5 curiosidades sobre a Dinastia Stuart, antiga casa real da Escócia
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5 curiosidades sobre a Dinastia Stuart, antiga casa real da Escócia

5 curiosidades sobre a Dinastia Stuart, antiga casa real da Escócia

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A Dinastia Stuart foi uma das famílias reais que governaram a Escócia entre os anos de 1371 a 1714, em um momento bastante conturbado da história. Os vários monarcas da linhagem passaram por surtos de peste, pela caça às bruxas, pelo Grande Incêndio de Londres, invasões estrangeiras, guerras e rebeliões violentas. 

Além disso, a linha dinástica dos Stuart foi a única interrompida pelo governo de dois Lordes Protetores, Oliver Cromwell e seu filho, devido à Revolução Puritana. Mas você conhece todos os detalhes sobre esse momento histórico inglês? Confira agora 5 curiosidades sobre a Dinastia Stuart e seu período de governo.

Conheça 5 curiosidades sobre a Dinastia Stuart

1. A vida amorosa complicada do Rei Jaime Stuart I

Rei Jaime I, ou James Stuart, foi um dos reis na Dinastia Stuart.
Rei Jaime I, ou James Stuart, foi um dos reis na Dinastia Stuart. | Foto: Reprodução.

Jaime I teve uma infância caótica, e parte disso é atribuída como motivo para suas escolhas futuras. Destinado ao trono desde pequeno, com a morte de seu pai e a prisão de sua mãe, ele cresceu solitário e sob os cuidados de seus regentes, que eram bastante duros com o jovem. 

O Rei casou-se com a princesa Anne da Dinamarca em 1589 e a princípio, o casamento ia muito bem. Foi quando eles tiveram seu primeiro filho, Henry, que os problemas começaram a aparecer.

Jaime teve seu primeiro caso enquanto Anne estava grávida e eles passaram a se desentender. Ao nascer, o jovem príncipe Henry foi afastado da mãe pelo Rei e enviado para viver a quilômetros de onde moravam. As brigas pioraram com o passar dos anos, levando Anne a uma total exaustão e um aborto em 1595. 

Além disso, historiadores apontam também que o Rei Jaime I poderia não ser heterossexual. Há diversos relatos de relações homoafetivas envolvendo o rei. Ainda com 13 anos, ao assumir o trono, ele teria se aproximado e se apaixonado por Esmé Stewart, um homem casado de 37 anos, e usado seu poder para promovê-lo a Duque de Lennox. Conta-se também que, quando o rei já era mais velho e seu casamento praticamente não existia mais, ele também se tornou próximo de outros homens da corte, como Robert Carr e George Villiers.

2. A Noite de Guy Fawkes e a Conspiração da Pólvora

Ainda hoje, na Grã-Bretanha, é celebrada a Noite de Guy Fawkes.
Ainda hoje, na Grã-Bretanha, é celebrada a Noite de Guy Fawkes. | Foto: Heather Buckley/Wikimedia Commons.

Anualmente, no dia 5 de novembro na Grã-Bretanha, é celebrada a Noite de Guy Fawkes. Soltam-se fogos de artifício e fazem reuniões ao redor de fogueiras, tudo isso por causa de um evento ocorrido na época da Dinastia Stuart. 

A celebração que ocorre até hoje é em razão do fracasso da Conspiração da Pólvora, liderada por um homem chamado Guy Fawkes e um grupo de católicos em 1605. Eles queriam explodir a Casa do Parlamento e assassinar o Rei Jaime I, na tentativa de restaurar a monarquia católica no país. No entanto, Fawkes foi descoberto e preso com 36 barris de pólvora e o ataque nunca ocorreu.

3. O diário de Samuel Pepys

Samuel Pepys foi um importante membro do Parlamento e administrador da Marinha da Inglaterra durante o reinado de Carlos II e Jaime II. Porém, o seu feito mais marcante na história provavelmente foi seu diário. Escrito desde 1660 até 1669, mistura detalhes íntimos de sua vida pessoal com momentos importantes da história inglesa, como os surtos de peste bubônica e o Grande Incêndio de Londres.  

Pepys nunca quis que o diário fosse a público, pelo menos não enquanto ele estivesse vivo. Ele escrevia em taquigrafia (forma de escrita rápida e abreviada, que muitas vezes dificulta a compreensão) e misturava diversos idiomas, dentre eles o espanhol, o francês e o italiano. Contudo, atualmente é considerado o diário mais famoso da Grã-Bretanha e se tornou uma importante fonte usada por historiadores para entender os detalhes da vida naquele período.

Escritas do diário de Samuel Pepys, em taquigrafia.
Escritas do diário de Samuel Pepys, em taquigrafia. | Foto: Wikimedia Commons.

Por volta das sete, me levantei novamente para me vestir, e olhei pela janela e vi o fogo não tanto quanto estava e mais longe. Então, para o meu armário para consertar as coisas depois da limpeza de ontem. Aos poucos, Jane chega e me diz que ouviu que mais de 300 casas foram queimadas esta noite pelo incêndio que vimos, e que agora está queimando toda a Fish-street, perto da London Bridge. Então me preparei imediatamente e caminhei até a Torre, e lá subi em um dos lugares altos, o filho pequeno de Sir J. Robinson’s subiu comigo; e lá eu vi as casas naquela extremidade da ponte todas em chamas, e um grande incêndio infinito neste e no outro lado da extremidade da ponte.

trecho do diário de Pepys durante o Grande Incêndio de Londres, 1665

4. Mary, Queen of Scots (Maria da Escócia): a mais famosa de toda a Dinastia Stuart

Mary Stuart, da Disnastia Stuart, e Lord Darnley.
Mary Stuart, da Disnastia Stuart, e Lord Darnley. | Foto: Wikimedia Commons.

Provavelmente, a personalidade histórica mais conhecida da Escócia é uma Stuart: Mary, Queen of Scots. E não é à toa, a vida completa de Mary Stuart foi emblemática do início ao fim. Do em que se tornou rainha de forma bastante precoce até sua morte trágica aos 44 anos. Foi com apenas seis dias de vida, quando seu pai morreu, que Mary se tornou a rainha da Escócia. Porém, como não é viável que alguém tão jovem possa governar um país, a Escócia passou por um período de regência até que Mary crescesse. 

Mary, casou-se com o rei francês Francisco II em 1558 e assumiu assim, também o trono da França. E foi nesse momento que a grafia do sobrenome da Dinastia Stuart se tornou como a conhecemos hoje. Antes, os ascendentes de Mary eram conhecidos como “Stewarts”, porém, um tempo antes de seu casamento arranjado, ela mudou a grafia e retirou o W, letra não tão comum na língua francesa, para tornar mais fácil a pronúncia no país onde agora morava.

Mas o que tornou mesmo Mary famosa na história foi a relação complicada que ela tinha com a rainha da Inglaterra, Elizabeth Tudor, nada menos do que sua prima. Tudo começou após o falecimento do primeiro marido de Mary e sua união com Lord Darnley, que fez a rainha inglesa a ver como uma ameaça ao seu trono. O assassinato de Darnley pouco tempo depois tornou a relação ainda mais amarga, e o terceiro casamento de Mary com James Hepburn, acusado do assassinato de seu ex-marido, foi o estopim para a sua impopularidade. 

Toda essa situação fez com que a rainha escocesa fosse presa e forçada a abdicar do trono. Mary, Queen of Scots viveu em cativeiro por 19 anos até ser sentenciada à morte e decapitada, acusada de conspirar para assassinar a rainha Elizabeth.

5. As noites de máscara dos Stuart

Reprodução fantasiosas das mascaradas.
Reprodução fantasiosas das mascaradas. | Foto: Royal Collection Trust/© Her Majesty Queen Elizabeth II 2017.

As “masques”, do inglês, eram eventos comuns entre o século XVI e XVII, nas cortes britânicas. Eles consistiam em uma mistura de baile, com espetáculos teatrais, com interpretações de poesia, dança e canto, e aconteciam sempre no Whitehall e Hampton Court durante a Dinastia Stuart. A música se tornou essencial devido ao Renascimento, junto à geometria, à aritmética e à astronomia. E as proporções perfeitas e relações numéricas no geral eram usadas na arte e na ciência e vistas como uma prova da existência de Deus. 

O período era de música barroca e a voz humana desempenhou um papel central. Além disso, instrumentos como alaúde, a viola e a flauta doce faziam parte das celebrações. As mascaradas começavam sempre com uma história que encenava um reino ideal, governado pelos Stuarts e o suposto caos que seria um país sem eles. 

Então, o final da celebração era seu momento mais aguardado: a dança. O Rei dançava e depois os cortesãos, e às vezes a rainha e suas damas dançavam também. Eram apresentações feitas para a corte e, segundo historiadores, foram responsáveis por tornar a música uma prática mais comum e viva na época.  

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Por Leticia Negrello Barbosa – Fala! UFPR

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