Como a arte foi impactada pela pandemia do novo coronavírus?
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Como a arte foi impactada pela pandemia do novo coronavírus?

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Com museus, galerias, cinemas, teatros e outros aparelhos culturais fechados por conta da pandemia de Covid-19, o setor artístico vem sofrendo grandes perdas financeiras. Considerando um cenário que já não era animador, com cortes de verba nas políticas públicas de fomento à cultura, muitos artistas veem um futuro desesperador se nada for feito. 

No entanto, a pandemia e o isolamento social podem representar um renascer da arte. Quase como uma fênix ressurgindo das cinzas, vários artistas têm se empenhado em continuar produzindo. Agora, as redes sociais têm um papel crucial na propagação e compartilhamento de obras, ocupando, neste momento, o local dos antigos equipamentos fechados.

A popularização das lives

O primeiro efeito, quase que instantâneo, da pandemia foi o aumento do número de lives. Com o ínicio das restrições sociais, já não se podia encher casas de show ou estádios, a solução encontrada por muitos artistas, em especial os do mundo musical, foi transmitir ao vivo suas apresentações pela Internet. A estratégia, ao que parece, deu muito certo. Artistas como Marília Mendonça, Gusttavo Lima e Jorge & Mateus alcançaram um número de visualizações na casa dos milhões.

Ainda não é certo se o advento das lives veio para ficar ou se será lembrado apenas como um símbolo do momento atual. Mas é evidente que as transmissões ao vivo representam uma oportunidade única e inovadora para a indústria da música e seus patrocinadores alcançarem o público.

O Covid Art Musuem, o museu da pandemia

Uma iniciativa super interessante criada pelo trio de publicitários espanhóis Emma Calvo, Irene Llorca e José Guerrero, que visa compartilhar trabalhos artísticos que refletem o momento atual. O museu digital já tem mais de 119 mil seguidores no Instagram e reúne pinturas, fotografias, colagens e outros tipos de artes visuais de artistas de todo o mundo.

A iniciativa surge como uma forma de registrar o impacto da crise sanitária global nas artes visuais e no modo de produzir dos artistas. Qualquer artista pode submeter suas obras ao acervo do CAM, entretanto, deve cumprir o principal critério: fazer algum tipo de referência, reflexão ou crítica ao momento atual.

A reinvenção dos equipamentos convencionais

Apesar do surgimento de novas formas de expor trabalhos artísticos e a popularidade que estes novos meios ganharam em meio ao isolamento social, os equipamentos convencionais (museus e galerias físicas) vêm tentando se adaptar a este novo universo.

MASP – Museu de Arte de São Paulo

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em casa João Batista Castagneto (1851-1900) nasceu em Gênova, na Itália, como Giovanni Battista Felice Castagneto. Seguiu a profissão de marinheiro do pai, e em 1874 viajou com ele para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu. Apesar do grau de instrução bastante precário, estudou com Victor Meirelles (1832-1903) e Georg Grimm (1846-1887) na Academia Imperial de Belas Artes, onde ingressou em 1876 como ouvinte, burlando a regra da idade máxima para inscrição na escola. Referia-se a si mesmo como um mero ‘pintor de botes’, pintando paisagens marinhas. Suas pinturas eram feitas pelo empastamento da tinta óleo espalhada de forma ágil em largas pinceladas, em telas ou suportes rígidos, frequentemente tampas de caixas de charuto. Essa produção representou uma atitude renovadora na pintura brasileira, introduzindo uma paisagem mais sensível, intuitiva e moderna. Castagneto, o boêmio pintor do mar, vivia numa casa que se assemelhava a um barco na antiga Praia de Santa Luzia, no Centro do Rio de Janeiro. Foi nos últimos dez anos de sua vida que executou as mais potentes marinhas, mediante um sutil e delicado tratamento pictórico, marcado também por precisos e violentos gestos. O MASP possui três obras do artista, entre elas ‘Uma salva em dia de grande gala na baía do Rio de Janeiro’, umas de suas pinturas mais icônicas. A tela foi centro de uma polêmica que marcou a relação conturbada de Castagneto com a Academia. Trata-se de um ambicioso projeto, a única grande marinha histórica por ele produzida, o que não o livrou, porém, de ter seu ingresso recusado na coleção da Escola Nacional de Belas Artes, por desrespeitar os valores difundidos pelos acadêmicos. João Baptista Castagneto 1-3. 'Uma salva em dia de grande gala na Baía do Rio de Janeiro', 1887, doação Mário de Oliveira, 1949 4. ‘Paisagem com rio e barco ao seco em São Paulo (Ponte Grande)’, 1895, doação Assis Chateaubriand 5. ‘Marinha com barco’, 1885, doação Assis Chateaubriand, 1947 #maspemcasa #castagneto #acervomasp #acervoemtransformação

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Um bom exemplo de reinvenção durante a pandemia é o do Masp, que, desde o começo de abril, se empenhou em atingir o público digital. Com as portas fechadas, o museu investiu nas mídias sociais para continuar levando arte ao público.

O perfil do MASP no Instagram, que hoje conta com mais 515 mil seguidores, foi um dos veículos escolhidos nessa “digitalização” do museu, sendo usado na transmissão ao vivo de conversas e discussões entre os curadores do museu e outros especialistas em arte. 

A arte popular e a pandemia

Os artistas populares foram, sem sombra de dúvidas, umas das categorias mais afetadas com o avanço do novo coronavírus. Considerando que estes não compartilham, muitas das vezes, das mesmas redes de apoio (seja governamental ou do setor privado) que outras classes de artistas.

Um bom exemplo disto é o cancelamento do São João no Nordeste. A festa popular representa uma fonte de renda muito interessante para os artistas da região, nesse período, costuma ocorrer um busca maior por sanfoneiros, cordelistas, grupos de forró e entre outros artistas. Como não irá ocorrer festividades comemorativas de grandes proporções, em geral, as financiadas pelos governos municipais, muitos destes profissionais se veem em uma situação difícil.

É necessária uma ação conjunta dos setores público e privado a fim de promover algum tipo segurança financeira aos artistas, em especial os que não contam com grandes patrocinadores. Essa é a única maneira de passarmos por este período sem comprometer uma geração de trabalhos artísticos.

A arte precisa ser considerada como um importante vetor de propagação de reflexões e críticas sociais, além, é claro, de ser um mercado que movimenta milhões anualmente. Tendo em vista esses aspectos, sacrificar artistas, hoje, pode representar um déficit artístico e uma queda na arrecadação do setor no futuro. Também não podemos excluir da problemática a necessidade de trazer a arte para os meios digitais, questão esta que deve fazer parte das discussões sobre arte mesmo após o término da pandemia.

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Por Jefferson Ricardo – Fala! UFPE

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