Civilização maia: Conheça a base de nossa história
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Civilização maia: Conheça a base de nossa história

Civilização maia: Conheça a base de nossa história

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Recentemente, foi descoberta no México a maior e mais antiga estrutura da civilização maia, uma plataforma elevada retangular colossal construída entre 1.000 e 800 a.C. no estado mexicano de Tabasco. Para entender a importância do monumento, é necessário conhecer a história da civilização maia, uma das mais antigas e relevantes da história que, junto aos astecas, formou um dos mais populares grupos da Mesoamérica pré-colombiana.

Os maias existem até hoje e, mesmo sendo um grupo limitado e pequeno, conseguem manter as suas tradições, como idioma, religião e escrita. Muitas línguas maias continuam a ser faladas como linguagem primária ainda hoje. O Rabinal Achí, uma obra literária na língua achi, foi declarada uma obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 2005. 

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Os maias foram responsáveis por diversas construções históricas. | Foto: Reprodução.

História da civilização maia

A civilização esteve presente na América Central entre 2.600 a.C e 1697. Os primeiros assentamentos, claramente maias, foram estabelecidos por volta de 1800 a.C. na região de Soconusco, na costa do Pacífico. Com o crescimento da população, foi ocupado desde o sul do México até regiões da América Central, hoje, conhecidas como Guatemala, El Salvador, Honduras e Belize.

A área dos maias é geralmente dividida em três zonas vagamente definidas: as terras altas do sul maia, a Depressão Central e as planícies do norte. Nesse contexto, os maias se adaptaram a uma série de ambientes diferentes: savanas, florestas pluviais, planaltos semiáridos e pântanos.

Os locais da natureza eram sagrados. As cavernas, por exemplo, eram enxergadas como portas para o mundo sobrenatural e eram lugares nos quais uma série de rituais eram realizados. O povo maia acreditava que os acontecimentos do mundo natural eram regidos por forças espirituais e pelo poder dos ancestrais. Assim, eram politeístas. 

A religião maia era baseada na contagem cíclica natural do tempo. Para eles, a interpretação dos ciclos podia revelar o futuro. Dentro dessa visão, possuíam um sistema duplo de calendário em que um era composto por 365 dias, chamado Haab, e outro era composto por 260, chamado de Tzolkin. Além disso, acreditavam que a Terra era plana e que ela possuía quatro direções sagradas, cada qual possuindo uma cor respectiva. Utilizavam de desenhos de animais para representarem suas ideias filosóficas e outras áreas do conhecimento, como a Astronomia.

Além do consumo de substâncias alucinógenas, as cerimônias religiosas dos maias também eram marcadas pelos sacrifícios, tanto de animais quanto de seres humanos. Os sacrifícios humanos tinham uma importante função na política maia, já que as milícias do rei para aprisionar guerreiros de cidades vizinhas e sacrificá-los visavam, principalmente, guerreiros de alto nível e governantes. Isso se dava, pois, capturar guerreiros conhecidos de outras cidades, trazia grande prestígio para o rei responsável pela captura. 

As guerras maias aconteciam porque determinadas cidades sempre tentavam impor seu domínio sobre as cidades vizinhas. Ao longo da história maia, algumas cidades conseguiram certa hierarquia regional. A cidade de Chichen Itzá, por exemplo, é apontada por alguns historiadores como uma cidade de cultura mista de toltecas e maias.

A sociedade maia era dividida em grupos sociais muito bem definidos, cada qual com funções distintas. O maior deles era dos camponeses, responsáveis pela agricultura e pelo abastecimento de suas cidades. A elite se responsabilizava pela administração das cidades-estado e pelas funções religiosas. A autoridade máxima e topo da pirâmide social maia era o rei de cada cidade, chamado de ajaw e era tido pelos súditos como uma manifestação dos deuses. O poder real era transmitido de maneira patrilinear, isto é, seguia a linhagem do pai. Apesar disso, o trono poderia ser ocupado por uma mulher nas seguintes situações: quando o rei nomeado não tivesse a idade suficiente ou se estivesse lutando na guerra.

A organização política maia era baseada na ideia de cidades-estado, cada cidade era uma entidade administrativa, com autoridades próprias e fronteiras que eram estabelecidas pelos limites da própria cidade. Assim, os maias não eram um “país”, mas pequenas comunidades independentes que trocavam conhecimentos e interagiam comercialmente sempre que necessário. 

A base econômica dos maias era a agricultura, principalmente o milho, e sua prática ocorria com a ajuda da irrigação, utilizando técnicas rudimentares e itinerantes, o que contribuiu para a destruição de florestas tropicais nas regiões onde habitavam. Dada a forma com que era realizado o cultivo, a produção se mantinha por apenas dois ou três anos consecutivos e, com o desgaste certo do solo, o agricultor era obrigado a procurar novas terras. Como unidade de troca, utilizavam sementes de cacau e sinetas de cobre, material que empregavam também para trabalhos ornamentais, ao lado do ouro, da prata, do jade, das conchas do mar e das plumas coloridas. Entretanto, desconheciam as ferramentas metálicas.

A arquitetura maia é marcada por gigantescas pirâmides escalonadas, erguidas para fins religiosos, por praças amplas e palácios extensos. O palácio em Cancuén é o maior em área feito pelos maias, mas o sítio arqueológico não tem pirâmides. O interior das construções sempre foi muito simples, abrindo mão da beleza para priorizar o funcional. Porém, por fora, era grandioso e belo. Tudo era feito com trabalho braçal, sem tecnologia e ferramentas especiais. Uma prova da grande habilidade dos mais em construir é que cidade de Chichén Itzá, no México, fundada por volta do ano de 450 a.C., é considerada uma das 7 maravilhas do mundo moderno.

O sistema de escrita dos maias, o mais avançado das civilizações mesoamericanas, representava com exatidão a língua falada, sendo tão eficiente quanto os idiomas do Velho Mundo. A composição escrita hieroglífica envolve símbolos fonéticos e ideogramas originais. Além disso, eles escreveram livros, mas a maioria deles foi queimada durante a invasão dos espanhóis. Poucas obras restaram, porém, elas podem ser lidas, pois foram traduzidas.

Os maias também desenvolveram, independentemente, o conceito do zero e conseguiram fazer equações com somas de até centenas de milhões. Isso possibilitou observações astronômicas e a criação do famoso calendário maia, que é bem parecido com o utilizado atualmente.

Início da decadência maia

Durante o auge da civilização, entre 250 d.C. e 900 d.C, a população maia chegava a milhões. Entretanto, logo após esse período, os historiadores apontam o início da decadência que levou ao desaparecimento dela. Os motivos ainda são estudados pelos historiadores, que apontam atualmente como principais causas: a falta de alimentos resultante da superpopulação e do esgotamento da terra, desastres naturais, doenças, guerras e, principalmente, dois momentos de grande seca. 

Durante o enfraquecimento da civilização maia, alguns locais perderam, de maneira drástica, um grande número de habitantes. Essas pessoas mudaram-se para outros locais da Mesoamérica em busca de melhores condições para viver. Com isso, grande parte das cidades maias foram abandonadas e, quando os europeus chegaram à Mesoamérica, encontraram essas cidades total ou parcialmente vazias. 

Mesmo com o seu fim, a civilização maia ainda é estudada e lembrada pelo patrimônio histórico-cultural deixado. Com a descoberta do monumento, novas teorias acerca da hierarquia estabelecida no período, e das grandes construções maias surgiram, como a possibilidade de uma sociedade maia mais igualitária e livre em seu estágio inicial.

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Por Maria Cunha – Fala! Cásper

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