Voluntários do Natal
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Conheça a solidariedade dos voluntários presente nas ações de Natal.

Luan César recebe o seu presente da Campanha Natal Solidário. Crédito: Carina Gonçalves.

O espírito de Papai Noel está nos corações de muitas pessoas ao realizar voluntariado na época de festas. Nele ocorrem diversas ações solidarias por todo o país. “O sorriso da criança paga o trabalho de todo mundo”, afirma Amanda de Paula, 38 anos, pedagoga do CCA (Centro da Criança e do Adolescente) da Igreja Presbiteriana Betsaida.

Amanda conta a satisfação e com os olhos brilhando ao ver a felicidade das crianças de receber o kit de Natal pela mão dos voluntários. Ela e todas as funcionárias se unem desde setembro a dezembro para organizar a Campanha do Natal Solitário para algumas crianças matriculadas da instituição. Nesse kit tem um brinquedo, livro, camiseta e chinelo novos junto com uma cartinha do voluntario.

Antes da festa do encontro entre as crianças, famílias e as funcionárias do CCA realizam uma ficha de cada criança com foto, descrição de cada um e tamanho do pé e roupa. Todos os currículos dos pequenos são encaminhados para os apoiadores da causa escolherem.

As pessoas se identificam com a criança e tem pessoas que tem algo dentro delas que quer suprir. Alguns não tem filhos, mas na hora de apadrinhar uma criança procura na ficha alguém do perfil delas. Elas compram como se fosse para um filho.

Diz Amanda

Esse projeto esteve desde o começo da instituição, mas depois esfriou e voltaram a fazer em 2015 e 2016. Entretanto, em 2017 pararam novamente devido a situação financeira do país. Além do bolso quase vazio da população, ocorre outro problema

Algo que atrapalha muito ação do voluntariado é a desconfiança, por causa da situação do país de corrupção atrapalha um pouco quando você quer desenvolver um trabalho sério as pessoas estão sempre com um pé atrás, mas quando mostramos toda a transparência e dá o feedback para o voluntario ele acredita mais na causa.

Afirma Amanda.

Esse feedback ocorre pelas cartinhas das crianças para os voluntários e o aval dos funcionários para os esses Papai Noel’s. Estes em 2019, foram os irmãos da Igreja Kyrios e de Pirituba, que aceiram a missão de antecipar o Natal das crianças e depois ainda teve mais pessoas também querendo fazer as sacolinhas.

Nesse ano, a ação atendeu 250 crianças (100 do CCA e 150 de uma das creches). As pequenas ao verem os presentes chegando ficaram animadas por gritos e pulos, encarando aquelas sacolas verdes durante a refeição com curiosidade querendo saber qual seria o seu. Quem estava ajudando a distribuir os pacotes eram a família Pacheco, que presentava os 1200 membros da Igreja Kyrios. “Quando a gente comprou pensamos o quanto amado ele (a criança) iria se sentir com aquele presente”, disse a administradora Pamela Pacheco, 28 anos.

Além do CCA, com cada grupo de 60 crianças que passam metade do período do dia, a Betsaida tem outros três polos o abrigo de 15 jovens que moram na casa de 0 a 18 anos, o CEI (Centro de educação infantil) de duas creches (uma com 150 e outra de 250 pequenos). Eles atendem famílias em situação de venerabilidade, então muitas dessas crianças não teriam uma roupa nova para vestir nas festas do final de ano e nem a presença do bom velhinho embaixo da árvore.  

Advogada Tânia Alba, 61 anos, segura o livro da história da ONG Ação da Cidadania. Crédito: Carina Gonçalves.

No Brasil, encontra-se muitas famílias na mesma situação. Segundo dados atuais do IBGE, a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) em 2018, apontou que 1/4 da população brasileira, ou seja 52,5 milhões de pessoas, 25,3% da população ainda vivia com menos de R$ 420 per capita por mês. Entretanto, houve uma redução da pobreza principalmente no Sudeste, com menos 714 mil pessoas nessa condição, principalmente no estado de São Paulo (menos 623 mil).

Assim ainda estando com um índice tão alto, a Ação da Cidadania luta para resolver o problema da fome no país. No final do ano realizam a Campanha Natal Sem Fome, a qual doam alimentos para famílias que não tem o que comer por todo o território nacional. Esse projeto se realiza por grupos de voluntários de cada estado, que recebem doações de alimentos de empresas e pessoas.

No ano passado, São Paulo arrecadou 120 toneladas de alimento, só a Camil arrecadou 37,5 toneladas e a JBS dou 2.700 kg pelos funcionários e a empresa fez um acordo que daria o dobro que por eles arrecadado. Logo, contabilizou 4.500 mil cestas, mas teve estados com 10 mil, pois depende da demanda de avaliação do nível da pobreza. Nesses lugares se destina grande quantidade de alimento, como as 180 toneladas da Paraíba que começam a campanha desde agosto.

Após organizar os alimentos em cestas, se destina para instituições com no mínimo 50 famílias cadastradas que são acompanhadas. Mais a advogada Tânia Alba, de 61 anos, que entrou na ONG em 2000 e organizou a campanha em 2018 e 2019, não atende nenhuma entidade e prefere realizar uma rede de solidariedade por meio de pegar algumas cestas e distribuindo para amigos e familiares entregarem para quem precisa, como moradores de rua e abrigos. “Essa campanha é para despertar o governante, que tem de fazer alguma coisa pelo povo”, conta Tânia.

Entretanto, há alguns anos havia parado de fazer a Campanha de Natal, pois até 2014 o Brasil não estava no mapa da fome. Desde a sua volta o projeto começou a ser refeito. Esse marco ocorreu entre os motivos a redução de verba e ações políticas dos governantes no país, que a afetaram negativamente na vida econômica do país e o aumento da pobreza que havia diminuído devido as políticas dos governos anteriores.

Ela sozinha já carregou muito alimento nas costas, fardo de 30 kg. Mais também contribuindo para a ação, a pedagoga aposentada Nadja Faraone, 72 anos, já saiu de muitos dos seus Natais devido ter gente no armazém para ir atender as pessoas do armazém organizando cestas de alimentos para entregar. “Nós gostaríamos de não precisar fazer, mas tivesse políticas públicas que desse conta”, afirma Nadja

Ela foi uma das fundadoras da Ação de Cidadania em 1993, fundado no Rio de Janeiro por Betinho. Naquela época, participava de um grupo que discutia política na Vila Sonia, quando ele chamou, pois 1/3 da população do país estava abaixo da linha da pobreza e se deveria fazer algo. Logo, se criou um Comitê, que atendia a Favela do Jardim Jaqueline. Em 1995, se criou uma ONG para dar sustentação.

Durante os anos atuou como voluntaria, conselheira fiscal e coordenadora geral e executiva, mas atualmente é voluntaria na Rede Paulista de Tuberculose, associação do Ação da Cidadania.

Porém, ao perguntarmos quais os desejos para os projetos ano para as entrevistadas a Amanda tem a cerveja de todas as crianças do Betsaida serão apadrinhadas, Tânia o fim da corrupção e Nadja mais políticas públicas.

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Carina Gonçalves – Fala!MACK

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