"Baby Boom": Uma possível consequência da pandemia?
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“Baby Boom”: Uma possível consequência da pandemia?

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É possível um próximo baby boom por conta do isolamento? Os exemplos de outras pandemias mundiais, como a gripe espanhola, e as guerras são fatores na história da humanidade que permitiram o avanço da taxa de natalidade – ou seja, percentagem de nascimentos ocorridos em determinado período de tempo – e fazem o questionamento ser mais válido no momento da pandemia do novo coronavírus. 

O fenômeno denominado baby boom é definido por uma explosão demográfica, em que o nascimento de indivíduos aumenta consideravelmente. Esse efeito é uma hipótese válida no cenário atual do isolamento feito para o combate da disseminação da Covid-19, ao permitir um maior contato entre os casais e uma demanda significante de tempo ócio.

Contudo, analisando o déficit econômico mundial, as percas de milhares de vidas e o desemprego, a ideia de ter um filho em meio a uma crise da saúde, econômica e política é deixada de lado. O não favorecimento do quadro global evita o aumento dos dados de nascimentos.

Além disso, novos meios de entretenimento, como a TV e a Internet, os quais mudaram os hábitos da humanidade, e as descobertas de novos métodos contraceptivos são fatores de relevância para a redução da taxa de natalidade, essa que decresce cada vez mais com o passar do tempo pela tendência, também, da independência feminina e do planejamento familiar, que contribuem para a baixa da fecundidade, como o exemplo das mulheres brasileiras, que segundo dados do IBGE, têm a taxa de fecundidade de 1,68 filho por mulher. 

efeito baby boom do coronavírus
O baby boom pode ser uma realidade após a pandemia? | Foto: Reprodução.

Baby boom pode ser uma realidade em países de renda média ou baixa

Porém, se a perspectiva se focar em países pouco desenvolvidos e de limitados recursos para a saúde, o resultado pode mudar. Segundo o jornal El País, o Fundo Populacional da ONU (UNFPA), estima que 47 milhões de mulheres não terão o acesso aos métodos e serviços de planejamento da família e cerca de 7 milhões de gravidez indesejadas serão presenciadas em 114 países de renda baixa ou média, por conta da atenção dada aos pacientes da Covid-19. 

A pesquisa realizada pela UNFPA, junto a Advir Health, da Universidade de John Hopkins (Estados Unidos) e da Universidade de Victoria (Austrália), analisa que a cada trimestre, do qual houver a impossibilidade do acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, haverá umas estimativa de 2 milhões de mulheres a mais que deixarão de usar anticoncepcionais modernos. Nessa visão, a preocupação com a gravidez indesejada é uma consequência indireta do novo coronavírus em que a hipótese da explosão demográfica pode se tornar uma realidade para os países de renda baixa ou média.

Há também o momento pós-pandemia, em que a especulação de um aumento da taxa de natalidade pode ser levantada pelo reencontro dos companheiros. Todavia, a tendência da redução da fecundidade já é uma realidade para o Brasil, logo, com a crise socioeconômica profunda, que provavelmente será enfrentada também pelo mundo por causa da Covid-19, é um fator que ainda desestimula muitos casais a terem filhos.

Mas, não se pode esquecer a possibilidade do aumento dos nascimentos nas áreas periféricas brasileiras, já que, as pessoas, as quais ali moram, pouco têm o acesso aos métodos contraceptivos, principalmente em meio à pandemia, em que por medo da contaminação e a sobrecarga do sistema de saúde público por causa da doença, os indivíduos não vão para os postos de saúde adquirir os preservativos. Mesmo com essa triste realidade, as consequências ainda não seriam suficientes para causar o efeito baby boom no cenário demográfico brasileiro. 

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Por Amanda Marques – Fala! UFPE

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