Ramadã: O mês de reflexão árabe - Entenda mais sobre a tradição
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Ramadã: O mês de reflexão árabe – Entenda mais sobre a tradição

Ramadã: O mês de reflexão árabe – Entenda mais sobre a tradição

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Você sabe o que é o Ramadã? Saiba mais sobre as características e o que ensina essa celebração islamita

O Ramadã (Ramadan ou Ramadão) é uma celebração muçulmana que acontece no nono mês do calendário islâmico, cujo nome significa “calor intenso”, já que, na primeira celebração comemorada, era verão.

No Ramadão, os muçulmanos jejuam, praticam caridade e oram (diferente das orações normais e com mais intensidade), num período que varia de 29 a 30 dias – depende do ano. Diferentemente do calendário gregoriano (que os ocidentais usam), o calendário islã não está relacionado às quatro estações e segue o ciclo lunar, tendo uma média de 11 dias a menos do que o calendário por aqui usado; também por não seguir as estações conforme o ciclo solar, o Ramadan pode ocorrer tanto no verão quanto no inverno, dependendo do ano. Em 2020, teve início em 23 de abril e se encerrou em 23 de maio.

Durante o Ramadão, os muçulmanos jejuam comida, bebida, sexo e vícios (como fumar, por exemplo), do nascer ao pôr do sol – já que tais atividades distanciam os fiéis da fé, então o intuito é limpar a mente e o corpo. É por isso que os islãs oram mais durante esse período, estudando mais o Alcorão; segundo a religião, foi nesse mês que Alá revelou a Maomé os primeiros escritos sagrados, na “Noite do Destino” (Laylat al-Qadr, ou também conhecida como “Noite do Decreto”), e quando esse período sagrado se inicia, os portões do paraíso são abertos e os do inferno, fechados. Grávidas, crianças, doentes e idosos não precisam praticar o jejum pois isso pode prejudicar sua saúde.

Além da leitura diária do Alcorão, são feitas as preces voluntárias – as Tarawih – feitas após o anoitecer, que variam de 8 a 20 rezas. As orações costumam ser feitas na mesquita, com todos reunidos – mas com a pandemia do Covid-19, a prática passou a ser realizada em casa. Apesar de não serem obrigatórias, pelo período do Ramadã ser importante para a aproximação com a fé e Alá, as preces são uma forma de exaltá-lo e de obter perdão pelos pecados cometidos.

Não se sabe a noite exata do Laylat al-Qadr, só é de conhecimento geral que ocorreu no final do mês lunar, acredita-se, mesmo, que foi numa noite ímpar no final do mês – por isso os islãs rezam mais intensamente nas 10 últimas noites, já que um ato feito nessa época vale mil vezes mais do que em qualquer outra. 

A caridade é outra prática que faz parte do Ramadan. Pode ser realizada durante todo o mês, por aqueles que têm condições financeiras, e as doações devem ser entregues pelo chefe da família. No final do período, a prática – Zakat Al-Fitr – é intensificada, sendo a quantidade de alimentos, vestes e outros a serem doadas multiplicadas por duas ou três vezes mais conforme o número de membros da família do doador, ou seja, numa família de três pessoas, a doação será o triplo. 

Ao final do mês lunar, há a Eid Al-Fitr (Celebração do fim do jejum), a grande festa que marca o final do jejum, em que os fiéis visitam parentes e entes queridos, comem um grande banquete vestindo suas melhores roupas e presenteiam crianças. Em alguns lugares, como o Egito, decorações coloridas e brilhantes enfeitam as ruas, como pisca-piscas, lanternas, bandeirinhas e outros, além da música típica. Fora a celebração, há a Salat Al-Eid, que é a oração para esse dia da comemoração. 

Em alguns lugares, especialmente onde a influência da religião é mais forte, o horário comercial é alterado. Em Dubai, por exemplo, restaurantes e cafés fecham durante o dia – com alguns atendendo por pedidos de viagem, não sendo permitido comer em público. E se durante o dia os negócios funcionam lentamente, à noite o ritmo retorna, e alguns shoppings funcionam até de madrugada. No Egito, alguns lugares reduzem a jornada de trabalho para 4h por dia, e os restaurantes só abrem um pouco antes do anoitecer.

Em entrevista à Agência de Notícias Brasil-Árabe (Anba), Ali Zoghbi, vice-presidente da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), afirmou: “Este é um mês de devoção e preservação para o muçulmano, portanto, é interessante evitar qualquer tipo de atrito ou polêmica, respeitando o momento sagrado para esta cultura”. 

Ramadã na pandemia
Ramadã em tempos de pandemia. | Foto: Reprodução.

O que o Ramadã prega

Segundo a youtuber libanesa Fátima Cheaitou, conhecida como Fatuma, o Ramadã é o mês do perdão, da empatia e da misericórdia. Tudo o que é praticado é recompensado em dobro aos olhos de Alá, em que os islamitas exercitam sua paciência e autocontrole. Para ela, o jejum é tudo sobre o que pode prejudicar o fiel, e as proibições são para evitar que ele caia em tentação e, assim, seja uma pessoa melhor. 

O mais importante e nobre da celebração é a caridade realizada. Quando os islamitas se põem no lugar daqueles que já não podem comer normalmente, praticam a empatia, a igualdade de classes, cujo ensinamento fica para além do período imposto.

Durante o Ramadão, os muçulmanos vão muito à mesquita e a leitura de um versículo inteiro equivale à leitura do Alcorão inteiro, assim, lendo um capítulo por dia, ao fim da época de celebração, a leitura do escrito sagrado está completa, já que o Alcorão tem 30 capítulos ao todo. 

O Ramadã no Brasil

No Brasil, o número de islãs só cresce, e estar em outro continente não muda o costume. Os muçulmanos seguem à risca a prática de jejuar, ajudar os necessitados e orar mais. Porém, enfrentam dois problemas principais: o preconceito e o clima. A temperatura quente constante do trópico dificulta a falta de ingestão de líquido e pode acarretar em problemas de saúde, embora muitos fiéis garantam que essa dificuldade é superada depois dos primeiros dias. 

Além desse aspecto, não só o preconceito da hostilização contra os islamitas ocorre, mas também a falta de compreensão das pessoas em entenderem a prática como importante para a cultura maometana. Como citado acima, o Ramadan é um período para reflexão, exige paciência e calma dos fiéis, e trabalhar numa jornada de 8h por dia, com todos à volta comendo e bebendo torna o jejum mais difícil de ser praticado, além da falta de tempo para realizar todas as orações ao longo do dia. 

A celebração da Eid Al-Fitr, por aqui, acontece nas Mesquitas, na maioria. É feita a oração especial e os fiéis se juntam, vestindo seus melhores trajes. Fora de suas casas e comunidades, não há decorações típicas.

Neste ano de 2020, entretanto, devido ao coronavírus, as atividades em grupo também foram canceladas, em que as orações e leituras dos escritos sagrados foram feitas em casa e, para as ações aos necessitados, medidas para contornar a situação, como as entregas de produtos por drive-thru, foram adotadas. 

Curiosidades

Algumas curiosidades importantes para saber mais sobre o Ramadã:

1 – O jejum faz parte dos principais pilares do islã

A prática da abstinência (chamada de Saum de alimentos, bebidas, prazeres mundanos e vícios durante o Ramadan) é o quarto pilar dos cinco da religião muçulmana, seriam como os mandamentos, os quais Alá teria transmitido a Maomé. São eles: 

  • Shahada: testemunhar que não existe outra divindade a não ser Alá e Maomé;
  • Salah: rezar cinco vezes ao dia em posição direcionada à Meca;
  • Zakat: imposto a ser pago aos necessitados;
  • Saum: jejuar durante o mês do Ramadã;
  • Haj: aquele que tem condições físicas e financeiras deve fazer a peregrinação à Meca, pelo menos uma vez na vida.

2 – Jejum no espaço sideral

O príncipe Bin Salman foi o primeiro saudita a peregrinar pelo espaço, sendo ele astronauta da NASA, em 1985, se tornou o primeiro e único a jejuar e orar em direção virada à Meca. Estudiosos islâmicos explicaram que ele deveria se orientar conforme o último lugar que ele esteve na Terra que, no caso, foi na Flórida.

3 – O Ramadã nas zonas polares

Em alguns lugares, o dia dura apenas algumas horas e vice-versa. Para os islãs que se encontram em lugares assim, é recomendado que eles sigam o jejum e as orações conforme o fuso-horário em Meca, ou na cidade mais próxima com um horário mais regular. 

4 – Purificação da alma

O jejum e a abstinência fazem parte da limpeza espiritual que os muçulmanos julgam necessária. Abaixo, alguns dos haram (pecado) e atitudes que garantem o perdão de Alá:

  • Não é permitido olhar propositalmente para pessoas do sexo oposto;
  • Mentir, caluniar, fofocar, ser grosseiro e outros são práticas contrárias ao que o Ramadan ensina;
  • Não é bom dar atenção para intrigas, pessoas encrenqueiras, fofoqueiras, e outras;
  • Deve-se buscar a pureza, perdoar e ser paciente;
  • Procurar ser generoso ao fazer caridade.

5 – Iftar

Ao anoitecer, ocorre a quebra do jejum (jantar), conhecida como Iftar, onde os muçulmanos, antes de realizarem a refeição comum, comem uma tâmara e bebem um copo de leite ou iogurte.

6 – Ramadã em tempos de coronavírus

Ramadã coronavírus
Ramadã em meio ao coronavírus no Senegal. | Foto: Reprodução.

Não é exatamente uma curiosidade, mas sabe-se que o Covid-19 afetou tudo e todos, inclusive a celebração, como citado anteriormente. Mesquitas foram fechadas, o Iftar passou a ser realizado com menos pessoas e até mesmo o jejum ficou comprometido, já que a falta de ingestão de alimentos e líquido pode diminuir a imunidade. Foi o Ramadão mais diferente do século, com toda a certeza. 

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Por Giovana Floriano de Medeiros Leobaldo – Fala! Anhembi

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