'Norman Fucking Rockwell!': A fantasia californiana de Lana Del Rey
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‘Norman Fucking Rockwell!’:  A fantasia californiana de Lana Del Rey

‘Norman Fucking Rockwell!’: A fantasia californiana de Lana Del Rey

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A canção que dá nome ao sexto álbum de Lana Del Rey inicia como se para abrir os portões de um mundo encantado. É o nascer do sol por trás de uma colina. Longe de ser a única música com uma introdução mais longa, mas aqui é a introdução perfeita para estabelecer o caminho a ser seguido. Como se guiasse o ouvinte melodia a dentro, Del Rey constrói em seu álbum poesias infusionadas de espírito californiano, paixão jovem e sonhos do estilo de vida americano e a decadência deste.

Norman Fucking Rockwell!, novo álbum de Lana Del Rey. | Foto: Reprodução.

Crítica do sexto álbum de Lana Del Rey

A Califórnia não está presente apenas em NFR!. Da costa leste a oeste dos Estados Unidos, suas influências sempre estiveram nas letras de Del Rey, mas aqui, como letrista, a artista atinge a harmonia perfeita no casamento com suas composições, criando uma atmosfera de sonhos lúcidos com as referências à cena musical do passado e presente dos Estados Unidos.

Malibu e Laurel Canyon, Topanga e Venice, todos estes pontos grandiosos da glamurosa Califórnia, no entanto, ganham, na voz de Del Rey, uma personalidade muito mais íntima. A cantora cria de sua própria experiência um mapa que ela, então, canta pelas catorze faixas de NFR!, fazendo uma narrativa de amor, perda, desilusão e sonhos pelos caminhos que conhece.

Diferente do tratamento dado ao letreiro de Hollywood em Lust For Life, uma das parcerias de Del Rey com The Weeknd, em que Lana faz do local um canhão de luz, durante este álbum o ambiente fonte de suas inspirações atrai curiosidade não por ser chamativo, mas sim, por ser tão íntimo que se traduz para a realidade de qualquer um.

A melancolia de Norman Fucking Rockwell! também não reflete trabalhos prévios da cantora. Com sucessos como Summertime Sadness e Video Games, Lana Del Rey foi vista sob uma luz de garota triste do indie – mesmo possuindo um grande apelo popular – com canções sobre realidades mais que dramáticas.

Aqui, os arranjos parecem fazer o caminho inverso. O peso das palavras e das histórias narradas em cada faixa se fazem melancólicas não pelo exagero, mas sim, por conta da aceitação que o eu lírico encontra frente à realidade. Na última faixa do álbum, Del Rey diz que “esperança é algo perigoso para uma mulher como eu ter… mas a tenho”. O dar de ombros ao final é um claro amadurecimento pessoal da artista frente a seus sentimentos.

NFR! também apresenta a energia do rock alternativo evocativo das referências aos anos 70, mas é interessante notar que, como letrista, Del Rey é a própria criadora de suas fantasias em que uma figura masculina de artista monumental a faz se apaixonar. Dessa forma, a cantora não se coloca em um local de observadora do sucesso, mas é também sua originadora. Lana Del Rey dá vida a um mundo em que ela não é uma groupie apaixonada, mas também a própria artista por quem se apaixona.

A experimentação feita em músicas como Venice Bitch e seus solos de guitarra psicodélicos também representam uma metamorfose do formato de melodias antigas. Definitivamente não há preocupação por parte de Del Rey em fazer música com o propósito de ser comercial. Suas letras e melodias funcionam por serem verdadeiras às vontades que tem como artista. O que isso gera é um álbum que faz sentido isolado e também dentro do espectro composto por seus cinco antecessores. Não é uma Lana Del Rey renovada, mas sim, mais sábia e conhecedora de si.

Faixas como Fuck it I love you e Mariners Apartment Complex mantêm vivas as energias de álbuns como Born To Die e Ultraviolence, onde Del Rey brinca com a subversão de seus vícios e desejos, mas com uma nova aura de certeza contra os julgamentos feitos sobre suas músicas.

Assim, Norman Fucking Rockwell! traz uma narrativa musical em que Lana Del Rey não precisa fazer tantas referências aos grandes ídolos para caracterizar sua produção ou lhe dar significado. Del Rey é seu próprio holofote e a figura de admiração daqueles que se permitirem escutar suas histórias californianas de crescimento.

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Por Vinícius Soares Pereira – Fala! Cásper

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