Opinião: Como a religião vem interferindo na política brasileira
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Opinião: Como a religião vem interferindo na política brasileira

Opinião: Como a religião vem interferindo na política brasileira

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Nos últimos anos, o Brasil tem enfrentado uma corrente de pensamento um tanto incomum para um país laico, ou seja, que não possui uma religião definida. Grupos de determinada orientação religiosa têm ascendido aos mais altos cargos do poder, de maneira vertiginosa, e vêm interferindo de maneira parcial em decisões que deveriam beneficiar a todos, ou pelo menos uma maioria considerável, e que, no entanto, levam em consideração apenas os anseios de uma determinada parcela da população. Isso vem interferindo na sociedade e na política brasileira e, pensando nisso, a seguir, entenda quais são essas interferências. 

Entenda como a religião vem interferindo na política brasileira.
Entenda como a religião vem interferindo na política brasileira. | Foto: Freepik.

Como a religião vem interferindo na política brasileira

Apesar do cristianismo ser o ponto de partida para a doutrina filosófico-religiosa que rege a doutrina de muitas religiões que coexistem no Brasil, apenas uma forma de pensar, agir e conceber a fé e os ensinamentos cristãos, dentro desse universo, tem prevalecido. O curioso é que em pouco, ou quase nada, a conduta de tais líderes religiosos se assemelha ou vislumbra, mesmo que de relance, a conduta praticada por Cristo. Mais parecem procedimentos adotados no Antigo Testamento, não por Moisés, porém.

Tamanha é a falta de empatia pelos que passam fome e pelos que dormem pelas ruas por falta de abrigo, não há esforços para tentar salvar da miséria milhares de famílias que estão desempregadas e que passam por todo o tipo de desamparo. Não há zelo pelos que adoecem, nem pelos que morrem. Pessoas em nome de Cristo ocupam lugares de poder em razão do povo, mas não por ele.

A perseguição e a intolerância aos diferentes, seja na forma física ou no tom da pele, ou mesmo àqueles que amam independentemente do gênero, vem de um livro sagrado que não foi escrito pelo divino e que de tão dantesco mais se aproxima do profano. Em tempos tão difíceis, nos quais crianças empunham simulacros e supermercados vendem carcaças em bandejas para matar a fome, fazer o sinal de arma com as mãos é a bênção dos falsos profetas.

Nesse novo contexto de guerra entre vacinas que transmitem AIDS, ministros que roubam crianças indígenas e um presidente globalmente isolado, mais vale um saco de feijão na mão do que dois fuzis alimentados. Se Jesus tiver que voltar, que seja agora, mas tomara que não o confundam com um comunista de extrema direita. Porque hoje pregar o amor, a igualdade material e a justiça social é coisa de quem votou no PT. Vir com o manto vermelho então, nem pensar. Vão dizer que é afronta.

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Por Tassia Malena Leal Costa – Fala! Universidade Federal do Amapá

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