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5 Raps que atacam políticos e autoridades

5 Raps que atacam políticos e autoridades

Que o hip hop e o rap são instrumentos de protesto e um movimento social por si só de contestação, nós já sabemos, poderíamos listar aqui milhares de sons que fazem criticas ao racismo estrutural, ao preconceito, a truculência policial e a marginalização dos mais pobres na sociedade, porém, vou listar os sons e “disses” (músicas que tem como objetivo único atacar/insultar alguém através das linhas), que, no meu ver, são fortes, importantes e que acima de tudo contestam, mas que na visão dos citados nas letras, são subversivos e deveriam ser censurados, afinal, muitas vezes é mais fácil calar o oprimido do que dar voz a suas ideias.

FDT- YG & Nipsey Hussle

Alvo: Donald Trump    

FDT- YG & Nipsey Hussle

Lançada em 2016, durante a corrida presidencial dos Estados Unidos, em meio a todas as polêmicas ditas por Trump nos debates e nos comícios, que envolviam discursos nacionalistas, recheados de preconceito, xenofobia e machismo, os rappers da costa oeste tinham um recado claro para o até então candidato republicano: Fuck Donald Trump (dispensa traduções).

I’m ‘bout to turn Black Panther
Don’t let Donald Trump win, that nigga cancer
He too rich, he ain’t got the answers
He can’t make decisions for this country, he gon’ crash us

TRADUÇÃO:
estou prestes a me tornar um Pantera Negra*,
não deixem Donald Trump ganhar, esse cara é um câncer,
ele é muito rico, não tem as respostas,
ele não pode tomar decisões para este país, ele vai nos falir!

*(grupo revolucionário que surgiu nos EUA na década de 60 que tinha como ideal a resistência armada e a autodefesa dos negros)

O rapper YG, revelou depois, que o Serviço Secreto americano estava o investigando por conta da música, e que até mesmo chegou a pedir para que sua gravadora mandasse as letras do seu álbum que estava sendo produzido, para que checassem, e até mesmo censurassem.

CURIOSIDADE: no mesmo ano, YG se apresentou em uma faculdade em San Diego, porém, em seu contrato, havia apenas uma condição: NÃO TOCAR A MÚSICA, pois bem, na última música, adivinhem, o final apoteótico, o rapper rasgou o contrato e entoou o grito junto a multidão: fuck donald trump. Resultado? Perdeu o cachê de 60 mil dólares, mas não pareceu se importar, aquele momento valeu mais do que qualquer quantia.

Primavera Fascista – Bocaum, Leoni, Adikto, Axant, Mary Jane, Vk Mac & Dudu

Alvo: Jair Bolsonaro

Primavera Fascista – Bocaum, Leoni, Adikto, Axant, Mary Jane, Vk Mac & Dudu

Uma Cypher de quase 10 minutos, 7 mc’s do Espírito Santo (estado em que Bolsonaro teve maioria eleitoral), despejam suas linhas com único alvo, Jair Messias Bolsonaro. Em um cenário bem parecido com o da eleição de Trump, a música foi lancada dias antes do 2 turno, e num momento tão instável como o vivido durante as eleições, em que pessoas discutiam e cortavam laços por divergências politicas, a música soou quase como uma iconoclastia para os apoiadores do político.

Houve campanhas na internet para censurar e derrubar o vídeo do Youtube, o que foi feito, porém, depois, ele voltou ao ar.

A prova de como a música teve efeitos diversos é vista na contagem de likes: 250 mil, e dislikes: 200 mil. Mas a intenção dos rappers foi obtida: tocar na ferida.

Cês falam em nome de Deus, mas são diabo
E o seu conceito de família, anda atrasado
Sou Marielle e Mestre Moa

Eu vim da lama lapidado, pique diamante de Serra Leoa

Fuck Tha Police – NWA

Alvo: Polícia de Los Angeles (LAPD)

Fuck Tha Police – NWA

A música que inspirou essa lista, e provavelmente a que mais causou polêmicas e censuras na sociedade americana. “Fuck tha police”, foi lançada pelo N.W.A (Niggaz Wit Attitudes), o maior representante do gangsta rap da história, em 1988, em um contexto muito delicado: 1 ano antes, a polícia de Los Angeles, que já era conhecida por sua austeridade e diferença de tratamento com brancos e negros, realizou uma operação conhecida como “Operation Hammer”, onde vários agentes foram destinados a combater a violência de gangues, e em 3 anos, 50 mil pessoas foram presas, a maior parte deles, jovens negros.

        I.            De 1984 até 1989, as reclamações de violência policial aumentaram em 33%

        II.            Menos de 1% dos 1.400 agentes que foram investigados por uso excessivo de força entre 1986 e 1990 foram processados 

E foi nesse contexto turbulento em que a música foi lançada. A narrativa do som é irônica, feita em storytelling, sendo o cenário um tribunal, com os membros do NWA no papel de juízes, e a polícia é a acusada, e no fim, por decisão unânime, ela é declarada culpada.

Fuck the police
Comin straight from the underground
Young nigga got it bad cuz I’m brown
And not the other color so police think
They have the authority to kill a minority

CURIOSIDADE:
O FBI enviou uma carta ao grupo desaprovando a letra da música, e “sugeriu” que eles não a cantassem em shows, o que não foi seguido pelo grupo, e que custou a segurança policial, que deixaram de escolta-los nos shows, por essa razão, o NWA não realizava turnês.

Dedo na ferida – Emicida

Alvo: Denunciar a repressão policial em ocupações

Dedo na ferida – Emicida

“Dedicado as vítimas do Moinho, Pinheirinho, Crackolândia, Rio dos Macacos, Alcântara, e todas as quebradas devastadas pela ganância”, é assim que Emicida começa a música, as linhas fortes, que criticam a imprensa, a polícia e o judiciário, a batida pesada, que remete aos boombaps da época em que o rap era mais politizado, e as imagens do videoclipe, gravadas na ocupação do Pinheirinho, dialogam e transitam entre si. O teor explosivo de “Dedo na ferida” é o contra ponto e a resposta as ações policiais nessas ocupações.

Grito como fuzis, uzis, por brasis
Que vem de baixo, igual machado de assis.
Ainda vivemos como nossos pais elis
Quanto vale uma vida humana, me diz?

Em 2012, após cantar a música em um festival em BH, o rapper foi preso por desacato a autoridade, Emicida foi algemado e levado à delegacia, segundo a PM, ele incitou o público a fazer gestos obscenos contra os policiais, porém, segundo o artista e seu produtor, a detenção ocorreu por conta da música.

Tô feliz (matei o presidente) – Gabriel, o Pensador

Alvo: Fernando Collor de Mello

Tô feliz (matei o presidente) – Gabriel, o Pensador

Lançada em 1992, em meio ao processo de Impeachment do até então Presidente, Fernando Collor, a faixa conta em forma de storytelling sobre como Gabriel o “assassinou”, virando um ídolo nacional, já que as manifestações pela saída de Collor foram a maior mobilização popular pós Diretas já, a comoção foi tamanha que na história, o povo, em festa, joga futebol com a cabeça degolada de Collor.

Todo mundo bateu palma quando o corpo caiu
Eu acabava de matar o Presidente do Brasil
Fácil um tiro só
Bem no olho do safado
Que morreu ali mesmo

Todo ensanguentado

5 dias após o lançamento da música, que já era uma das mais tocadas nas rádios, foi censurada pelo Ministério da Justiça, com a justificativa de que incentivava o assassinato de Fernando Collor, porém, menos de 1 mês após a censura o Impeachment foi aprovado, fazendo com que a música e Gabriel ficassem em evidência. 

25 anos depois, Pensador lançou a parte 2 da música, dessa vez, “matando” Michel Temer.

Alvos e críticas diferentes, mas todos com um ponto em comum, todos sofreram com algum tipo de censura, isso só evidência a importância do rap na sociedade, como instrumento de denúncia de injustiças sociais e de políticas segregatórias. 

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Por Gabriel Herbelha – Fala! Cásper

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