Massacre de Nanquim: O que foi e quais as motivações deste crime
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Massacre de Nanquim: O que foi e quais as motivações deste crime

Massacre de Nanquim: O que foi e quais as motivações deste crime

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O Massacre de Nanquim teve duração de seis semanas e tinha como objetivo a invasão das tropas japonesas em território chinês, para assumir o controle da cidade de Nanquim, na China, durante a Segunda Guerra Mundial. A seguir, saiba tudo sobre esse massacre, desde o contexto histórico até as consequências dessa matança.

O Massacre de Nanquim foi um dos inúmeros crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundil.
O Massacre de Nanquim foi um dos inúmeros crimes cometidos durante a Segunda Guerra Mundial. | Foto: Reprodução.

Massacre de Nanquim: O verdadeiro horror da Segunda Guerra Mundial

Contexto Histórico do Massacre

O Massacre de Nanquim ou Estupro de Nanquim, foi uma série de assassinatos em massa e estupros cometidos pelo Império Japonês durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Foram cerca de seis semanas, com início em 13 de dezembro de 1937 e durante esse período, milhares de civis chineses e combatentes desarmados foram mortos por soldados do Exército Imperial Japonês. Estupros, incêndios e saques ocorreram contra a população. Anos mais tarde, os responsáveis pelos atos foram julgados e considerados culpados pelo Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente e pelo Tribunal de Crimes de Guerra de Nanquim, cuja pena foi a execução.

Objetivo do Ataque

Em julho de 1937, o exército japonês começa a traçar estratégias para invadir a cidade de Nanquim, capital da China na época. O general japonês Asaka Yasuhiko ordenou a execução de todos os prisioneiros de guerra.

No início do mês de agosto, a marinha imperial japonesa está posicionada na costa e inicia sucessivos disparos de canhões à costa chinesa, dando início ao desembarque do exército imperial japonês comandado pelo Marechal Kotohito Kan’in. A invasão passa a ser constante até o final do mês de agosto do mesmo ano.

Separaram civis, militares, homens e mulheres. Cenas de tortura, enforcamento, fuzilamento e estupro eram frequentes e ainda que a população tentassem se refugiar em templos, logo eram capturadas e mortas.

Com a tomada de Nanquim, o massacre tornou-se uma disciplina esportiva e forma de divertimento: os soldados japoneses disputavam a rapidez e eficiência na decapitação dos prisioneiros que eram alvo dos soldados nos exercícios de assalto com baionetas*.

*baionetas: arma perfurante que se adapta à espingarda.

Violação dos Direitos e Agressões a Mulheres e Crianças durante o Massacre de Nanquim

Segundo o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, aproximadamente 20 mil mulheres, incluindo crianças menores de dez anos e idosas, foram violadas durante a ocupação. As mulheres eram mortas imediatamente após o estupro, em alguns casos, há relatos de mutilação explícita.

A escritora e jornalista Iris Chang escreveu em seu livro The Rape of Nanking observações quanto a resposta do governo japonês aos atos: “ao invés de criar planos e estratégias para conter a situação e punir os responsáveis, o alto comando japonês fez planos para criar um sistema militar de casas de prostituição.”.

Mais tarde, o governo japonês recusou-se a reconhecer tal responsabilidade com o argumento de que os bordéis eram dirigidos pelos empresários privados e não o governo imperial durante os tempos de guerra e invasões de territórios. Em contrapartida, o historiador japonês Yoshimi Yoshiaki descobriu nos arquivos de defesa japonesa, um documento da época sob o nome “Recrutamento de Mulheres para Bordéis Militares”. O documento exibia os selos pessoais dos líderes japoneses e continha ordens para construção imediata de “instalações de conforto sexual” para impedir as tropas  de violar mulheres nas regiões que controlavam na China.

Construção da Zona de Segurança de Nanquim

Visando proteger os refugiados do Massacre de Nanquim, um grupo de estrangeiros criou o Comitê Internacional de Segurança de Nanquim, para além da proteção dos refugiados, os membros do comitê mantiveram registros dos ataques que contribuíram ao conhecimento internacional e testemunharam perante o tribunal na época pós-guerra.

A zona tinha uma área de 6,5 quilômetros quadrados e estava localizada a oeste da capital. No seu interior, situava-se a Universidade de Nanquim, o Hospital Universitário, a Escola para Mulheres de Jingling, a Embaixada dos EUA e parte dos edifícios do governo chinês.

Os refugiados eram constantemente ameaçados e o que na maioria das vezes os protegiam era a intervenção pessoal dos estrangeiros no local; Problemas como superlotação, falta de alimentos, medicamentos e condições precárias de higiene eram corriqueiras, entretanto, apesar da precariedade, a zona de segurança cumpriu em grande parte seu objetivo. Após a queda da cidade, cerca de 300 mil refugiados retiraram-se gradualmente para as demais regiões e sobreviveram ao massacre.

Teoria do Revisionismo do Massacre de Nanquim

Historiadores e escritores, sobretudo japoneses ligados à direita nacionalista alegam que o massacre de Nanquim não aconteceu. De acordo com estudos realizados pela frente revisionista, as fotografias publicadas em 1937 e 1938 são falsas.

Foram analisadas aproximadamente 30 mil fotografias pelos participantes do estudo e o diagnóstico final das imagens consideraram como montagens, encenações e até mesmo tiradas de outro contexto. Segundo esses mesmos historiadores, as fotografias não provariam o acontecimento ou veracidade do massacre.

Provas do Massacre

O Massacre de Nanquim é um fato histórico aceito pela grande maioria dos historiadores. Inúmeras provas do ocorrido, testemunhos e a própria devastação da cidade compõem o histórico da invasão territorial.

Depois do ataque, ficaram conhecidos também os testemunhos dos antigos soldados japoneses, como Shiro Azuma, que admitiu sua participação nos massacres. Azuma visitou a China várias vezes pedindo desculpas pelos atos e colaborou com acadêmicos chineses em busca de documentos.

Livros, artigos de jornais publicados no Chicago Daily News e The New York Times também são provas, cuja fonte principal era o Reverendo Mine Searle Bates, conselheiro do Ministério da Informação da China.

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Por Erica Silva – Fala! Anhembi

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