Crônica: Na Esquina da Paulista
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Crônica: Na Esquina da Paulista

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Na esquina da Paulista, havia uma árvore. Ao lado da árvore, havia um prédio seguido por outro prédio. Era um domingo e o sol queimava cada fio de cabelo, cada parte de pele despida de roupa. Era para ser mais um domingo qualquer, mas não foi.

O contraste entre os edifícios modernos e os galhos arreganhados das poucas árvores ali existentes era grande. Uma sensação de novidade com toque de história. O casarão entre a rua Padre João Manuel e a Alameda Ministro Rocha Azevedo, mansão de número 1919, foi do Barão de Café Joaquim Franco de Mello e, hoje, pertence aos seus descendentes. É o detalhe antigo da Paulista moderna. É a história mantida há mais de 100 anos. É o sentimento de que nada mudou, mas tudo mudou.

Alice Ruiz dissera uma vez, em seu livro “Dois em Um”, que se perdera de vista na esquina da Consolação com a Paulista e se observara artista. Não digo que me senti artista, só fui equilibrista ao desviar-me da multidão que circulava por lá. Por um breve momento, eu fui a história e, se não ela, fui pelo menos uma parte dela. Doce sensação que a Paulista me trouxe naquele domingo ensolarado: fazer parte e, ao mesmo tempo, ser uma completa estranha no meio do todo.

Algumas pessoas acreditam que a Paulista faz com que nos percamos de vista, até Alice acredita nisso. Eu não. Foi ali, naquela esquina da Paulista que eu me encontrei como jornalista. Os cheiros, os sabores, as cores e os olhares já não eram mais os mesmos. Havia uma mania, ainda não desenvolvida, de tentar explicar tudo aquilo que sentia. Informar os mínimos detalhes. Apurar cada sentido do corpo.

Não espere que eu lhe conte tudo o que senti. Nem eu sei ao certo. Ou talvez saiba. O que realmente importa é vivenciar a experiência. Eu fico na espera de que você se encontre como eu me encontrei. Não precisa de data marcada, não se faz necessário conhecer as ruas que cortam a avenida de cabo a rabo. Mas eu ainda espero que, numa esquina qualquer da Paulista, você se perca de vista.

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Por Isabela Cagliari – Fala! PUC

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