Crônica - A nostalgia de uma infância
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Crônica – A nostalgia de uma infância

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Em meio a esses dias em isolamento dentro de casa, decidi arrumar minha mesa de cabeceira. Ela estava cheia de coisas que foram para o lixo e outras que decidi doar, mas dos objetos que encontrei e não foram para o lixo, dois deles me chamaram a atenção. Eram duas fotos da minha infância, fotos em grupo com as outras crianças em uma escola que estudei dos 5 aos 9 anos de idade. Essas fotos me tocaram e fui tomada por nostalgia. Vieram memórias dessa época, das minhas primeiras amizades que, agora, eu nem tenho mais contato e, principalmente, dos momentos tão alegres que vivi lá.

Eu lembro exatamente dos primeiros dias nessa escola. Minha sala era pequena, tinha no máximo 13 alunos. Algumas das crianças já estudavam lá desde muito novas. Demorei pouco tempo para fazer amizades, o que é surpreendente, pois, para mim, é sempre complicado socializar. Acredito que quando somos crianças, fazer amigos não seja tão difícil.

Durante o período que estudei nesse lugar, não fui uma estudante muito exemplar quando se tratava de notas, característica que se manteve na minha vida escolar inteira. Toda sexta-feira era dia de levar brinquedos para a escola, assim como quase sempre no fim das aulas nos era permitido brincar na sala, mas sem fazer muito barulho.

Pergunto-me, às vezes, se teria sido bom, para mim, estudar nesse lugar até o fim do ensino médio. Porque de uma coisa eu tenho certeza, fui muito feliz nessa escola. Eu não tinha medo de ser julgada e o que lembrava do meu breve passado se resumia a inúmeras felicidades, e não a medos e angústias. Eu vivia do presente. Ainda não tinha a pressão em decidir o futuro e pensar em uma profissão, era só algo para a imaginação. As profissões que me imaginava fazendo foram de médica a pintora.

infância
A nossa essência nasce na infância. | Foto: Unsplash.

Ah, como eu queria ser meu eu dessa época de novo! Aquela menininha que não via maldade e estava sempre sorrindo e sendo gentil. Ou também aquela que queria um mundo cor de rosa, mas que, agora, vê que é cinzento demais pra ser de alguma cor alegre e doce. É complicado pensar que jamais seremos quem fomos quando crianças. Mas uma coisa é clara, é de lá que criamos e desenvolvemos a nossa essência.

Eu sei que sempre vou continuar, no fundo, sendo a mesma de quando criança, mas com uma pitada de desconfiança, porque o mundo real não é para amadores. Quando criança, sempre temos pressa de crescer, mas quando chega a adolescência e a fase adulta, tudo que queremos é voltar para a infância.

Acho que ter essa nostalgia de pensar nessa fase acontece com todos. Talvez, para mim, seja por causa do meu signo, nunca vou saber. A verdade é que nunca, nunca mesmo, podemos esquecer da criança que carregamos dentro de nós, porque vira e mexe ela vem nos lembrar da nossa essência e de que há momentos em que precisamos ter a mesma alegria, simplicidade e humildade de uma criança.

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Por Heloisa Shibuya – Fala! PUC

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