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Bacurau: O nordeste nu e cru

Bacurau: O nordeste nu e cru


Crítica sobre o filme Bacurau, e a importância do cinema para retomar a história de um povo

Bacurau, filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, já não é  despercebido. Seja por ganhar prêmio Júri no Festival de Cannes e participar de várias indicações em grandes eventos cinematográficos, seja pela repercussão positiva por falar a língua do povo Brasileiro. 

A língua do povo Brasileiro não diz respeito apenas por ser um filme nacional. É sobre reerguer um país que esquece de sua própria origem, que não tem orgulho de sua história. Ou como o próprio Kleber Mendonça define, “é sobre existir como brasileiro, sendo do Nordeste’. 

Bacurau nos mostra a história de uma pequena cidade com o nome do próprio longa. Cidade pequena, simples, mas que contém, como todo o Nordeste brasileiro, uma cultura enraizada e uma beleza natural característica.

 O filme tem seu primeiro conflito com a morte de Camelita, uma senhora de 94 anos moradora da pequena cidade. Os personagens em Bacurau tem uma singularidade ímpar. Conseguem passar o sentimento de união em momentos como a morte, na mesma intensidade que momentos de euforia em uma mesa de canto no bar. E essa é a grande sacada; Bacurau não é um filme que transmite sentimentos definidos. Bacurau é um filme que você consegue sentir na pele o que é a hipocrisia, o medo, a força ou o próprio amor. Quando menciono hipocrisia, logo remete aos principais “vilões” do filme. Longe de ser algo sobrenatural ou desconhecido, o vilão é apenas um político, aliado a alguns exploradores que desejam a pequena cidade por motivos capitais. Um político, que se diz defensor de direitos para os cidadãos, mas que, sem tanta surpresa, só olha para seu próprio umbigo inchado de calúnias e interesses.

 Já quando menciono o amor, em Bacurau vem como força. A força de ser nordestino, de lutar pelo próprio povo e valorizar a  própria história. O papel importantíssimo de Sonia Braga como Domingas, que traz a mulher como principal defensora, com a cabeça erguida para qualquer ajuda necessária na sua cidade, e a coragem de lutar pelo seu próprio povo.  

O filme vale pela luta, pela verdade e principalmente pela audácia de mostrar uma riqueza maior que qualquer pedaço de papel. A riqueza de ser Brasileiro.

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Por Eduarda Smilari – Fala! Mack

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