A longa disputa entre China e Índia no Himalaia - Entenda tudo aqui!
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A longa disputa entre China e Índia no Himalaia – Entenda tudo aqui!

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No último dia 15, tropas chinesas e indianas se enfrentaram na fronteira do vale do Galdwan, uma área disputada de Ladakn, na região do Himalaia. Soldados das duas potências entraram em conflito com paus e pedras, evitando o uso de armas de fogo, e ambos os lados tiveram baixas, sendo 20 do lado indiano e 43 do lado chinês.

Desde o começo de 2020 as tensões têm aumentado na região, com ambas as partes se enfrentando. Em maio, os chineses invadiram o território indiano delimitado pela Linha de Controle Real (Line of Actual Control, LAC), em razão de uma suposta atividade diferente do patrulhamento normal indiano na região.

No dia 23, ambas as partes concordaram em reduzir as tensões na região. O porta voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, disse: “Os dois lados estão dispostos a tomar as medidas necessárias para que ocorra uma redução da situação”. Imagens de satélite indicam, porém, que a China parece ter continuado uma construção na área disputada.

Esse é o pior conflito entre os dois países desde 1975, quando quatro indianos foram mortos a tiros. Porém, essa disputa apresenta muito mais história.

disputa entre China e Índia
Exército chinês na fronteira com a Índia no Himalaia. | Foto: Reuters.

Questão Histórica

A questão fronteiriça vem de muito antes da formação dos estados nacionais indiano e chinês. Em 1914, um acordo travado entre as autoridades coloniais britânicas e o Tibete definiu a Linha McMahon – que recebeu o nome do chefe da negociação, Henry McMahon, diplomata do exército britânico-indiano. A China, mesmo estando presente na conferência que definiu a linha, não assinou o tratado e não reconheceu a demarcação da fronteira na reunião.

Linha McMahon
Linha McMahon. | Foto: Reprodução.

Em 1962, chineses invadiram o território indiano através da linha de McMahon, após uma série de negativas indianas em relação a acordos diplomáticos propostos pela China, iniciando a chamada Guerra Sino-Indiana (20 de outubro de 1962 –21 de novembro de 1962).

Ao final do conflito, foi definida uma nova fronteira, a LAC. Os dois países mantiveram suas posições armadas nessa linha, que até hoje não é muito bem definida, principalmente por estar em um terreno tão tortuoso quanto o do Himalaia e não ter sido definitivamente acordada entre os dois países.

Ladakn é disputada por China e Índia
Ladakn é disputada por China e Índia. | Foto: SCMP Infografia: Chantal Wagner/Gazeta do Povo.

Esses avanços nas fronteiras vêm acontecendo desde 2013, como já descrito, uma escalada das tensões vem acontecendo desde maio deste ano.

Interesses e Geopolítica

A disputa em uma fronteira de 4056 km vai muito além do confronto entre tropas. Além de ser muito difícil de ser delimitada, muitos interesses passam por meio dessas intrincadas passagens no meio do Himalaia.

O grande número de construções de infraestruturas militares na fronteira nos últimos anos, também pode ser um dos motivos, assim como a preocupação chinesa com a construção de estradas ao longo da LAC. A China, por outro lado, prevê a construção de uma parte do seu projeto de construção da nova rota da seda, que passa pela região, resultando em maiores preocupações.

A questão geopolítica também vem como um fator importante, na medida que não podemos estudar as políticas globais sem pensarmos em China e Índia. Mesmo que as duas potências participem de diversos grupos em conjunto, como o BRICS e o Pacto de Shangai – grupo que prevê a cooperação mútua entre seus integrantes para segurança, economia e cultura, teoricamente servindo de mediadora para conflitos como esse -, as nações têm interesses conflitantes.

A Índia vê com desconfiança a aproximação da China com o Paquistão, país que também tem áreas de conflito com os indianos, em especial na região da Caxemira. Aliás, os dois países se tornaram competidores no mercado de armas internacional, enquanto a Índia vem melhorando suas relações com os Estados Unidos, atualmente um rival da China. Também podemos citar a questão de que os indianos são uma potência nuclear e militar.

A questão não se resume ao confronto do dia 15. Essas relações conflituosas são milenares, de muito antes da formação dos dois países, em 1947 (Índia) e 1949 (China). O problema vai continuar a ser parte importante da geopolítica mundial, um reflexo dessas relações complicadas entre duas potências seculares.

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Por Isabela Novelli Maciel – Fala! Cásper

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