Como se encontra a preparação das Olimpíadas de Inverno?
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Como se encontra a preparação das Olimpíadas de Inverno?

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Em entrevista exclusiva, Edson Bindilatti conta como estão os preparativos para o evento. Em 2022, Pequim será a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Inverno e o atleta garante esforço máximo da equipe brasileira

As Olimpíadas de Inverno são uma cerimônia realizada a cada quatro anos, reunindo modalidades de esportes de inverno disputados no gelo e na neve, sendo um dos eventos máximos do Movimento Olímpico, ao lado dos Jogos Olímpicos de Verão. Ocorrendo desde de 1924, a competição só não aconteceu nos anos de 1940 e 1944 em função da Segunda Guerra Mundial.

Pequim 2022

Pela primeira vez na história, uma cidade vai sediar os Jogos Olímpicos de Inverno e de Verão. A capital chinesa foi escolhida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como sede dos Jogos de Inverno de 2022, batendo por apenas quatro votos a cidade de Almaty, no Cazaquistão, que somou 40 votos. As duas cidades têm algo em comum: a falta de neve. Por isso, as modalidades disputadas serão apenas em ginásios fechados, como patinação e hóquei.

A 24ª edição da competição, que será disputada entre os dias 4 de fevereiro até 20 do mesmo mês, tem um orçamento estimado em 3,8 bilhões de dólares, menos de um décimo do que foi investido (USD$43 bilhões) nos Jogos Olímpicos de Verão de 2008. Serão os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno da história a serem realizados em solo chinês.

Os organizadores dos Jogos anunciaram a finalização da construção do Centro de Treinamento de Esportes de Inverno, chamado “Jarra de Gelo”. As obras foram concluídas em três anos e as instalações incluem duas pistas de gelo em padrão internacional, usadas para patinação de velocidade em pista curta e curling.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, afirmou que os chineses “continuam indo muito bem”, mesmo com a pandemia do coronavírus, e mostrou-se fascinado com o senso de adaptação dos eventos chineses em relação ao público: “Eles apresentaram, pela primeira vez, um conceito muito inclusivo, estão permitindo a todas as pessoas participar destes jogos, realmente uma ideia excelente”.

Thomas Bach
Thomas Bach, presidente do COI, mostra o envelope com o nome da capital chinesa. | Foto: AFP.

Prezando cumprir todas as datas de entrega das estruturas para os Jogos, o vice-premier da China, Han Zheng, garantiu que as obras devem ser concluídas ainda em 2020. “Precisamos garantir que a construção de todos os locais de competição seja concluída até o final deste ano e esteja pronta para os eventos-teste”, disse Zheng, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.

A primeira Olimpíada de Inverno aconteceu na cidade francesa de Chamonix, em 1924, com a participação de 16 nações. Situação bem diferente da atual, em que participam, aproximadamente, 3 mil atletas de mais de 90 países que irão competir em 109 eventos e 15 modalidades, distribuídas em sete esportes, além de outros nove dias no mês de março, para a realização do evento Paraolímpico, que contará com, aproximadamente, 600 atletas em 80 eventos de seis esportes.

Brasil nas Olimpíadas

Mesmo com clima predominantemente tropical, o Brasil esteve presente em todas as edições da competição desde sua primeira aparição, em 1992 na França, onde disputou apenas provas de Esqui Alpino com 6 homens e 1 mulher, e vai para sua nona participação na competição. Na última Olimpíada, em 2018, 10 atletas representaram o país.

Apesar de muito treinamento e esforço por parte dos atletas, nenhuma medalha veio ainda para nosso território. Em 2022, há chances remotas de premiação, mas os atletas buscam superar o melhor resultado da história do Brasil – um nono lugar no Snowboard, com Isabel Clark, em Turim, 2006.

Entrevista exclusiva

“Os atletas em geral vêm trabalhando e alcançando resultados para a qualificação olímpica. Posso falar com propriedade dos atletas do gelo e eles estão treinando forte. As modalidades que têm chance de medalhas olímpicas são o Bobsled, Monobob, o Skeleton feminino e a Patinação Artística”, disse Edson Bindilatti, atleta brasileiro na equipe de Bobsled (descida de trenó) participante de 3 edições dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Jogos Olímpicos de Inverno
Edson Bindilatti, do bobsled, leva a bandeira do Brasil na cerimônia. | Foto: Quinn Rooney/Getty images.

Em entrevista exclusiva ao jornalista Gustavo Vasco, Edson contou a sensação de ser porta-bandeira da equipe brasileira na cerimônia de abertura das Olimpíadas 2018.

É fantástico. Todo atleta almeja jogos olímpicos e, quando você tem a oportunidade de ser convidado para ser porta-bandeira, é uma emoção gigantesca, faz todo o esforço e as dificuldades valerem a pena. Um momento único, saber que milhões de pessoas estão assistindo a você representar sua nação, levando a bandeira que é o símbolo máximo do seu país é de uma felicidade gigantesca.

Disse.

Pronto para sua quinta Olimpíada, Edson disse que, mesmo com a falta de estrutura necessária, os atletas se dedicam ao máximo para brigar de igual para igual com seus adversários. “A pista é feita de concreto e toda refrigerada, então, nessa época do ano e de preparação, a gente só treina a parte física, como força, velocidade e explosão muscular”. Porém, nem tudo são flores para os competidores brasileiros.

A discrepância na comparação da infraestrutura em relação aos estrangeiros é enorme. “Infelizmente, nossa Confederação e o Comitê Olímpico não vêm nos apoiando de forma considerável para que possamos nos preparar adequadamente para os Jogos Olímpicos. Estão deixando um pouco a desejar em relação ao investimento nos atletas de inverno, e isso é muito triste”, disse Edson.

Bobsled nos Jogos Olímpicos de Inverno
Equipe brasileira de Bobsled nos Jogos Olímpicos de Inverno 2018. | Foto: Abelardo Mendes Jr/rededoesporte.gov.br.

Mesmo com todas as dificuldades, o competidor destacou a força de vontade dos atletas e garantiu esforço máximo. “Minha preparação está totalmente focada na competição. A gente vai fazer a nossa parte nos treinamentos para que, assim que for preciso, estarmos prontos para embarcar”, disse Edson antes de deixar a torcida brasileira otimista para sua participação: “os momentos marcantes na minha carreira foram minha estreia em Jogos Olímpicos, em 2002, e ser porta-bandeira, em 2018. Quem sabe, em 2022, não vem o 3º momento e eu traga uma medalha para nosso país, a gente não desiste nunca”.

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Por Gustavo Vasco – Fala! Cásper

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