Visão turva: Dificuldade para enxergar claramente.
  • Dor ocular: Desconforto ou dor nos olhos.
  • Vermelhidão: Olhos avermelhados e inflamados.

Esses sintomas podem ser causados diretamente pelos granulomas ou pela condição subjacente que levou à formação dos mesmos.

Tipos de granuloma

Granulomas podem ser classificados de várias maneiras, dependendo de suas características histológicas, causas subjacentes e localização. Aqui estão alguns dos principais tipos de granulomas:

Granulomas infecciosos

Tuberculose

Granulomas tuberculosos são causados pela infecção com a bactéria Mycobacterium tuberculosis. Estes granulomas tipicamente apresentam necrose caseosa, um tipo de necrose que dá um aspecto esbranquiçado e caseoso ao tecido afetado. Os granulomas tuberculosos são característicos por conterem células gigantes de Langhans.

Hanseníase

Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a hanseníase pode levar à formação de granulomas na pele, nervos periféricos e outros tecidos. Esses granulomas contêm macrófagos espumosos devido à presença de grandes quantidades de bactérias no interior dessas células.

Sífilis

A sífilis, causada pela bactéria Treponema pallidum, pode resultar em granulomas conhecidos como gomas, que são lesões inflamatórias crônicas encontradas principalmente na pele, ossos e órgãos internos durante as fases mais avançadas da doença.

Infecções fúngicas

Granulomas também podem se formar em resposta a infecções fúngicas, como histoplasmose, blastomicose e coccidioidomicose. Esses granulomas podem apresentar necrose e células gigantes multinucleadas, e geralmente ocorrem nos pulmões.

Granulomas não infecciosos

Sarcoidose

Sarcoidose é uma doença inflamatória de causa desconhecida que resulta na formação de granulomas não caseosos em múltiplos órgãos, mais comumente nos pulmões e nos linfonodos. Esses granulomas são compostos por células epitelioides e células gigantes, mas não apresentam necrose central.

Doença de Crohn

A doença de Crohn é uma doença inflamatória intestinal que pode causar granulomas não caseosos ao longo do trato gastrointestinal. Esses granulomas são uma característica distintiva da doença e podem ajudar no diagnóstico.

Granulomas de corpo estranho

Granulomas de corpo estranho se formam quando materiais inorgânicos ou biológicos, como suturas, talco, ou fragmentos de plantas, ficam presos no tecido. O sistema imunológico tenta isolar esses materiais, levando à formação de granulomas que podem conter células gigantes multinucleadas.

Granulomas induzidos por medicamentos

Alguns medicamentos, como certos agentes quimioterápicos e drogas imunossupressoras, podem induzir a formação de granulomas. Estes granulomas são geralmente não caseosos e ocorrem em locais variados dependendo do medicamento envolvido.

Como ocorre a formação de granulomas em piercings?

Quando um piercing é inserido, o corpo reconhece o material (geralmente metal) como estranho e tenta isolá-lo. Se o sistema imunológico não consegue degradar ou expelir o material, ele pode formar um granuloma na tentativa de conter a irritação ou a infecção.

granuloma em piercing
Saiba qual é a relação entre piercing e granuloma. | Foto: Freepik.

Esse processo envolve várias etapas:

  • Fase inicial: Quando o piercing é feito, ocorre uma resposta inflamatória aguda. Isso é normal e parte do processo de cicatrização.
  • Resposta imune prolongada: Se a inflamação persiste devido à irritação contínua, alergia ao material do piercing, infecção ou trauma repetido (como puxões ou movimentação excessiva do piercing), a resposta imune pode se intensificar.
  • Formação de granuloma: Os macrófagos, células do sistema imunológico responsáveis por englobar e destruir patógenos e corpos estranhos, podem se acumular ao redor do piercing. Se não conseguirem eliminar o material, eles se aglomeram e se transformam em células epitelioides. Estas podem se fundir para formar células gigantes multinucleadas, criando um granuloma para isolar o material estranho.

Sintomas de granuloma em piercing

Os sintomas de um granuloma em torno de um piercing podem incluir:

  • Nódulo avermelhado ou roxo: Um pequeno nódulo firme pode se desenvolver ao redor do local do piercing.
  • Sensibilidade e dor: A área pode ser dolorida ao toque.
  • Inchaço: Pode haver edema ao redor do piercing.
  • Secreção: Em alguns casos, pode haver secreção purulenta ou serosa, especialmente se houver uma infecção associada.

Como tratar o granuloma?

O tratamento dos granulomas depende da causa subjacente e da localização dos granulomas. Aqui estão algumas abordagens comuns para o tratamento de diferentes tipos de granulomas:

Tratamento de granulomas infecciosos

Antibióticos e antifúngicos

Para granulomas causados por infecções bacterianas, como a tuberculose e a hanseníase, antibióticos específicos são essenciais. A tuberculose, por exemplo, é tratada com uma combinação de antibióticos como isoniazida, rifampicina, etambutol e pirazinamida por um período prolongado. Para infecções fúngicas, como histoplasmose, antifúngicos como itraconazol ou anfotericina B são usados.

Tratamento de granulomas não infecciosos

Corticosteróides

Para condições como a sarcoidose e a granulomatose com poliangiite, os corticosteroides são frequentemente o tratamento de primeira linha. Esses medicamentos ajudam a reduzir a inflamação e o tamanho dos granulomas. Em casos de sarcoidose, prednisona é comumente prescrita.

Imunossupressores

Em doenças autoimunes como a granulomatose com poliangiite e a artrite reumatoide, além dos corticosteroides, imunossupressores como metotrexato, ciclofosfamida ou azatioprina podem ser usados para controlar a inflamação e prevenir danos aos órgãos.

Antiinflamatórios não esteróides (AINEs)

Para alívio sintomático, especialmente em condições como a artrite reumatoide, AINEs podem ser usados para reduzir a dor e a inflamação.

Tratamento de granulomas de corpo estranho

Remoção cirúrgica

Se o granuloma for causado por um corpo estranho que pode ser removido, a cirurgia é frequentemente a melhor abordagem. A remoção do material estranho pode permitir que o granuloma se resolva espontaneamente.

Terapias biológicas

Em casos de doenças autoimunes e inflamatórias graves, terapias biológicas que atuam em alvos específicos do sistema imunológico, como inibidores de TNF-alfa (ex.: infliximabe) ou inibidores de IL-6 (ex.: tocilizumabe), podem ser eficazes.

Tratamento de suporte

Tratamentos adicionais podem incluir cuidados de suporte, como fisioterapia para melhorar a função pulmonar em pacientes com sarcoidose pulmonar ou cuidados de reabilitação para pacientes com déficit neurológico.

Granulomas são respostas complexas do sistema imunológico a uma variedade de estímulos. A formação de granulomas pode ser um sinal de uma ampla gama de condições, desde infecções até doenças autoimunes e reações a corpos estranhos. 

O reconhecimento e o tratamento eficaz dos granulomas dependem de uma compreensão clara da causa subjacente e da extensão da doença. Embora o tratamento possa variar amplamente, abordagens personalizadas que incluem antibióticos, corticosteroides, imunossupressores, e, em alguns casos, cirurgia, são essenciais para o manejo adequado dos pacientes com granulomas.

Por isso, ao sinal de qualquer sintoma, não deixe de procurar um médico. Na clínica Otorrino Paulista, você encontra profissionais capacitados para tratar problemas como o granuloma em piercing.

ARTIGOS RECOMENDADOS