De breu a bicho-papão: o medo do escuro é mais antigo do que se imagina
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De breu a bicho-papão: o medo do escuro é mais antigo do que se imagina

De breu a bicho-papão: o medo do escuro é mais antigo do que se imagina

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Ao apagar as luzes, os objetos ganham formas personificadas, as sombras nas paredes criam desenhos fantasmagóricos e qualquer som é proveniente de um universo paralelo que só se manifesta em modo noturno. Apesar de ser associado, na maioria das vezes, à infância, você sabia que o medo do escuro é uma característica hereditária e até “vantajosa”?

Foto: Reprodução.
O medo do escuro é mais antigo do que se imagina. | Foto: Reprodução.

A questão do medo

Ao longo do processo da evolução humana, a história do homem é marcada por muitas situações que visaram a sobrevivência para chegar até aqui. E ainda hoje, graças aos nossos sentidos fóbicos, como a visão e a audição, de uma forma instintiva, se estivermos em condição de perigo, seremos alertados através do que conhecemos como medo. 

Em um ambiente com pouca luminosidade, o olho humano apresenta baixa percepção visual, e a ausência de cores nas imagens formadas é resultado de uma visão escotópica. Agora, imagine só a vida dos nossos antepassados: imersos em terras ainda pouco conhecidas e exploradas, repletas de mistérios e “suspenses”, arriscarem-se na noite ou não? Eis a questão. Como resposta, aqueles que reconheceram a escuridão como um perigo tiveram chances maiores de sobrevivência em comparação àqueles que resolveram enfrentar o breu.

Portanto, o medo do escuro não é propriamente o medo de estar em um ambiente sem iluminação, e sim, como característica da nossa memória arcaica evolutiva, do que pode ser encontrado nele, ou seja, o desconhecido. Sendo assim, essa aflição é despertada nas crianças durante a fase de desenvolvimento dos medos, por volta dos três ou quatro anos de idade, e a imaginação fértil contribui para a criação de figuras monstruosas que vão de “bicho-papão” a personagens de filmes.

A tendência é que, ao longo dos anos, a aflição seja apenas um estado de alerta, porém, há casos em que o medo se estende pela vida adulta, e o que era uma “coisa simples”, transforma-se em fobia, a Nictofobia. Ao se encontrar em um ambiente completamente escuro, ocorre a manifestação de sintomas físicos e psicológicos, como a falta de ar e a aceleração dos batimentos cardíacos.

Como um estado de atenção, o medo é essencial para a nossa sobrevivência e, por isso, não deve ser banalizado, já que cada ser humano deve ter pelo menos um pouquinho dele em sua existência. Mas, a partir do momento em que o mesmo começa a afetar a vida pessoal e as relações, a ajuda de um profissional especializado e o acolhimento são fundamentais para entender as suas origens e como superá-lo. 

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Por Isabella Fonte de Carvalho – Fala! Cásper

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