As marcas deixadas pela polícia nas favelas cariocas
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As marcas deixadas pela polícia nas favelas cariocas

As marcas deixadas pela polícia nas favelas cariocas

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O processo de “pacificação” das comunidades do Rio de Janeiro tiveram início no ano de 2008. Foi um projeto elaborado pela secretaria do estado de segurança que visava controlar territórios antes guiados por grandes comandos do tráfico de drogas. O principal fundamento seria apaziguar os confrontos gerados e aproximar a população residente nas comunidades da polícia militar. Nos primeiros três anos de pacificação, 18 comunidades foram tomadas, sendo elas:

  1. Santa Marta
  2. Cidade de Deus
  3. Batam
  4. Chapéu Mangueira
  5. Cantagalo
  6. Tabajaras
  7. Providência
  8. Borel
  9. Formiga
  10. Andaraí
  11. Salgueiro
  12. Turano
  13. Macacos
  14. São João
  15. Coroa
  16. Prazeres
  17. São Carlos
  18. Mangueira
favelas
Entenda as marcas deixadas pela polícia nas favelas cariocas. | Foto: Reprodução.

A realidade dos confrontos nas favelas

No livro reportagem de Caco Barcellos, O Abusado, o jornalista faz uma análise documental do morro Dona Marta, demonstrando claramente as intervenções policiais que aconteciam desde os anos 80, bem antes dos projetos de pacificação. É nítida a violência derivada desses confrontos, diversas pessoas, incluindo jovens, tiverem suas vidas  ceifadas devido às ações policiais em resposta aos atos, incluindo uma vasta gama de inocentes que não estavam inclusos diretamente nos confrontos. 

E é fato que tal ocorrência perdura até os dias de hoje, já que tanto esses casos citados na obra, como muitos dos dias atuais, são abafados pela mídia.

Confrontos como estes deixam sequelas profundas nas áreas periféricas. De acordo com o portal R7, em agosto de 2019, em 5 dias, houveram 6 jovens mortos vítimas de bala perdida no RJ. É uma escala preocupante que nunca tem fim. É corriqueiro encontrar manchetes nos grandes noticiários como esta, sem contar os que muitas vezes nem são divulgados.

Nas últimas semanas, um caso chocou o Brasil. Um adolescente, cujo não detinha nenhum envolvimento com qualquer delito, desapareceu em ação policial e foi encontrado morto dias depois.

O menino João Pedro brincava no seu quintal de casa quando foi atingindo por tiros disparados por policiais. Foi levado, sem o conhecimento da família, por um helicóptero da própria polícia civil. Ele tinha somente 14 anos. Seus parentes, do bairro de São Gonçalo, não haviam informação nenhuma sobre o que havia acontecido ou o estado de saúde do garoto. O corpo do jovem foi reconhecido pela família no IML no dia 19 de maio.

Esse é somente um dentre centenas de casos que seguem a mesma trajetória. E, infelizmente, é certo afirmar  que está longe de ser o último. Decerto, há algum déficit na forma de atuação das forças armadas dentro das comunidades. O que foi feito com João Pedro é inadmissível. Não é o jeito correto de proceder em uma situação como esta.

No ano de 2019, na zona oeste do Rio, 80 tiros foram disparados contra um carro de uma família que estava indo para um chá de bebê em uma manhã de domingo. Não houve justificativa. Era uma família negra, sem precedentes criminais. O motorista era um homem de 51 anos, segurança e músico. Foi baleado na frente de toda a sua família. O exército afirmou que os 80 tiros foram feitos por engano.

Não foi um engano. É uma violência velada e direcionada a quem nem teve chance de defesa. São estudantes que morrem todos os dias. Jovens cheios de sonhos que não devem ter seu sangue escorrido por conta de ações estatais. Essa violência institucionalizada já é raiz na sociedade. É a vida na periferia correndo sérios riscos, e são sequelas que marcarão para sempre.

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Por Izabella Giannola – Fala! Cásper

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