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Crônica: Carta que jamais enviarei

Crônica: Carta que jamais enviarei


Hoje eu tive o encontro que a gente não teve, quer dizer… faltou a parte do sexo, mas foi na ponte. Eu comecei a chorar durante a faixa de pedestres na frente do Mc Donald’s quando percebi que a agenda não ia mais bater no final de semana, e parece-me que você não queria que ela estivesse vaga para nós. Passei no ponto de encontro que te beijei com tanto medo de te perder. Atrás daquele shopping, depois da rádio, antes daquele show, o show me importava menos, sua boca me importava mais.

Hoje eu queria ter dito que esqueci a carteira em casa, passei o dia sem nutrientes, sem um almoço, e sem comprar o doce que queria te dar. Mas eu passei batom, coloquei brincos maiores do que o de costume e fui com uma saia, e não foi por mim, foi porque hoje que queria receber um… “você tá muito charme hoje”. Mas quando eu abri as duas mensagens suas no visor do meu celular, eram simples respostas à minha dúvida de querer saber se você estava bem hoje. 

Depois daquela viagem, eu notei um grande afastamento vindo da sua parte. 

Vale lembrar que eu não lhe direcionei a palavra quando entrei no estúdio porque eu sabia que você prefere manter discrição. Nem parei pra olhar só pra você, porque não queria te decepcionar de novo, como no caso do doce da janela.

Eu também queria te dizer que hoje é aniversário de um grande amor meu, quem me deu boa parte do amor que carrego, a minha vó. Mas, no que eu mais pensei foi em você, sendo que esqueci durante o dia sobre o mais gostoso colo da vida, o dela, porque eu só queria o seu. Nossa troca de mensagens diminuiu significativamente. Eu já não sei há quanto tempo você faz falta, mas estou percebendo que você não vai mais preenchê-la. Eu juro, tentaria domar meus demônios que sempre me encheram de medo, eu juro, teria os filhos que não queria ter antes de te conhecer. Juro que nunca mais te chamaria de chato e que nunca mais te chamaria de velho. Juro que confiaria em você cegamente, e além disso, não falaria pra mais ninguém de nós. Mas você não vai mais voltar, não é? O rapaz com quem eu teria a Manuela ou o Chico, a Helena ou o Antônio, esse era alguns dos nomes, que a gente dizia que gostava. Teríamos muitos cachorros e nenhum gato, por causa da sua alergia. Eu iria tentar tocar baixo, e leria o Estado pra discutir política com você. Eu não te forçaria mais nenhuma dança, compraria discos toda vez que o cartão virasse. E dormiria abraçada a sua caixa torácica. 

Enquanto eu descia a escada do metrô, pensei ter ouvido sua voz, era só um rapaz, que entrava com seu amigo naquele transporte. Mas a voz parecia tanto a sua que eu tive vontade de parar e seguir um pouco atrás de ambos pra prestar atenção. 

Desculpa, sobrinho do Raul.

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Lara Beatriz Vital de Oliveira – Fala!Anhembi

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