Vigiar e punir, a era do cancelamento e as técnicas de punição
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Vigiar e punir, a era do cancelamento e as técnicas de punição

Vigiar e punir, a era do cancelamento e as técnicas de punição

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As perspectivas do linchamento virtual (também conhecido por cancelamento), que muitas vezes não surtem efeito

A humanidade sempre foi adepta a uma conduta de averiguação da verdade através de punições severas, como os esquartejamentos, torturas em praças públicas, queima de corpos na fogueira e tantas outras. Aqueles que iam contra os ideais do Clero e do Estado eram condenados a esse doloroso fim.

Isso era comum na Idade Média, o tempo passou e os moldes são quase os mesmos, fomos engolidos pela grande onda do chamado “cancelamento”, o cancelamento da reputação de alguém, seja figura pública ou anônima, independente de raça, crença e religião.

A palavra cancelamento se tornou banalizada nos meios cibernéticos e com um intuito negativo, com intuito justamente de banir e punir uma pessoa pelo simples fato dela ir contra um pensamento geral dos twitteiros de plantão, simplesmente por um tweet de 10 anos atrás, por uma briga com algum famoso ou por uma linha de pensamento político.

Nos tornamos uma geração superficial, que ignora que ali, do outro lado da tela, existe um ser humano que, claro, talvez tenha muito a desenvolver como indivíduo social, mas que certamente não precisa de um bruto linchamento virtual – em que pode vir a desencadear questões psicológicas, depressão, ansiedade, síndromes do pânico e tantas outras.

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Entenda os problemas do cancelamento e das técnicas de punição. | Foto: Unsplash.

O problema do cancelamento

A questão do cancelamento não só é prejudicial para quem sofre como também para quem pratica o linchamento, mostrando, assim, que nossa geração se tornou ridícula e banal, sem realmente nada para fazer, que sai por aí destilando ódio e cancelando tudo e todos.

Mas, atualmente, é necessário ter uma conexão com uma vida real, de verdade. E, no caso de personalidades públicas, preconceitos, comentários infelizes acabam por vir à tona e mostrar a real face daquela, uma garantia de ser como é, faz diferença.

Tentar apagar uma publicação é dar um tiro no próprio pé, e não reconhecer o erro. É contornar a situação de um jeito totalmente egoísta, sem ao menos tentar tirar bom proveito do ocorrido e evoluir como indivíduo social.

Foucault aborda em sua obra Vigiar e Punir que o poder é repressivo e que somos constituídos por tecnologias políticas, por técnicas de poder. Essas técnicas de poder se afloram em nosso comportamental diante de determinadas situações e é daí que recorremos às práticas de linchamento, humilhação e cancelamento.

Mesmo que amparado em razões teoricamente justas, tal cultura se mostra massiva, implacável e violenta. Muitas vezes, as informações que correm pela Internet acabam por ser falsas e, como nesse território tudo é instantâneo, a onda de agressão cai sobre determinada pessoa em questão de segundos.

O ponto é, não há problema algum em querer que alguém aprenda com seus erros, saiba reconhecer e evolua como pessoa, mas decair de maneira massiva, de certo modo exagerada e hipócrita, é como querer tapar o sol com a peneira.

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Por Douglas Norberto – Fala! Cásper

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