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Fala! Entrevista Rosana Augusto, ex-Seleção, homenageada na Copa

Fala! Entrevista Rosana Augusto, ex-Seleção, homenageada na Copa

Rosana dos Santos Augusto é um dos maiores destaques do futebol feminino mundial. A paulista possui uma carreira extensa: já disputou quatro Olimpíadas, garantindo duas medalhas de prata em 2004 e 2008, participou de quatro Copas do Mundo, três pan-americanos, conquistando um ouro em 2007 e já passou pelos menos clube do Brasil e do mundo.

Convocada pela Seleção Brasileira pela primeira vez aos 17 anos, Rosana garantiu sua titularidade nas Olimpíadas de Sidney, Austrália, a primeira disputada pela meia-campista brasileira.  

Rosana já atuou, no Brasil, no Santos, São Paulo, Corinthians e Internacional antes de partir para clubes do exterior. Em sua carreira internacional, Rosana acumula em seu currículo passagens por clubes como o austríaco SV Neulengbach e o Sky Blue FC, nos Estados Unidos. Algum tempo depois, voltou ao Brasil e, depois de ter sido um dos principais nomes da Copa do Mundo de 2011, foi recrutada pelo talvez melhor time de futebol feminino do mundo, o francês Lyon, onde deixou sua marca ao vencer a Champions League, campeonato europeu de futebol.

Em 2013, Rosana foi convidada a jogar pela camisa do norueguês Avaldsnes IL, junto com Debinha também titular da seleção Brasileira.

Logo depois, a jogadora voltou ao Brasil e mostrou sua qualidade vencendo a Libertadores e o Mundial com o time paulista São José. Depois, retornou para o Avaldsnes IL, onde permaneceu por mais dois anos. Em 2016 Rosana voltou ao Brasil idealizando se aposentar, mas recebeu uma oferta do PSG, clube francês, e seguiu com a proposta.

Aos 32 anos, Rosana decidiu voltar ao Brasil para concluir sua vida profissional no clube São José e se dedicar a sua vida pessoal. No entanto, dois antes de seu casamento, seu noivo faleceu ao seu lado, antes de viajarem para o Brasil. Rosana então decidiu continuar sua carreira. Começou a atuar pelo pelo North Carolina Courage, dos Estados Unidos, e em seguida voltou ao Brasil onde jogou pelo Audax.

Em 2017, Rosana anunciou sua saída da seleção brasileira. Foi então chamada pelo clube feminino do Santos, as Sereias da Vila, e encerrou, por lá, sua carreira como jogadora profissional. 

Homenageada pela Fifa no último jogo de Brasil e França pela contribuição e pela participação nas edições anteriores de Mundiais, Rosana é um nome de peso quando se fala em Futebol Feminino. A jogadora ainda participou, recentemente, de um jogo beneficente na Inglaterra promovido pela UNICEF ao lado de personalidades do esporte e do entretenimento como Usain Bolt, Roberto Carlos, Eric Cantona, James McAvoy, e segue como um ícone importante no esporte, bem como uma inspiração para as meninas que sonham em seguir a mesma carreira profissional.

Em entrevista realizada com a jogadora, ela conta mais sobre sua carreira e suas expectativas para o futebol feminino brasileiro e mundial. Confira:

Fala: Você já jogou mais de 100 vezes pela Seleção Brasileira. O que significa pra você carregar a bandeira e o legado do país?

Rosana: Algo espetacular! É muito difícil permanecer no alto rendimento e atuando bem durante anos.  E ainda saber que representando bem o meu país fui capaz de ajudar a construir um legado para outras gerações, com certeza é muito especial. Claro que o esforço e a abdicação foi muito grande pra obter essa conquista.

Fala: Qual foi o momento mais marcante da sua carreira? E o mais difícil?

Rosana: Tenho 2 momentos muito marcantes: a olimpíada de 2004, onde conquistamos a medalha de prata, algo inédito não apenas no futebol feminino, mas em qualquer modalidade. Pouquíssimos atletas conseguiram esse feito no Brasil. O segundo foi o disputar uma partida no Pan de 2007 com 70 mil torcedores no Maracanã, inclusive a minha família. O pior momento foi uma contusão no ombro de 2007, que quase me deixa fora do Mundial.

Fala: Você foi convocada pela primeira vez aos 17 anos. Como foi esse processo de estar na seleção brasileira tão nova? 

Rosana: Confesso que gostaria de ter passado pelas categorias de base, mas não minha época não tinha. Então, tive que amadurecer precocemente e enfrentar responsabilidades grandes para uma menina de apenas 17 anos. Mas ao mesmo tempo foi ver um sonho se concretizado, mesmo que de forma antecipada.

Fala: Dentro do futebol feminino brasileiro, uma parte que ainda precisa de grandes mudanças é a categoria de base.  Qual é a importância da reformulação dessa categoria para a renovação da seleção?

Rosana: Na verdade, as coisas estão interligadas. É necessário primeiro fomentar a categoria de futebol feminino nas escolas (incumbência das prefeituras e do governo). Num segundo momento, criar mais categorias de base. Assim já teremos uma quantidade grande de meninas jogando, treinando e se preparando. Como consequência disso, a renovação será feita de forma mais natural porque da quantidade se tira qualidade.

Fala: Qual é a maior diferença que você enxerga entre as experiências que teve em times nacionais e internacionais, seja em campo seja em fatores extracampo?

Rosana: Em campo, em todos os países que joguei, o jogo era mais físico, mais intenso e menos técnico. Ao contrário do Brasil, menos intenso e mais técnico. Já fora do campo, a parte estrutural, de gestão, organização, divulgação, e, principalmente, a aceitação nos países que estão no top do ranking mundial está muito à frente do nosso.

Fala: Rosana, você se aposentou do futebol recentemente. Como está sendo o seu novo trabalho no futebol?

Rosana: Hoje trabalho para uma empresa que agencia jogadores de futebol. Está sendo muito bom, porque continuo ativa no mundo da bola e isso faz com que eu não sinta tanta falta de estar em campo.

Fala: Você possui uma carreira de duas décadas no futebol. Como foi ser uma mulher no esporte há 20 anos e como é ser uma mulher no esporte hoje?

Rosana: A 20 anos atrás sofria muito mais preconceito e as pessoas não tinham tanto conhecimento do futebol feminino como hoje. Houve uma evolução grande, mas de forma lenta. Acho que cada vez mais o preconceito irá diminuir, a aceitação será melhor e cada vez o futebol feminino ficará mais competitivo. Hoje está muito mais fácil usufruir do futebol.

Fala: Você acredita que esse apoio ao futebol feminino recebido durante a Copa do Mundo vai continuar após o fim do torneio?

Rosana: Eu acredito que será um pouco diferente das outras vezes, porque nunca se teve tanto apelo. Mas não acho que será noticiado o tempo todo até a próxima olimpíada de forma mais efetiva.

Fala: O que você acha que deve ser feito para trazer ainda mais reconhecimento para o futebol feminino?

Rosana: O fomento da modalidade, citado em uma outra questão, acho que é o melhor caminho. Mais meninas jogando, mais qualidade, mais clubes, mais atrativos, mais mídia, mais patrocínios. Talvez criar uma liga, com um ranking, para que os times fiquem mais equilibrados e a competição mais atraente. Criação de departamentos de futebol feminino nos clubes. E ex-atletas que estão buscando conhecimento ocuparem cargos que ofereça chance de mudança também.

Fala: Muitas garotas jovens enxergam em você um exemplo de empoderamento feminino. Quais dicas você daria para as meninas que sonham em jogar futebol?

Rosana: Sempre procuro deixar a mensagem de que tudo começa com um sonho: então peço que elas sonhem, tracem metas e as persigam. Que sejam determinadas e perseverantes. Que saibam, que somente elas podem impor os próprios limites, ninguém mais.

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Por Beatriz Cruz, Carolina Malavazzi, Dayane Evelyn, Geovanna Hora, Matheus Menezes, Pedro Costa e Tayná Fiori.


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