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A influência da colonização sob a cultura sul-americana

Quando falamos em colonização, pensamos em algo distante de nós. Já que teve início com o fim do feudalismo, na primeira metade do século XVI, com Portugal sendo pioneiro dessa prática. Contudo, a política do colonialismo não está tão longe assim, uma vez que o objetivo é exercer o controle sobre um território, influenciando na organização social daquele espaço. A invasão, principalmente dos espanhóis e portugueses, sob a América do Sul teve grande influência na construção cultural dessas sociedades.

Pensando nisso, apresentamos as principais influências da colonização sob a cultura sul-americana.

A colonização impactou a cultura sul-americana e essa inflência é percebida até hoje.
A colonização impactou a cultura sul-americana e essa inflência é percebida até hoje. | Foto: Reprodução.

A influência da colonização na América do Sul

No Brasil, houve um momento que existiram duas línguas gerais que eram praticadas no território brasileiro durante a colonização. Uma era utilizada no sul do país, durante a expansão dos bandeirantes, e a outra, a Nheengatu, era falada na região da Amazônia. Existem alguns falantes desse dialeto, no Brasil, na Colômbia e na Venezuela. 

A escritora mixe e linguista Yásnaya Elena Aguiar, em entrevista ao El País, comenta sobre o processo de homogeneização cultural, na época da independência do México, em 1810, mais de 60% da população falava uma língua indígena, porém o índice diminui para menos de 7% nos dias atuais. “São línguas de povos que sofreram colonização, mas não formaram um Estado próprio”, comenta a escritora. 

Assim, a forma de comunicação, essa grande identidade, foi a mais influenciada pelos colonizadores, uma vez que muitos dos idiomas indígenas têm menos de cem falantes ou então foram praticamente extintos. Segundo o Atlas, existem 122 idiomas com cem falantes ou menos na América do Sul, os mais falados são o Quíchua, Guarani e Aimará. 

Além disso, a colonização influenciou também na nossa maneira de enxergar o que é belo, não só na aparência mas nas vestimentas também. O padrão de beleza sempre foi considerado o padrão europeu: branco, olhos claros e cabelos loiros, do qual se perpetua até hoje. As pessoas que possuem uma aparência mais distante do padrão, poucas vezes são consideradas bonitas.

Até mesmo nas roupas, quando um indígena usa adereços que remetem a seus ancestrais, seja um colar, um brinco, uma maquiagem, é comum a sociedade manter o olhar como estranho, do qual foi inserido pelo colonizador. Quando os europeus chegaram nos países da América do Sul, os povos que já viviam aqui eram chamados de selvagem e que mostravam suas “vergonhas” (referente às partes íntimas), como mostra Pero Vaz de Caminha em sua carta ao chegar no Brasil.

[…] Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento.

Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha para a corte portuguesa

A sociedade latina americana teve o preconceito racial enraizado em sua construção, diferentes grupos, entre eles negros e indígenas, foram silenciados e oprimidos por séculos, tendo seus territórios invadidos, seu povo escravizado e sua cultura, muitas vezes oprimida, tornando-se colônias forçadamente,  perpetuando o olhar colonizador. 

Essa atitude é vista, principalmente, nas falas mais corriqueiras, existem expressões que já estão penetradas na sociedade como “criado-mudo”, “mulata” ou então não saber qual é o certo entre “índio” e “indigena”, isso mostra como a sociedade se distancia da cultura e das raízes do próprio país.

É importante entender que a prática da colonização não terminou e os países, principalmente da Europa e os Estados Unidos, influenciam diretamente o Globo, mesmo que seja policêntrico e não mais eurocêntrico. Toda essa imposição dos colonizadores, influencia diretamente na cultura dos países sul-americanos, mas mesmo assim há pessoas das sociedades que resistem e lutam para manter a cultura firme.  

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Por Julia Takahashi – Fala! PUC-SP

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