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Metrô de São Paulo: como (não) andam as obras

Metrô de São Paulo: como (não) andam as obras

Bruno Andrade – Fala!MACK

 

Na penúltima corrida eleitoral para o Palácio dos Bandeirantes, foram prometidas 43 novas estações até 2014. Mas, naquele ano, o Metrô entregou apenas 2 estações.  Estamos em 2018, mais uma vez ano eleitoral, e após propostas em várias áreas na última eleição, o Fala! foi conferir o andamento das obras do Metrô de São Paulo. Confira nesta matéria o que foi prometido e o que foi entregue até aqui.

Linha 4 Amarela:

A linha teve início das obras em 2004, e após vários atrasos o governo estadual entregou, em 2010, as estações Paulista e Faria Lima. Naquele ano eleitoral, o então candidato a governador Geraldo Alckmin prometeu concluir a linha até a Vila Sônia no término de 2014. Em 2011, o governo entregou as estações Butantã, Pinheiros, República e Luz. No prometido 2014, o qual a linha deveria estar concluída, apenas a estação Fradique Coutinho foi inaugurada.

Apenas em 2018 viu-se a entrega das estações Higienópolis – Mackenzie e Oscar Freire. Segundo o portal de transparência do metrô, a estação São Paulo – Morumbi está prevista para setembro desse ano. O pátio de operações de trens na Vila Sônia está previsto para 2019, já a própria estação Vila Sônia está prevista para 2020.  Esses atrasos ocorreram por quebras de contratos e por aberturas de novas licitações, uma em 2014 e outra em 2016.

Linha 5 Lilás:

A linha teve início das obras em março de 1998. Somente em 2002 o trecho Capão Redondo – Largo Treze foi entregue, mas essas estações só passaram a ter operação total em agosto de 2008. Em 2009, deu-se início a construção da estação Adolfo Pinheiro, a qual foi entregue somente em 2014. Já o trecho Largo Treze – Chácara Klabin, previsto para 2014, ainda está em construção, com previsão de término para este mês (Setembro).

O Fala! foi até o canteiro de obras das estações AACD – Servidor e Hospital São Paulo e entrevistou – no início de agosto – o funcionário do Metrô, Cícero José, 57 anos. Ele afirma: “A estação Hospital São Paulo não está com a parte elétrica 100% concluída, e o ritmo da obra é bem lento”.

Além disso, ele relatou que provavelmente faltará algumas coisas para a conclusão total da estação (Cícero não quis revelar quais eram).  “Por causa disso, a empreiteira entregará – não somente a Hospital São Paulo, mas as quatro ultimas em construção – de forma inacabada para não levar multa, e as concluirá ao longo do tempo da fase de teste”, disse Cícero.

Nenhum outro funcionário informou a data exata para a entrega do trecho AACD-Servidor – Chácara Klabin. Todo o trecho estava previsto para agosto, mas, segundo a empresa que administra a linha, somente AACD-Servidor será entregue este mês, no dia 31, enquanto as outras serão entregues em setembro. O que pode ser difícil, devido ao roubo dos fios que alimentariam a parte elétrica da estação Chácara Klabin.

Essas estações podem melhorar muito o deslocamento dos paulistanos, como no caso de Lucélia de Sousa, 31 anos. A mulher mora em uma comunidade na Vila Prudente e leva o filho de um ano para fazer tratamento com o alergista, duas vezes ao mês, no Hospital São Paulo. Por falta de condições financeiras, Lucélia não consegue arcar com o custo de ônibus e metrô. Todavia, de sua casa até a estação Vila Prudente, da Santa Cruz até o Hospital São Paulo, o percurso acumula 28 minutos de caminhada. Por isso, Lucélia prefere fazer o trajeto todo de ônibus, o que acarreta para ela uma viagem de duas horas em cada sentido.

Linha 6 Laranja:

A linha seria um alívio para os moradores da região da Brasilândia e Freguesia do Ó. As obras estavam previstas para serem iniciadas em 2010, com término em 2013. Mas as obras começaram de fato somente no dia 13 de abril de 2015, com o prazo de entrega para 2020. Em setembro de 2016, porém, o então governador Geraldo Alckmin adiou a entrega para novembro de 2021, pelo fato do rompimento da PPP (Parceria Público Privada) por parte da MOVE SP.

Linha 15 Prata:

Licitada em 2009, a linha deveria ligar a estação Ipiranga da CPTM até o extremo leste, Cidade Tiradentes. Nessa licitação, estava prevista a extensão Vila Prudente – São Matheus para 2012, já o trecho São Matheus – Hospital Cidade Tiradentes, além da estação Ipiranga, estava previsto para 2014. Mas a obra foi adiada diversas vezes. Segundo o Metrô, o atraso ocorreu por conta de um córrego na Avenida Professor Luiz Inácio de Anhaia Mello, o qual deveria ser desviado para fazer a estrutura das estações na avenida. Por isso, o trecho ainda segue em construção entre as estações Jardim Planalto e São Matheus.

Sendo assim, o Fala! foi ao canteiro de obras dessa linha e entrevistou os trabalhadores. Segundo o mestre de obras da estação Jardim Planalto, a estação estava prevista para ser entregue até o dia 15 de agosto. A estação está praticamente concluída, mas devido a não conclusão da estação Sub Primária, a qual fica próxima da estação Camilo Haddad, a Jardim Planalto não foi entregue.

A Sub Primária alimentará a linha, e o objetivo do metrô é entregar ambas e ampliar o horário de funcionamento da linha. Em entrevista à radio bandeirantes, o Secretário dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissione, relatou a entrega de Jardim Planalto para Setembro.

Estação Planalto

Além dessa estação, o Fala! conseguiu uma entrevista com um funcionário – o qual não quis ser identificado – da estação Fazenda da Juta. Ele afirma: “A parte elétrica da estação não está concluída, somente a parte dos painéis”. Além disso, o funcionário relatou a data prevista para a inauguração dessa estação: início de outubro. Ele alega que um dos motivos para o atraso da obra é a falta de materiais, a qual acarreta um prazo não fixo para a entrega da estação. Ou seja, a estação pode, ou não, ficar pronta em outubro.

Segundo o Portal de Transparência do Metrô, o trecho Sapopemba – São Matheus está previsto para ser entregue entre outubro e dezembro de 2018.  Além dessas estações, a Jardim Iguatemi está prevista para 2021. Já no segundo trecho, o atraso ocorreu pela falta de alargamento da Avenida Ragueb Chohfi e da Estrada do Iguatemi, e não há prazo para ele. Segundo o governo do estado, triplicar as avenidas é de responsabilidade da prefeitura.

Estação Sapopemba

Todavia, esse impasse entre as unidades federativas atrapalha a vida da população. É o caso de Kelly Lima, 39 anos, moradora do extremo leste da capital, Cidade Tiradentes. Ela gasta em média, de ônibus, duas horas e meia de sua casa até a praça da Sé. Já de ônibus e metrô, o tempo do trajeto caí para duas horas, pois de sua casa até a estação mais próxima do Metrô – Itaquera – ela gasta em torno de 1h20minutos e os 40 minutos restantes é o tempo gasto de Itaquera até a Sé.

Linhas 17 Ouro e 18 Bronze:

A linha 17 foi licitada junto com a linha 15 prata, em 2009. Naquele momento estava prevista para 2014, mas foi adiada para 2015, 2017 e agora para dezembro de 2019. Mesmo obtendo esse adiamento de 5 anos, a 17 ouro não estará completa em 2019: apenas 8 das 18 prometidas (trecho entre Morumbi da linha 9 esmeralda até o Jardim Aeroporto). A linha ligaria a estação Jabaquara da 1 azul à São Paulo – Morumbi da 4 amarela. Vale ressaltar que a linha fará um Y na interligação com a estação Congonhas.

Já a linha 18 Bronze deveria ganhar 13 estações em 2015. O governo estadual, porém, era considerado extremamente endividado para conseguir empréstimo com o governo federal. Devido a uma mudança realizada pelo governo Temer, a qual amenizou as faixas de endividamento dos estados, o governo de São Paulo pôde realizar um novo empréstimo. Por causa disso, o trecho de 14 estações (Tamanduateí – Djalma Dutra) encontra-se em licitação. Desse modo, a Bronze segue sem prazo. Quando concluída, ligará São Paulo ao ABC. Essa será a primeira linha de metrô a sair da cidade de São Paulo.

Analisando todos esses atrasos, é visível a dificuldade do governo estadual em expandir o metrô. Mesmo assim, dois candidatos nas eleições de 2018 que passaram por esse governo pretendem usar as inaugurações de estações como vitrine eleitoral. O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) aspira à presidência. Já o atual governador, Marcio França (PSB), o qual foi vice de Alckmin entre janeiro 2015 e março de 2018, é candidato à governador e também pretende usar as estações como vitrine para sua eleição. Terá dificuldades contra o candidato ao Palácio do Bandeirantes do PSDB, João Doria, que por sua vez pretende usar os atrasos para campanha eleitoral. Entramos em contato com o Metrô para confirmação das informações conquistadas via entrevistas com funcionários, mas não obtivemos resposta.

1 Comentário

  1. Georges Christian Costaridis
    1 ano ago

    Os responsáveis (?) pelas contratações já levaram a parte deles. Então pra quê pressa? O dinheiro arrecadado de impostos serve para garantir salários e benefícios. O resto? É o resto, oras.

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