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Resenha: Ferrugem

Resenha: Ferrugem


Por Layon Lazaro – Fala!USP

Sutileza sobre a Tragédia

Ferrugem é dividido em duas partes. Na primeira, conhecemos Tati, (Tiffanny Dopke) uma adolescente que, como quase todas as outrasadora compartilhar cada momento da sua vida nas redes sociais. Em uma espécie de excursão da sua escola, um colégio classe média alta de Curitiba, ela perde o celular enquanto passeava com o então paquerinha Renet (Giovanni de Lorenzi), um daqueles típicos adolescentes mezzo esquisito mezzo emo. Perder o celular gera graves consequências: no dia seguinte, Tati se vê vítima da criminosa divulgação de seus registros íntimos no grupinho de WhatsApp da turma do colégio. Daí em diante acompanhamos Tati na sua tentativa de amadurecer e lidar com as consequências desse pesadelo.

Na segunda parte, acompanhamos a história de Renet.  O rapaz vive com a irmã e o pai, e tem imensas dificuldades em se relacionar com sua mãe depois que ela decidiu pela separação. Se bem que Renet tem problemas em se relacionar com qualquer pessoa… as dificuldades de diálogo típicas da idade se aliam ao desconforto causado por uma escalada de acontecimentos surpreendentes, e isso é trabalhado de forma muito interessante pelo filme, tanto com Renet quanto com Tati.

Ferrugem é surpreendentemente bom, mas é difícil falar bem do filme sem incursionar no terreno dos spoilers. O que eu posso dizer é que nos primeiros 20 minutos eu tinha certeza que assistia a mais um filme empenhado só em lançar um olhar bobo e moralista sobre o bullying, mas isso logo muda, e com Renet e Tati o filme te leva a terrenos tão perturbadores quanto sensíveis da experiência humana. O filme é sutil e bonito, com belos cenários entre praia e cidade e um plano sequência dentro de um carro sob chuva absolutamente fascinante.

Lamento apenas uma coisa, que entendo ser um olhar muito pessoal (e o que é a crítica, senão uma opinião pessoal aprimorada?), e é a mesma questão que tive quando vi 13 Reasons Why: entidades terapêuticas como pais, professores, amigos, igrejas, ongs, etc. são tratadas quase como inexistentes em casos de grandes dramas adolescentes. Os pesadelos acontecem, é verdade, mas você não precisa passar por eles sozinho.

 

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