Conheça a primeira lenda da Fórmula 1: Juan Manuel Fangio
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Conheça a primeira lenda da Fórmula 1: Juan Manuel Fangio

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Retornando para a década de 50, uma instituição que se tornaria histórica surgia, e ao mesmo tempo, o seu primeiro grande personagem também. Na primeira década da Fórmula 1, um certo piloto argentino, já de idade mais avançada, dominou os primeiros anos da categoria, conquistando cinco títulos mundiais. O nome desta lenda hermana do automobilismo? Juan Manuel Fangio.

Juan Manuel Fangio, pentacampeão da Fórmula 1
Juan Manuel Fangio, pentacampeão da Fórmula 1. | Foto: Reprodução/BBC.

Juan Manuel Fangio: a primeira lenda da Fórmula 1

A história de Juan Manuel Fangio começa em 24 de junho de 1911, na cidade de Balcarce, Argentina. Desde pequeno, o jovem argentino possuía uma paixão pelos esportes. De início, o futebol era muito presente em sua vida, quando ganhou o apelido de “El Chueco”, por possuir uma certa qualidade com a bola no pé.

Porém, logo desenvolveu uma verdadeira paixão pela mecânica, e aos 13 anos, largou a escola para trabalhar em uma oficina. Entretanto, a carreira de jogador ainda era algo que Fangio tinha em mente, mas um problema pulmonar dificultaria a realização deste sonho.

Quando serviu o exército argentino aos 21 anos, chamou a atenção por sua habilidade atrás do volante, e foi nomeado o piloto oficial do seu comandante. Ao cumprir o serviço, ainda gostaria de seguir no futebol, e até recebeu um convite de um clube em Mar del Plata, juntamente com um amigo. Mas seus companheiros o aconselharam a focar em seu hobby de construir carros, o qual recebeu permissão dos pais para seguir este caminho.

A carreira de Juan Manuel no automobilismo começou com o mesmo correndo em eventos locais, em 1936, com os próprios carros que construía e reformava. Em pouco anos, passou a se destacar no cenário nacional, e se tornou campeão argentino em 1940 e 1941.

Juan Manuel Fangio no começo de sua carreira, no carro número 1
Juan Manuel Fangio no começo de sua carreira, no carro número 1. | Foto: Reprodução.

Após anos competindo na Argentina e em outros países sul-americanos como Brasil, Chile e Peru, Juan Manuel Fangio partiu para a Europa, buscando um novo desafio em sua carreira, tendo participado de seu primeiro Grande Prêmio em 1948, na cidade de Reims, na França.

Naquele período, retornou para a América do Sul, e em uma corrida no Peru, acabou saindo da pista e o seu copiloto, Daniel Urrutia, foi lançado para fora do carro e acabou falecendo. Este evento traumatizou Fangio, que quase se aposentou após a morte do companheiro. Porém, ele decidiu seguir em frente e retornar para a Europa, onde começaria a sua trajetória como o primeiro grande piloto da Fórmula 1.

No primeiro ano da categoria, Fangio correu pela Alfa Romeo, e saiu vencedor das três corridas que terminou, abandonando as outras por problemas mecânicos, permitindo que seu companheiro, Giuseppe Farina, ficasse com o título da primeira temporada da Fórmula 1.

Em 1951, voltou a ganhar três corridas (o calendário era bem mais curto que o atual e as corridas, muito mais longas), mas dessa vez, garantiu o primeiro título de sua carreira na principal categoria do automobilismo mundial. No ano seguinte, por mudanças no regulamento, a Alfa Romeo não teve um carro para competir, e o atual campeão ficou de fora naquela temporada.

Enquanto Fangio disputava uma corrida em Monza que não fazia parte da Fórmula 1, acabou se acidentando de maneira grave, sendo jogado para fora do veículo. Sofreu várias lesões, incluindo uma fratura no pescoço, e passou a sua recuperação na Argentina.

Juan se recuperou para a temporada de 1953, quando se juntou à Maseratti, e terminou a temporada na segunda colocação geral. Além da presença na Fórmula 1, Fangio seguia correndo em diversos outros eventos ao redor do mundo, sempre se destacando com o seu talento único, apesar da idade já avançada, quando começou a correr na Europa.

No ano seguinte, iniciou o ano pilotando pela Maseratti, mas se juntou à Mercedes quando a equipe alemã entrou na categoria no meio da temporada. Vencendo oito corridas de doze, Juan Manuel Fangio se tornou bicampeão da categoria, conquistando o segundo de seus cinco títulos mundiais.

Fangio pela Mercedes
Fangio pela Mercedes. | Foto: Reprodução.

Em 1955, tinha como companheiro de equipe a jovem sensação inglesa, Stirling Moss, continuando na Mercedes-Benz. Mas isso não importou para o veterano, que conquistou o tricampeonato da Fórmula 1, naquele que viria a ser o último ano da Mercedes na categoria por décadas.

Correndo agora pela Ferrari, apesar de ter uma relação difícil com Enzo Ferrari, dono e fundador da Scuderia, o quarto título veio para Fangio, representando a terceira equipe diferente em sua carreira na Fórmula 1.

No ano seguinte, 1957, retornou para a Maseratti, onde pilotaria o mesmo carro que usou na temporada de 1954. No Grande Prêmio da Alemanha daquele ano, realizou uma das pilotagens mais icônicas da história da categoria, a qual Fangio garantiu a vitória na corrida e o seu quinto e último título. Esta seria a última vitória de Juan Manuel Fangio.

Em 1958, a lenda argentina disputou a última temporada de sua carreira automobilística, após o Grande Prêmio da França. Terminou a sua passagem na Fórmula 1 com 29 pole positions e 24 vitórias em 52 corridas, sendo esta, até hoje, a maior porcentagem de vitórias da história da categoria, com 46,15%.

Juan Manuel Fangio conquistou cinco títulos na Fórmula 1
Juan Manuel Fangio conquistou cinco títulos na Fórmula 1. | Foto: Reprodução.

O fim da trajetória 

Fangio faleceu em 1995, aos 85 anos, com problemas nos rins e pneumonia, tendo entrado para o Hall da Fama do automobilismo alguns anos antes.

Após entrar para a Fórmula 1 com quase 40 anos, Juan Manuel Fangio superou o que deveria ser uma grande desvantagem, e trilhou seu caminho nas pistas para se tornar pentacampeão e o primeiro grande nome da categoria. 

Uma verdadeira história de superação, talento e paixão pela velocidade, que gera um comum e intrigante questionamento: o que Fangio poderia ter feito se a Fórmula 1 tivesse surgido mais cedo? Bem, as possibilidades deste exercício de imaginação são muitas, mas o fato é: mesmo que tenha corrido por apenas oito temporadas, Juan Manuel Fangio será eternamente lembrado como um dos maiores pilotos que já se sentaram atrás de um volante.

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Por Filipe Saochuck – Fala! PUC-SP

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