Como as redes sociais influenciam no desenvolvimento da depressão?
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Como as redes sociais influenciam no desenvolvimento da depressão?

Como as redes sociais influenciam no desenvolvimento da depressão?

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Antes de apontar qualquer malefício causado pelo uso indiscriminado das redes sociais, vale dizer que elas têm muitos pontos positivos. Além de conectar e aproximar pessoas, elas permitem a troca de experiências, o compartilhamento de dicas e informações, possibilitam a formação de uma rede de apoio, a construção de uma comunidade e oferecem um espaço para a expressão de ideias. 

Mas como nem tudo são flores, as redes sociais também podem prejudicar a saúde mental de seus usuários. Para entender como elas afetam-nos, a instituição de saúde pública do Reino Unido, Royal Society for Public Health (RSPH), realizou uma pesquisa em 2017 e comprovou o ponto acima. 

O estudo revela que as taxas de ansiedade e depressão entre jovens de 14 a 24 anos aumentaram 70% nos últimos 25 anos. O Instagram foi apontado como a rede social mais propensa a provocar esses transtornos, além da má qualidade do sono e a insatisfação com o próprio corpo nos jovens. O descontentamento com a autoimagem, que acontece com nove a cada dez meninas, tem relação direta com a preocupação exacerbada da sociedade com a aparência física.

redes sociais
As redes sociais podem influenciar no desenvolvimento da depressão. | Foto: iStock.
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Para o psicólogo Diego Falco, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental, as comparações são inevitáveis. “Uma certa comparação é até saudável para te manter vivo e direcionado para melhorar de vida. O problema das redes é que a maioria das coisas que vemos é irreal e com isso cria uma comparação injusta que mais nos paralisa do que estimula”, afirma.

O que precisamos fazer é: 1) Entender que a “perfeição” do outro é irreal; 2) Saber quem realmente queremos ser; 3) Reconhecer e aceitar nossos limites e; 4) Fazer o possível (saudavelmente) para chegarmos onde queremos.

Depressão pelo uso inconsciente das redes sociais

​Uma pesquisa da University College London apontou que 38% dos adolescentes que passam mais de cinco horas por dia nas contas virtuais mostraram sinais de depressão mais grave do que os que checam menos os aplicativos. Inversamente, usar redes sociais por menos tempo leva a reduções significativas tanto de depressão quanto de solidão. Diego explica:

Quando pensamos no tratamento da Depressão, uma das frentes de trabalho envolve a Ativação Comportamental. Nela, estimulamos o indivíduo a sair para a vida, a tomar mais responsabilidades e desenvolver um maior senso de capacidade. Falando então simplesmente do tempo gasto com as redes sociais, o indivíduo pode não se sentir estimulado para tomar novas responsabilidades e de se expor socialmente.

O comportamento de “fuga” para as redes sociais pode ser mais fácil de acontecer por conta da falta de prazer que o indivíduo depressivo, normalmente, apresenta por outras atividades.

dependência das redes sociais
Muitos usuários são dependentes das redes sociais. | Foto: Reprodução.

Ao ser identificado um uso excessivo das redes sociais por parte das crianças e dos adolescentes, “os pais devem sentar com os filhos e decidir junto com eles uma quantidade de horas adequada que não atrapalhe as outras áreas da vida. Uma dica é avaliar se as responsabilidades estão sendo feitas, se há uma interação social/familiar adequada, se há uma boa frequência de atividades físicas, etc. Muito importante também que quando essas outras coisas estiverem acontecendo, o celular seja colocado de lado”, ressalta.

Segundo a psicóloga Carla Cavalheiro, colaboradora do Programa para Dependentes de Internet do IPq-HC-FMUSP, 3 horas por dia é o tempo máximo que alguém deve ficar em contato com as redes. Depois disso, elas passam a ser prejudiciais para o autoconceito, para a autoimagem, para a questão da ansiedade e para o humor da pessoa.

Tanto Diego quanto Carla orientam criar uma rotina, tendo intervalos fixos para olhar no celular. Para que seja feito um detox digital, “atividades sociais e que trazem um senso de conquista, de estar andando para frente na vida são as melhores atividades para que você não precise das redes. Essas atividades incluem montar um plano para sua vida profissional, estudar algo que gosta ou que atiça sua curiosidade, colocar em prática projetos etc.”, explica Diego.

Conclusão

Em resumo, não se sabe ao certo se o uso excessivo das redes sociais pode causar sintomas depressivos ou se quem tem tendência à depressão usa mais esses aplicativos, mas a certeza que se tem é que quanto maior a dependência das redes sociais, maior a instabilidade emocional. “A depressão é uma comorbidade do uso excessivo das redes sociais, dos jogos on-line, de qualquer uso inadequado que você faça da tecnologia. Mas tem aquela questão ainda: ‘Quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?’”, questiona a psicóloga Carla.

Muitas vezes, a depressão leva também algumas pessoas a estarem nas redes sociais e lá se sentirem aceitas, queridas e bonitas, e isso, de certa forma, dá uma falsa sensação de que ela está regulando o humor, porque a depressão faz parte dos Transtornos de Humor. Então sim, tem uma relação de comorbidade, mas muitas vezes também acontece de a depressão aparecer depois de um uso excessivo, principalmente, das redes sociais, por conta daquele fenômeno que a gente chama de Sociedade do Espetáculo, que é onde está todo mundo bem, todo mundo bem arrumado, tendo as melhores experiência. Consequentemente, ela tende a causar mais depressão, mais tristeza, e a autoimagem das pessoas tende a ficar mais enviesada, já que ‘todo mundo está feliz na rede e eu não’.

Complementa.

No final da pesquisa realizada pelo RSPH, foi perguntado aos jovens quais medidas poderiam ser tomadas para amenizar os impactos negativos das redes. Eles sugeriram que as redes sociais mostrem quando uma foto foi adulterada; que hajam avisos de pop-up quando o jovem estiver usando demais as redes sociais e plataformas de apoio para que, assim que identificados possíveis problemas mentais, ofereçam a ajuda necessária para evitar tais sofrimentos. 

Mas, enquanto isso não acontece, o equilíbrio continua sendo a chave.

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Por Natália Tavares Leite Vieira – Fala! Cásper

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