Conheça a realidade dos professores no ensino remoto
Menu & Busca
Conheça a realidade dos professores no ensino remoto

Conheça a realidade dos professores no ensino remoto

Home > Universidades > Conheça a realidade dos professores no ensino remoto

Após viralizar em post de aluna no Twitter, professora conta como tem lidado para ministrar suas aulas de forma remota

O ensino a distância, mais conhecido como EAD, tornou-se uma nova realidade no cotidiano de diversos alunos e professores brasileiros. Débora Meneghetti, de 67 anos, é um desses exemplos.

No início de maio, a professora de matemática ficou famosa no Twitter após um post de sua aluna Laura. A estudante contou em sua rede social que ficou com pena de Débora porque ela estava com dificuldades de mexer na plataforma, segundo Laura, a professora pediu para sair da aula com voz de choro. A postagem teve cerca de 143.000 curtidas, além da classe, muitas pessoas de fora se comoveram e mandaram mensagens de conforto para a educadora, oferecendo ajuda para auxiliá-la na resolução do problema que a mesma estava enfrentando. 

professores no ensino remoto
Estudante conta que ficou com pena de Débora. | Foto: Reprodução Twitter.

Por conta da nova pandemia causada pela Covid-19, escolas e faculdades foram obrigadas a fechar suas portas e ceder lugar para as aulas remotas, através delas, os alunos mantêm sua rotina de estudos diariamente de forma limitada e segura. Em tempos de isolamento social, os professores enxergam a necessidade de se reinventar dia após dia para ministrar suas aulas nas novas plataformas digitais, por meio delas, os encontros com alunos são feitos e o conteúdo é ensinado.

Entretanto, assim como Débora, nem todos os educadores possuíam recursos e conhecimentos suficientes que lhes permitissem lecionar através dos meios tecnológicos. Muitos enfrentaram dificuldades para se adaptar a esta nova rotina. 

A professora recifense, que leciona em um colégio de referência na capital pernambucana, conta como foi sua reação quando descobriu que as aulas migrariam para o método EAD:

Eu fiquei um pouco assustada porque nunca tinha feito nada disso, apesar dos 46 ou 47 anos de ensino, eu nunca havia dado nenhuma aula de forma remota e nem estava preparada para isso. O colégio deu um treinamento para nós, ficamos treinando de quinta a domingo, mas, quando fui preparar minha aula, descobri que a câmera estava quebrada e a placa de som do computador estava danificada, eu não tinha nada.

Explica.

Apesar de não possuir todos os materiais necessários, Débora persistiu e deu início às aulas não presenciais na segunda-feira (4 de maio). Ao ser questionada sobre a situação exposta por sua aluna no Twitter, a professora explicou como tudo ocorreu:

“Quando eu fui apresentar a aula, a Internet estava com uma velocidade maluca, sei lá o que aconteceu, só sei que não me escutavam e eu não consegui compartilhar arquivos. Na hora que aconteceu, eu fiquei triste por não conseguir fazer o que tanto planejava, ou seja, fui dormir quase duas horas da manhã e não dei a minha aula”. 

A reação dos alunos foi de uma super compreensão, empatia total. Eles me cobriram de mensagens lindas, como ‘professora, nós te amamos’, ‘professora, não fica triste não, é assim mesmo’, começaram a me oferecer ajuda pelo bate-papo e foi tão bonito que eu comecei a chorar.

Acrescenta. 

Pontos positivos do ensino remoto

Embora o ensino a distância seja repleto de diversas limitações que não permitem o mesmo contato e experiências das aulas presenciais, a educadora enxerga alguns pontos positivos nesse novo método:

“Mesmo que eu não esteja vendo a carinha deles, porque o vídeo e áudio dos alunos ficam bloqueados, então eles só se manifestam através do chat com a coordenadora intervindo, pela quantidade de perguntas por exercício, eu imagino que alunos tímidos, que antes não perguntavam por conta da exposição em sala de aula, agora, estão se manifestando, pois estão ocultos. Por incrível que pareça, a participação está muito boa, até melhor do que antes”.

EAD
O ensino a distância também tem suas vantagens. | Foto: Reprodução.

Além disso, ela também declara que o ritmo das aulas está diferente:

Eu tenho que explicar mais vezes cada questão antes mesmo das perguntas, porque eu não estou vendo a fisionomia dos alunos e os olhos deles dizem muito, às vezes eles falam que estão entendendo, mas os olhos mostram que eles estão viajando. Então, eu suponho que ninguém está entendendo e reexplico cada questão duas ou três vezes, de forma mais lenta, para depois eles se manifestarem em relação às dúvidas.

Explica. 

Mesmo com todos os empecilhos, assim como inúmeros professores, Débora segue na luta diária pela educação com a mesma motivação de sempre: o amor pela profissão e pelos estudantes. Em tempos de pandemia, o trabalho desses profissionais está sendo dobrado e exige muito mais esforço deles, aulas que antes demoravam vinte minutos para serem planejadas, agora levam em média cinco horas para ficarem prontas. Entretanto, pouco a pouco eles vão se adaptando à nova rotina e moldando os métodos de ensino, para que seus alunos possam aprender da melhor maneira possível.  

Ela finaliza com uma mensagem para professores e alunos: “Ser professor não é só uma profissão, é uma missão designada por Deus e que a gente deve cumprir da melhor forma possível. Eu acho isso porque nós ajudamos a construir o futuro das pessoas e essa é uma das mais nobres missões. Aos alunos, eu diria para respeitarem e serem amigos de seus professores, pois eles são como um pai e uma mãe, que sempre estão pensando em ajudar, a fim de que vocês cresçam e melhorem. Sejam amigos deles, respeitem e os ajudem, porque uma aula é uma troca de experiência e energia”. 

__________________________________
Por Samira Paiva – Fala! Cásper

Tags mais acessadas