Filmes e séries dirigidos por negros para entender o racismo nos EUA
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Filmes e séries dirigidos por negros para entender o racismo nos EUA

Filmes e séries dirigidos por negros para entender o racismo nos EUA

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Na última década, diretores e diretoras negros têm encontrado um lugar de destaque dentro do cinema norte-americano. Em uma época de grande discussão do racismo ao redor do mundo, que teve como estopim o assassinato de George Floyd, um homem preto, por um policial branco, o cinema pode ser uma excelente maneira de se entender a história do preconceito racial nesse país.

A lista inclui filmes e séries que discutem as mais variadas faces do racismo através de diferentes momentos da história: desde a escravidão até os dias atuais. Segue abaixo:

Filmes:

12 Anos de Escravidão (2013)

Direção: Steve McQueen.

12 anos de escravidão
12 Anos de Escravidão – Steve McQueen. | Foto: Reprodução.

12 Anos de Escravidão não ganhou o Oscar de ‘Melhor Filme’ à toa. A obra foi baseada na autobiografia de Solomon Northup, interpretado por Chiwetel Ejiofor.

A história começa em 1841, quando Solomon, um homem negro livre, é sequestrado e escravizado. O filme mostra como mesmo os pretos livres nos Estados Unidos não tiveram sossego e continuavam sendo vistos como propriedades. A película é um mergulho na triste realidade da escravatura, mostrando detalhadamente os abusos físicos e psicológicos.

Selma (2014)

Direção: Ava DuVernay.

Ava DuVernay
Selma – Ava DuVernay. | Foto: Reprodução.

O filme é baseado na marcha organizada por Martin Luther King (David Oyelowo) em 1965, que sairia da cidade de Selma e iria até Montgomery pedindo a garantia do voto aos afro-americanos em todo o país.

Apesar da Lei de Direitos Civis já estar em vigor e a segregação ter chegado ao fim, muitos governadores, como George Wallace no Alabama, ainda não permitiam que todos os negros votassem em seus estados.

A 13ª Emenda (2016)

Direção: Ava DuVernay.

filmes sobre racismo
A 13ª Emenda – Ava DuVernay. | Foto: Reprodução.

A 13ª Emenda é o único documentário dessa lista. Nele, é feita uma análise da população carcerária dos Estados Unidos e seu crescimento a partir do fim da escravidão. Com análise de especialistas e depoimentos de políticos, o filme mostra como o encarceramento em massa e o racismo sempre andaram lado a lado no país norte-americano.

Corra! (2017)

Direção: Jordan Peele.

Corra!
Corra! – Jordan Peele. | Foto: Reprodução.

Corra! consagrou Jordan Peele como um dos grandes diretores da atual geração. O enredo ganhador do Oscar de ‘Melhor Roteiro Original’ de 2018 consiste na visita de Chris Washington (Daniel Kaluuya) à casa da família de sua namorada. Apesar de ser considerada de terror, a obra é extremamente profunda e tem no racismo seu tema central.

Diferente de grande parte da lista, o aspecto mais abordado do preconceito racial é a apropriação dos corpos pretos por parte dos brancos. O filme gira em torno da visão branca de que sua raça é superior intelectualmente, enquanto a negra é privilegiada fisicamente.

Infiltrados na Klan (2018)

Direção: Spike Lee.

Infiltrados na Klan
Infiltrados na Klan – Spike Lee. | Foto: Reprodução.

Infiltrados na Klan é uma das obras-primas de Spike Lee. Baseado na autobiografia de Ron Stallworth, primeiro policial negro de Colorado Springs, o filme ganhou o Oscar de ‘Melhor Roteiro Adaptado’.

De maneira leve, conta a história de Ron (John David Washington) e seu parceiro Flip (Adam Driver), que trabalham infiltrados na Ku Klux Klan. Durante o trabalho, os dois são obrigados a fingir naturalidade frente aos horrores praticados pela organização, enquanto Ron deve enfrentar o racismo também dentro da polícia.

Se a Rua Beale Falasse (2018)

Direção: Barry Jenkins.

Se a Rua Beale Falasse
Se a Rua Beale Falasse – Barry Jenkins. | Foto: Reprodução.

Após ganhar o Oscar de ‘Melhor Filme’ com Moonlight, Barry Jenkins trouxe outro grande filme no ano seguinte.

Baseado no romance de James Baldwin, o filme conta uma história de amor interrompida por um caso de racismo policial. Acusado injustamente de estupro, “Fonny” (Stephen James) é preso e sua namorada Tish (Kiki Layne) tenta, com ajuda de sua família, dividir a atenção de sua gravidez com os esforços para comprovar a inocência de seu amado. Em paralelo, ela relembra a trajetória do romance do casal.

O Ódio que Você Semeia (2018)

Direção: George Tillman Jr..

O Ódio que Você Semeia
O Ódio que Você Semeia – George Tillman Jr.. | Foto: Reprodução.

Baseado no romance de Angie Thomas, o filme conta a história da adolescente Starr (Amandla Stenberg), que presencia o assassinato de seu melhor amigo por um policial. A morte gera uma onda de protestos e a personagem principal se vê pressionada a assumir um papel relevante, porém, teme sua exposição na mídia.

Apesar de apresentar uma linguagem semelhante a de filmes adolescentes, a história é extremamente pesada, apontando os diversos aspectos do racismo nos Estados Unidos. Por mais que seja fictícia, a obra é excelente para analisar o que acontece hoje no país norte-americano, e os protestos lembram muito os que ocorrem desde a morte de George Floyd.

Harriet (2019)

Direção: KasiLemmons.

Harriet
Harriet – KasiLemmons. | Foto: Reprodução.

O filme retorna aos anos 1840 para apresentar a história real e sensacional da escrava Harriet Tubman (Cynthia Erivo), que consegue se libertar e resolve ajudar centenas de outros negros cuja liberdade está sendo privada.

A obra é essencial para entender a transição para a libertação dos escravos nos Estados Unidos, que foi se dando gradualmente, levando muito mais tempo em alguns estados do que outros.

O longa-metragem mostra a luta dos pretos e pretas contra os governadores que insistem em manter a escravatura. O filme também passa pela Guerra Civil Americana, na qual Harriet teve seu papel. Candidata ao Oscar de ‘Melhor Atriz’ do último ano, Cynthia dá um verdadeiro show.

Destacamento Blood (2020)

Direção: Spike Lee.

Destacamento Blood - Spike Lee
Destacamento Blood – Spike Lee. | Foto: Reprodução.

O filme foi uma das novidades da Netflix durante a quarentena e está fazendo grande sucesso. Ele conta a história de 4 veteranos de guerra do Vietnã negros que regressam ao país asiático à procura dos restos mortais de seu antigo comandante e um tesouro.

A obra traz uma aventura emocionante juntamente a uma forte crítica à maneira com a qual os pretos foram utilizados em uma guerra que não lhes dizia respeito, enquanto seu próprio povo morria aos montes dentro de seu país.

Séries

Cara Gente Branca (2017- atualmente)

Direção: Justin Simien.

Cara Gente Branca
Cara Gente Branca – Justin Simien. | Foto: Reprodução.

Originalmente Dear White People, a série é baseada no filme de mesmo nome, ambos escritos por Justin Simien. A obra retrata a vida de um grupo de estudantes negros em uma universidade de elite. Juntando humor, drama e suspense, a série apresenta visões divergentes do combate ao racismo dentro do movimento negro.

Olhos que condenam (2019)

Direção: Ava DuVernay.

Olhos que condenam
Olhos que condenam – Ava DuVernay. | Foto: Reprodução.

Essa minissérie de quatro episódios conta a história real do “caso dos cinco do Central Park”, cinco adolescentes negros presos em 1989, acusados de um estupro que não cometeram. A série traz todos os detalhes dessa história revoltante e é preciso muito estômago para assistir a ela.

A Vida e a História de Madam C.J. Walker (2020)

Direção: Nicole Asher.

A Vida e a História de Madam C.J. Walker
A Vida e a História de Madam C.J. Walker – Nicole Asher. | Foto: Reprodução.

A minissérie, de apenas quatro episódios, conta a incrível história real de Madame C.J. Walker, a primeira mulher a ficar milionária por mérito próprio nos Estados Unidos. A série se passa no início do século XX e conta as dificuldades, não só de ser negra na época, mas principalmente de ser mulher dentro do próprio movimento negro.

Madam Walker, brilhantemente interpretada pela irreverente Octavia Spencer, obtém seu sucesso através de uma empresa de produtos capilares voltados para as mulheres pretas. A empresária busca o empoderamento dessas mulheres através de sua marca.

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Por Pedro Werneck Brandão – Fala! UFRJ

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