Eurocopa e Copa América: a evidente disparidade entre as competições
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Eurocopa e Copa América: a evidente disparidade entre as competições

Eurocopa e Copa América: a evidente disparidade entre as competições

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Por conta da pandemia, ambos os torneios foram adiados para serem iniciados em 2021. A Eurocopa 2020 começou em 11 de junho e a Copa América, em 13 de junho, as competições aconteceram ao mesmo tempo. Percebemos a clara superioridade futebolística praticada na Europa em relação à América Latina. A Eurocopa mostrou um equilíbrio e um nível de competitividade alto entre as seleções, sem falar da organização do torneio. A gestão e o formato de disputa é um dos pontos que conta para interatividade do público. 

A Copa América mostra, desde a sua fundação, uma nítida dificuldade de administração. O torneio nunca seguiu um calendário definitivo. Enquanto a Euro foi disputada três vezes em um período de dez anos (2012, 2016 e agora em 2021), a Copa América teve cinco edições (2011, 2015, 2016, 2019 e 2021). Isso tira totalmente o desejo do público, tornando uma competição banalizada. Quanto mais escasso, maior o desejo por ele.

Eurocopa
Entenda as diferenças entre as competições. | Foto: Reprodução.

Disparidades entre Eurocopa e Copa América

A Eurocopa mantém jogos em alto nível desde a fase de grupos, sendo assim, o público não precisa esperar a fase de mata-mata para o torneio ficar mais emocionante. O fator supressa ou “zebra” conta muito a favor do velho continente. Presenciamos a campanha histórica da Suíça, chegando às quartas de final, e da Dinamarca, parada pela Inglaterra nas semifinais. Fora os jogos emocionantes entre Polônia e Suécia e Alemanha e Hungria. O fato é que a Eurocopa possui, no mínimo, oito seleções de ponta, tornando incerto o favorito a ganhar a competição. Na Copa América, dificilmente uma Bolívia ou um Paraguai vai surpreender, sempre os favoritos ficam entre Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. 

Essa Euro contou com a novidade de ter 11 sedes espalhadas por toda a Europa. A ideia inicial era justamente fazer com que um grande contingente de pessoas viajasse pela Europa, aumentando principalmente o turismo local. A Copa América seguiu inicialmente a mesma ideia, tendo duas sedes, Argentina e Colômbia. Segundo um levantamento feito da Copa América de 2019, a maioria dos turistas estrangeiros que vieram ao Brasil foi do Chile (32%) e da Argentina (29%). Turistas do Peru e da Colômbia foram 11% e 8%, respectivamente.

Na Euro anterior, em 2016 na França, foram gerados 1,1 bilhão de euros em negócios para o país, sendo que 630 milhões de euros foram gerados apenas com turismo, com 615 mil visitantes estrangeiros, de acordo com estudo do Observatoire de l’Economie du Sport, publicado pelo site Sportcal. Tratando-se de capital, a Euro é um campeonato muito mais estruturado e lucrativo. Tanto é que, enquanto a seleção campeã da Copa América receberá US$ 14 milhões (sendo US$ 4 milhões o valor mínimo para os participantes do torneio), o vencedor da Euro 2020 receberá 34 milhões de euros (US$ 40 milhões), e o valor mínimo é de 9,5 milhões de euros (US$ 11 milhões). 

A questão da qualidade dos gramados brasileiros nos estádios foram alvo de críticas e “memes” nessa Copa América. O Nilton Santos, no Rio de Janeiro, foi um deles. Os jogadores e o técnico da seleção brasileira, Messi, Neymar e Tite, reclamaram duramente a condição do gramado. “O estado do gramado não é bom. Em função de ser recente a retirada, é humanamente impossível. Juninho (coordenador) entra em contato com as pessoas toda hora para ter melhor condição, para dar saúde aos atletas. Um buraco, escorregão, proporciona desequilíbrio, fora o embate do jogo, o contato”, afirmou Tite.

Sobre isso, o camisa 10 da Seleção Brasileira ainda fez questão de brincar nas redes sociais, ao colocar a foto de um campo de terra e a foto do estádio de Wembley, palco das semifinais e final da Euro, que está um verdadeiro tapete. Na foto postada, brincou: “onde será o próximo jogo da Seleção?”.

A presença do público nessa Eurocopa tornou-se uma competição mais interessante e competitiva. O torcedor presente faz total diferença no apoio à seleção ou em um time. Como diz o ditado: “A torcida é o décimo segundo jogador”. O número de torcedores que podiam frequentar os jogos dependia dos protocolos de cada sede, a maioria com cerca de 16 mil por jogo. Nas semifinais e finais, em Wembley, o público foi de 60 mil pessoas, 75% da ocupação nos jogos. Sem presença de público, a competição sul-americana passa a ser só mais um produto de vídeo. 

Futebol na América Latina

É fato é que o futebol da América Latina vem se limitando cada vez mais. Hoje, a realidade é que as grandes estrelas e os principais clubes do mundo estão concentrados na Europa. Os jovens talentos formados na América saem muito cedo de seus clubes formadores, isso acontece muito no Brasil. Na seleção brasileira, só dois jogadores que jogam no Brasil foram convocados para a Copa América. Tira totalmente a identificação do jogador e torcedor com o país.

O futebol sul-americano está preso aos anos 80 e 90, onde o talento individual fazia mais diferença que o coletivo como um todo. Talento não basta mais, o time precisa funcionar tecnicamente. Enquanto na Europa vemos a volta por cima que a Itália está dando com uma mentalidade ofensiva, de toque de bola e movimentação, na América, permanece o futebol estático.

Parece que falta para o futebol sul-americano mais “ousadia” por parte do técnico e dos jogadores. Falta variação tática, não ficar preso a uma única formação ao longo da competição, não ter medo de se reinventar. Há um longo caminho pela frente e cabe à Conmebol, como organizadora do torneio, fazer mudanças significativas que possam, nos próximos anos, fornecer uma competição digna e interativa, como é a Eurocopa.

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Por João Martins – Fala! Metodista

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