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Whatsapp: a máquina de Bolsonaro que alimentou uma eleição

Pela primeira vez em uma corrida presidencial o tempo de televisão não tem influenciado nas pesquisas tanto quanto nas eleições anteriores. Mas sim, outro fator tem sido determinante: o Whatsapp.

A facilidade em compartilhar notícias, sem conferir a sua procedência, trouxe um resultado surpreendente. Um candidato com apenas 8 segundos de televisão está liderando e com chances de liquidar ainda em primeiro turno. Mesmo com inúmeras notícias e vídeos contra o candidato, onde mostram declarações racistas, homofóbicas e com momentos em que o próprio afirma não entender de alguns quesitos administrativos, essenciais para um presidenciável, algum fator estava lutando à mesma altura contra tantas evidências.

Eu, Danilo Lacalle, autor desta matéria, produtor e redator do Fala!Universidades quis entender melhor sobre o que jogava contra as evidências que mostram o despreparo de Bolsonaro junto a suas declarações polêmicas. Buscando notícias falsas pela internet para realizar outra matéria, a das Fake News que você provavelmente caiu, encontrei um site chamado ZAP do Bolsonaro. E é aí que a matéria começa.

Vale lembrar que este mesmo conteúdo foi noticiado aqui, no Fala!Universidades, há 11 dias. Clique e confira.

Site “Zap do Bolsonaro”. Os mesmos afirmam que trabalham para a campanha do candidato
3 dos 150 grupos conhecidos  que compartilham notícias, verdadeiras e falsas, pró Jair Bolsonaro.

Um site com 150 grupos pró Jair Bolsonaro. O que é algo normal em uma campanha. Mas que evidencia de onde sai tanta força nas pesquisas.

No Whatsapp, ao soltar um vídeo ou matéria, independente da sua procedência, seu compartilhamento é simples e pode atingir muitas pessoas se forem colocados em grupos, e que muitas destas podem ser influenciadas por tal conteúdo, visto o atual cenário que vivemos onde apenas uma pequena parcela checa, de fato, a veracidade do que recebe. Uma inocência.

Ao entrar nestes grupos, vi que um número foi o responsável por estes. Uma única imagem de Jair Bolsonaro como ícone em todos e o fato de ninguém, além dos administradores poderem enviar mensagens ou conteúdos (o que eu não sabia que existia tal possibilidade), são características predominantes.

“Somente Administradores podem enviar mensagens”

Busquei o número no Google a fim de descobrir quem era. Se alguém contratado pela campanha ou não. O que adianto que esta última conclusão não conseguimos tirar. Mas descobrimos quem é. Um tweet de 2016 do Vem Pra Rua Boston, de resposta a uma usuária, apresenta o número em destaque. Número americano. E que nos fez encontrar uma página com muitas curtidas e que também compartilha muitas notícias. Dentre elas, Fake News.

O Número, a partir do modo que foi buscado, “Ao pé da letra”, direcionou a um tweet. Feito por uma página. Provavelmente administrada por Carlos Nacli.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vídeo falando que Dilma Roussef deu 1 bi a Cuba, o que é falso. O que ocorreu foi um empréstimo a 5 países da América.

Mas apenas no final do dia recebi mensagens. Inúmeras. Videos, fotos, tudo para viralizar. Com mensagens de apoio ao candidato, e com informações que variam de verdades a notícias falsas. Isso tudo, a um simples toque de ser compartilhado e enviado para centenas ou milhões de pessoas conectadas na rede.

Carlos Nacli. É o único Administrador e provável criador dos grupos que compartilham os conteúdos.  O Brasil ainda não tem uma legislação específica para punir quem produz e compartilha notícias falsas ou sem embasamento, mas isso não quer dizer que quem não checa a veracidade das informações compartilhadas está livre de ser responsabilizado. Existem instrumentos legais para acionar produtores e divulgadores de fake news nas justiças civil e criminal. Para as eleições, especificamente, também existem parâmetros para enquadrar quem tenta prejudicar os candidatos. O Fala! não conseguiu evidências de que ele seja contratado pela campanha de Jair Bolsonaro.

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