De Petra para Elena - Leia a crítica do filme 'Elena'
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De Petra para Elena – Leia a crítica do filme ‘Elena’

De Petra para Elena – Leia a crítica do filme ‘Elena’

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Buscar por um fechamento é o caminho para curar velhas feridas. Para isso, é preciso enfrentar a dor, a tristeza e as memórias que te perseguem. Para Petra Costa, a morte de sua irmã, Elena Andrade, a fez relembrar tais eventos para descobrir o porquê, resultando em um documentário de mesmo nome. 

A partir de filmes caseiros e gravações, a história de Elena, nome também usado para o filme, é narrada por Petra, falando sobre o seu amor pela as artes cénicas. Através disso, vemos a paixão dela ao encenar e logo criamos um laço de afeto com a personagem. Desde pequena, Elena é vista como uma pessoa doce, gentil e talentosa, mostrando-a dançando, atuando ou cuidando de sua irmã mais nova. Com o passar do tempo, a jovem busca sair do Brasil para expandir sua carreira, vendo que o cenário cultural no Brasil era bastante limitado. Assim, ela vai para Nova York, para alcançar o seu sonho de atriz de cinema.  

Filme Elena
Filme Elena, primeiro longa de Petra Costa. | Foto: Reprodução.

Petra Costa buscou várias fontes para saber o que aconteceu com Elena. Gravações, diários, reportagens e filmes caseiros são usados para contar a história, com Petra narrando em off. O filme é o fruto de uma investigação feita pela diretora para saber mais de uma pessoa tão querida, que não sabia quase nada. A narrativa consegue criar um clima de suspense, construindo uma tensão emocional até o fim.

Mesmo sendo implícito o destino de Elena, o peso da notícia ainda é um choque, trazendo consigo uma imensa tristeza. O valor sentimental investido nesse filme é extremamente honesto e faz qualquer um sentir empatia pela diretora e sua família. 

A composição das imagens e a trilha sonora se complementam de forma poética, criando uma beleza na tragédia e sendo uma homenagem à memória da irmã de Petra. A música Dedicated to the One I Love, de The Mamas and the Papas, ilustra a intenção do filme para a irmã da diretora. A música se assemelha com a história do filme, em que é uma obra dedicada a alguém muito especial que está muito longe, enquanto é tocada durante no começo e no final do filme, para simbolizar o valor sentimental posto. 

Gravações de áudio originais são usados para contextualizar as primeiras reações de Elena e sua empolgação com esse novo mundo. São também elementos que explicam os sentimentos da família dela e de Petra. Em algumas partes, a mãe dela aparece dizendo o que aconteceu, dando o espectador uma visão ampla do antes e o depois do ocorrido. Embora pareça devagar, a diretora fez isso de forma intencional para dar tempo de reflexão e criar uma compreensão emocional melhor dos eventos. 

Não foi uma tarefa fácil para a diretora, pois requer bastante coragem para uma pessoa falar abertamente sobre o tema do suicídio, especialmente quando é de um ente querido. Nesse aspecto sozinho, vale-se a admiração sobre Petra Costa. Talvez o motivo seja para combater a depressão dentro de si, a mesma que tomou Elena.

No decorrer de sua vida, foi comparada com sua irmã por sua aparência física. Petra também se tornou uma atriz, como Elena, e, logo, cineasta. Pudesse assumir que teria o mesmo destino que ela. No final, a diretora fez esse documentário para entender alguém que nunca conheceu de verdade e confessar seus medos para que não seja consumido por eles. Não foi apenas uma busca para saber quem foi Elena Andrade, mas quem será Petra Costa. Isso cria mais um motivo válido para a investigação durante o filme e entender quem foi a atriz falecida e o que diferencia dela para a diretora. 

Uma das cenas finais é Petra aceitando a dor, simbolizado por estar flutuando nas águas da memória e deixando fluir. A trilha sonora I Turn to Water ilustra essa transição, com a letra falando da mudança do indivíduo, doente por amor, para água para que possa se curar e ter uma consciência limpa. Não só ela aparece flutuando, mas também sua mãe e outras versões da diretora, com uma delas parecendo ser a própria Elena.

Na narração, Petra diz que sua irmã não é mais uma dor, mas uma memória constante, querendo dizer que ela finalmente aceitou o que aconteceu e o sentimento de culpa se foi. É um dos momentos mais poéticos e tocantes do filme. 

Em conclusão, é uma história de amor, perda, tristeza e busca pessoal. Se trata de um amor pela a arte e pelas pessoas ao seu redor. Petra Costa, através dessa obra, pode conhecer melhor sua irmã e a si própria.

A maioria de contos biográficos tendem a ser egocêntricos e focando mais só nas coisas do personagem principal fez diretamente, mas o filme foca de maneira ampla. É um depoimento muito honesto, cheio de valor sentimental e definitivamente vai fazer você querer chorar e refletir. Foi uma história de Petra para Elena

Sinopse e trailer de Elena

Ao viajar para Nova York, Elena segue o sonho de se tornar atriz de cinema e deixa, no Brasil, uma infância vivida na clandestinidade, devido à ditadura militar implantada no país, e também a irmã mais nova, Petra, de apenas sete anos. Duas décadas depois, Petra, já atriz, embarca para Nova York atrás da irmã. Em sua busca, Petra apenas tem algumas pistas, como cartas, diários e filmes caseiros. Ela acaba percorrendo os passos da irmã até encontrá-la em um lugar inesperado.

Ficha técnica

Título OriginalElena
Duração: 82 minutos
Lançamento: 10 de maio de 2013
Distribuidora: Espaço Filmes
Dirigido por: Petra Costa
Classificação: 12 anos
Gênero: Documentário
País de Origem: Brasil

Sinopse: AdoroCinema.

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Por Guilherme Schanner – Fala! Mack

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