Crônica: Colhendo estilhaços
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Crônica: Colhendo estilhaços

Crônica: Colhendo estilhaços

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Por Maria Luiza Priori – Fala! Mackenzie

Sou habituada a construir e estabelecer minhas barreiras, em outras palavras, minha zona de conforto. Um mecanismo voltado para nos preservarmos de sentimentos negativos, por isso ela é tão atrativa. O medo da dor e do que ela pode nos causar faz com que busquemos refúgios de proteção a qualquer custo, mesmo que fiquemos estagnados em uma situação indesejável por um longo período. Mas algo que ignoramos preciptadamente é que da mesma forma que a autoproteção é natural, passar pela dor também é.

Realmente, ninguém quer sofrer ou passar por dificuldades, mas o que seríamos de nós sem esses momentos?

É inevitável que iremos nos deparar com ocasiões negativas durante a vida, mas repelir sua aceitação acaba tornando-as intratáveis, impossibilitando que sigamos em frente, que concluamos um capítulo. Por mais angustiante que seja de ser enfrentada, a dor deveria ser abraçada e não temida.

Precisamos entender que sofrer faz parte da trajetória, cometer erros e lidar com decepções estão inclusos na experiência que é viver. Permitir que passemos por esses momentos de desconforto ajuda na nossa preparação para acontecimentos futuros, como trabalhos, oportunidades, relações, etc. Passa a ser um processo de fortalecimento, um aprendizado com as nossas próprias emoções. Nós crescemos com isso.

Não somos feitos apenas de satisfação e contentamento. Assim como somos formados por qualidades e defeitos, a vida também é. As dificuldades nos ensinam a persistir e nos mantermos de pé mesmo quando tudo ao nosso redor aparenta ser irreparável. Passar por angústias faz parte do processo de busca por quem realmente somos, com quem e onde queremos estar.

Todo mundo já sofreu. E se olharmos à volta, todo mundo já passou pelas mesmas coisas. Todo mundo já perdeu alguém. Todo mundo já foi reprovado. Todo mundo já teve o coração partido. Todo mundo já foi desapontado. Isso é a prova de toda tempestade tem um momento para acabar.

Entendendo que todos passam por situações similares constantemente, o fator capaz de mudar tudo é como tratamos do sofrimento e como deixamos que ele nos atinja. Negar a dor não fará ela desaparecer, só vai escondê-la da superfície. E nos momentos mais privados, quando dividimos o espaço apenas com nós mesmos, essas dores se tornarão mais claras que água e irão cair sobre nós com o peso de uma pedra.

A dor precisa ser aceita e, com o tempo, compreendida, ou então ela irá sempre retornar como um assunto pendente e mal resolvido. O medo de não ser forte o suficiente ou bom o bastante para suportar essas situações, faz com que passemos a nos enganar cegamente, numa idealização de que o indivíduo perfeito é aquele estável e pleno. Mas a verdade é que ser vulnerável não é um defeito, é o que nos torna vivos.

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