Coronavírus: entenda o que é fato e o que é fake
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Coronavírus: entenda o que é fato e o que é fake

Coronavírus: entenda o que é fato e o que é fake

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Com o primeiro caso confirmado da doença no Brasil, o pânico se alastrou pela população devido à divulgação de uma série de informações incorretas acerca do assunto.

Assim, é importante desmentir essas afirmações para que a população se conscientize sobre a real situação e sobre o como agir para se prevenir do tão famoso coronavírus.

Primeiramente, deve-se enfatizar que essa família viral não é nova. Ela é conhecida desde meados dos anos 60 e são responsáveis por causar desde infecções respiratórias leves ou moderadas até síndromes respiratórias graves – como a SARS-CoV e MERS-CoV – em humanos e animais, semelhantes ao resfriado comum.

Dessa forma, grande parte da população já contraiu algum tipo de coronavírus durante a vida, principalmente durante a infância. Porém, este tipo de agora é novo e, até então, não tinha sido visto em humanos.

Veja, neste link, os casos de coronavírus em tempo real: https://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6

Onde surgiu o coronavírus

Bom, trata-se de uma nova variante do coronavírus, chamada de SARS-CoV2, e que, até então, não havia sido detectada em seres humanos.

Ele foi descoberto após uma onda de casos de pneumonia de causa desconhecida entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, na cidade chinesa de Wuhan. Porém, não está claro para os pesquisadores ainda a origem específica do surto. Suspeita-se que a fonte primária do vírus tenha sido um mercado de frutos do mar, localizado na mesma cidade.

Transmissão do vírus

Sabe-se que ela pode ser feita de pessoa para pessoa, por meio do ar (secreções aéreas do paciente infectado, como tosses e espirros) ou pelo contato físico, mas que também pode ocorrer por meio de algumas espécies de animais, como morcegos, aves, porcos, entre outros.

Período de incubação

Após a exposição, estima-se que o paciente pode demorar até duas semanas para demonstrar os primeiros sintomas da doença. Nesse meio tempo, ele pode infectar outras pessoas por não saber seu estado e não tomar as medidas necessárias.

Sintomas

Podem variar. Existem relatos de casos assintomáticos, casos semelhantes ao resfriado comum, e casos graves com pneumonia e insuficiência respiratória aguda. Geralmente, apenas crianças mais novas, idosos e pacientes com baixa imunidade sofrem com os sintomas mais graves da doença.

A vacina da gripe protege contra o coronavírus?

Não. Ela só é eficiente contra o vírus influenza. Não foi desenvolvida ainda nenhuma vacina que proteja contra o coronavírus.

Ainda nesse âmbito, entramos em contato com o médico infectologista André Cotia, que trabalha no Hospital das Clínicas da FMUSP para esclarecer algumas dúvidas em relação à situação do Brasil com os novos casos confirmados nas últimas semanas.

Quais as suas expectativas para o comportamento do vírus no Brasil? Por ser um clima tropical, pode ocorrer alguma mudança?

André Cotia: Como já vimos em outros países, o coronavírus tem uma alta transmissibilidade. Já sabíamos que chegaria ao país, a pergunta que nós, médicos, fazíamos era: quando? A partir de sua chegada, acreditamos que esse vírus, infelizmente, irá se espalhar pelo país, com aumento no número de casos suspeitos e confirmados a cada semana.

O clima tropical não irá impedir a disseminação, apesar de sabermos que no clima frio a transmissão dos vírus respiratórios é maior, principalmente por causa dos ambientes mais fechados.

O Brasil apesar de ser um país tropical apresenta todo ano grande número de casos de outros vírus respiratórios como a influenza, adenovírus, rinovírus e vírus sincicial respiratório.

Há motivos suficientes para todo esse pânico que foi estabelecido?

AC: No momento, não há motivo para pânico. Já enfrentamos pandemias semelhantes anteriormente, como a de outro coronavírus causador da SARS, em 2003, e a de influenza H1N1 em 2009. Esse vírus atual nomeado de SARS-Cov2, apesar de possuir potencial para causar uma epidemia e pandemia, como estamos vendo, possui uma letalidade baixa na população geral, em torno de 2%. A questão é que essa letalidade chegou a 14% em populações específicas – de idosos com comorbidades, tabagistas, pacientes com doenças pulmonares e cardíacas crônicas. Em pacientes não idosos e sem comorbidades a letalidade é em média de 0,2%, varia um pouco de um local pra outro. 

Mas, além disso, o vírus em nosso país lavará a um número grande de pessoas doentes, em sua grande maioria com sintomas gripais leves que pode gerar uma sobrecarga no sistema único de saúde. Esse pânico e medo exagerado só piora a situação e leva mais pessoas a procurarem atendimento até mesmo sem apresentarem sintomas.

Quais as medidas mais eficientes para se proteger contra a doença?

O que podemos fazer para evitar a contaminação são as mesmas medidas que fazemos para evitar a gripe por influenza. Evitar locais com aglomeração de pessoas, principalmente se forem ambientes fechados, higienizarmos as mãos com álcool gel 70% ou água e sabão. E, se estivermos com sintomas gripais, usarmos máscaras e praticarmos medidas de etiqueta da tosse, como cobrir com lenço ou braço na hora de tossir.

Você enxerga essa gestão atual como capaz de controlar e reverter a situação? Acha que estão fazendo um bom trabalho?

Vejo um número grande de ações governamentais e políticas de saúde pública para diminuir o número de casos no país, desde a primeira semana de janeiro. Mas, pelo próprio caráter de alta transmissibilidade do vírus, o completo controle e eliminação é muito difícil.

É complicado avaliar em termos nacionais, o combate à disseminação do vírus no estado de SP e até mesmo na cidade São Paulo é muito diferente de cidades e estados com menos estrutura no sistema de saúde pública.

É quase impossível o rastreio e instituição de quarentena de todos os casos contactantes, é fundamental o monitoramento da progressão no número de casos através de ações de notificações online já implementadas e investimento em assistência médica em locais com grande número de pacientes contaminados e doentes pelo SARS-cov2. Sem falar em ações de conscientização e tranquilização da população com informações corretas, acessíveis e objetivas.

Tenho visto um esforço grande das autoridades de saúde nacionais e no estado de SP para isso, sem falar das sociedades e organizações médicas para combater informações falsas e pânico.”

Dessa forma, podemos assegurar que não há motivo para pânico e para a tomada de medidas extraordinárias. Deve-se, apenas, tomar os cuidados necessários para impedir a contaminação da doença para o maior número de pessoas possíveis. Em caso de suspeitas, procure o hospital ou posto de saúde mais próximos e faça os exames necessários e recomendados por um médico especializado.

Além disso, é importante evitar a propagação de novas fake news em relação ao assunto nas redes sociais. A busca por informação apenas em sites confiáveis, escritos por pessoas que são bem informadas sobre a problemática e podem passar o máximo de informações verídicas ao público, é essencial.  

Para sanar mais dúvidas, acesse os sites:

https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/surto-de-coronavirus-perguntas-e-respostas/

http://www.saude.sp.gov.br/resources/cve-centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de-vigilancia/doencas-de-transmissao-respiratoria/coronavirus.html

https://www.saude.gov.br/fakenews/coronavirus

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Por Anna Casiraghi – Fala! Cásper

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