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Bird Box: A Impossibilidade da Visão e o Feminino no Cinema

Bird Box: A Impossibilidade da Visão e o Feminino no Cinema

Por Miller Ludgerio – Fala!Anhembi

Ao término do ano de 2018, o filme Bird Box foi lançado pela Netflix e imediatamente alcançou tanta audiência quanto despertou questionamentos referentes ao que ele apresenta.

No filme, os humanos refugiam-se de criaturas que instigam pertubações mentais e atos violentos quando encaradas. Dos objetivos tidos pela protagonista materna, interpretada por Sandra Bullock, destacam-se as tarefas de cuidar e proteger a si mesma e aos filhos, identificando-os apenas como garoto e garota, e insistindo que não desvendem os olhos para que possam sobreviver.

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Ensaio Sobre a Cegueira

Acontece que, em 2008, havia sido a vez de outro filme tratar da ausência do sentido da visão, Ensaio Sobre a Cegueira, que entre as semelhanças, é também uma adaptação homônima correspondente a um livro. Neste filme, chamo a atenção para a personagem feminina interpretada por Julianne Moore, imune ao clarão que vem cobrindo a vista dos indivíduos, inclusive a de seu marido, que passa a depender totalmente dela. Frente a epidemia, o casal junta-se com outros de senso debilitado, num vínculo de camaradagem e resistência, ao tempo que são levados para um confinamento onde sofrem o embate com aproveitadores perversos que trocam alimentos pela submissão das mulheres em atos sexuais.

De Olhos Bem Fechados

De paralelo, ainda há um outro filme na relação, se voltarmos mais alguns anos. Lançado em 1999, De Olhos Bem Fechados. Subjetivo quanto sua denominação, este filme trata do incômodo na situação de desamparo e desilusão que a personagem de Nicole Kidman provoca ao marido aristocrata quando lhe apresenta verdades da situação matrimonial que cultivam, e que ele idealizava até então. Partindo disso, o personagem envolve-se num cenário peculiar com rituais secretos, bem como a identidade dos praticantes desconhecidos e intimidadores que o cercam.

As três obras audiovisuais trazem a discussão de uma mesma ideia que retorna quase que uma vez a cada década, e direcionam desde o nome escolhido para uma historia em que a má regulação e aplicação dos sentidos frente à percepção pode abrigar a omissão de suas relações próprias com os quais lhe forem exterior- num cioso retrato cinematográfico que exibe o feminino na comunicação, cuja problemática não difere mas dialoga com os atributos significativos de relações familiares e amorosas. Por obra do acaso ou não, validam-se juntas enquanto críticas que se reafirmam com o tempo e questionam o social com o entendimento sensitivo do corpo que o torna possível através do contato, num olhar interpretativo que se propõe focar nos modos de vivência por diversos exemplos de posição passiva, visto as três décadas dos filmes que mudaram naturalmente por avanços tecnológicos, contextos políticos, e formas expressivas.

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