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Viagem Missionária ao Haiti

Viagem Missionária ao Haiti


Por Heloise Pires – Fala! FIAMFAAM

Já pensou em sair do ostracismo? Sair da sua zona de conforto pelo simples desejo de ajudar, de se fazer presente na vida de uma pessoa – ou mesmo de várias – através de projetos sociais?

Essa foi a atitude tomada pela jovem estudante de música Johana Lencioni, de 27 anos. Em um exercício contra o egoísmo, ela buscou um olhar ampliado e renovado sobre o mundo e as pessoas através da doação do seu tempo e dedicação.

Johana sempre morou, estudou e trabalhou em “cidade grande”. De fé evangélica, notou, após um longo tempo de reflexão, que sua vida faria muito mais sentido se liberta do cabresto imposto pela sociedade capitalista. Depois de uma conversa com o seu pastor, buscou projetos que lhe permitiriam cumprir esse desejo. Foi quando surgiu a oportunidade, no começo de 2017, de ir até a cidade de Pedrinhas, uma cidade de 10 mil habitantes no estado de Sergipe, onde trabalharia em ajuda à população do sertão.

Mas Johana encontrou algumas complicações no trabalho que a impediram de ir a Pedrinhas. O seu projeto de benevolência foi adiado, mas a esperança se manteve; até que aquele mesmo pastor a avisou de um projeto parecido, mas ainda maior, no Haiti¹.

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O convite era ir ao Haiti para dar aulas às pessoas carentes que frequentavam a escola mantida por um casal, Evaldo e Astrit, que também a abrigariam. Foi esse casal quem deu a ideia de Johana dar aulas de inicialização musical – os haitianos gostam muito de música, mas não têm acesso às teorias musicais como nós temos aqui.

Para dar as aulas de música, Johana teria que conseguir 50 flautas doces para atender cada aluno. A igreja da qual Johana faz parte decidiu ajudar financeiramente esta missão, mas não era o bastante; ela compartilhou a informação com seus amigos e familiares e começou a receber doações mas, mesmo assim, só conseguiu 37 flautas.

Chegando na capital do país, Porto Príncipe, a jovem estudante de música entrou em choque: era difícil acreditar que estava no centro cultural e financeiro do Haiti, onde teoricamente tudo acontecia. O lugar era bem pouco evoluído tecnologicamente, e não era incomum encontrar pela cidade as ruínas do terremoto² que atingiu o país há mais oito anos. Ali, no primeiro encontro, Johana percebeu o quão seria necessária a sua dedicação total para com o país.

Ainda assim, ela não foi para ficar na capital, mas em uma cidade afastada no sul do Haiti, chamada Les Cayes, com cerca de 45 mil habitantes. Ali, na região entre Les Cayes e uma cidade vizinha, a relativamente grande Cap-Haitien de 280 mil habitantes,  ela ministraria suas aulas.

Logo de início, Johana notou que iria dar aula não somente para crianças, mas também para adolescentes. Ainda mais motivada, não demorou a preparar todo o material necessário para dar suas aulas. “É um país completamente imprevisível”, conta a jovem, que fez sua própria lousa de madeira fina e tinta.

Em relação a suas aulas e seu intuito de ajudar, tudo ocorreu bem. Para Johana, a dificuldade maior era em se relacionar, pois os haitianos são um povo muito carente e acreditam que todos os estrangeiros são ricos, financeiramente falando. Pessoas a paravam  na rua pedindo toda e qualquer coisa, mães ofereciam seus seus filhos a Johana e homens pediam para casar com ela – mas tudo isso com a finalidade de mudarem de vida e, quem sabe, de terem uma chance de sair daquela situação em que o país todo se encontra.

Johana conta que, pela sua experiência, notou que o grande problema do Haiti não é a fome ou a miséria, mas sim a falta de educação política e de valores sociais e morais. Que em um mês e meio no Haiti, ela aprendeu a dar valor as coisas, já que é fácil acostumar aos privilégios que temos e não valorizamos.

“Sair de lá conhecendo aquela situação e sabendo que você pode ajudar é triste, mas eu pretendo voltar.”

***

¹ O Haiti é o terceiro maior país do Caribe (depois de Cuba e da República Dominicana), com 27.750 quilômetros quadrados e cerca de 10,4 milhões de habitantes, sendo que pouco menos de um milhão deles vivem na capital, Porto Príncipe. O francês e o crioulo haitiano são as línguas oficiais do país.

² Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas (7.3 na escala de Richter), atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto e estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão.

 

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1 Comentário

  1. Giovanna Carvalho
    1 ano ago

    Um texto muito bem escrito! Realmente o mundo seria muito melhor se mais pessoas seguissem o exemplo da Johana.

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