Veja como o estado da Geórgia influenciou as eleições americanas
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Veja como o estado da Geórgia influenciou as eleições americanas

Veja como o estado da Geórgia influenciou as eleições americanas

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Em 3 de novembro de 2020, houve a eleição presidencial nos Estados Unidos e, após uma longa contagem de votos, Joe Biden, do partido democrata, deve assumir a casa branca em 2021. O atual presidente da nação, Donald Trump, republicano, todavia, não aceita a derrota e insiste, ainda que sem evidência, que houve uma fraude eleitoral, sobretudo no estado da Geórgia.

Na Geórgia, Trump primeiramente liderava, porém logo foi ofuscado por seu adversário, conforme os votos dos arredores de Atlanta foram computados. Esse estado norte-americano foi bastante decisivo para a não reeleição de Trump e para entender o porquê disso é necessário, antes de tudo, compreender como funciona o sistema eleitoral do país.

Sistema eleitoral e influência da Geórgia nas eleições dos EUA

Diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos, o candidato vencedor não é definido pelo maior número de votos, mas, sim, pelo desempenho nos estados, isto é, cada um deles tem determinado número de delegados correspondente ao tamanho das respectivas populações e, quem obtiver maioria em um estado, os leva.

A quantidade mínima para a vitória é de 270 delegados, ao alcançar essa meta, o candidato é eleito presidente. Joe Biden, por sua vez, conquistou 306 e, assim, consolidou a primeira não reeleição de um presidente em 28 anos.

Tal fenômeno só foi possível por estados tradicionalmente republicanos que preferiram o partido democrata, tal qual a Geórgia, que tinha maioria vermelha, cor do partido republicano, desde 1996 e em uma disputa acirrada tornou-se azul neste ano.

eleições dos EUA
Resultado das eleições norte-americanas. | Foto: G1, Globo.

Outro fator crucial no resultado das eleições estadunidenses é de que a votação não é obrigatória, fato que culmina, muitas vezes, na ausência da participação de muitos cidadãos que poderiam modificar o curso dela, como os jovens. Sob essa ótica há um movimento chamado “Get Out The Vote”, que consiste em uma campanha de conscientização para o voto, na qual há a divulgação de como se registrar para participar do processo eleitoral, as datas dele e a importância dos indivíduos fazerem uso da sua voz em uma democracia, materializada na votação e consequentemente na escolha de quem os representará.

Em 2020, a presença às urnas no país foi marcante, ao passo que havia intensa polarização política, motivada pela insatisfação popular quanto à maneira que o presidente Donald Trump tratou a pandemia de Covid-19, pela revolta do movimento negro, que se organizou fortemente contra o racismo e a violência policial e que repudia o candidato republicano, que partilha das mesmas ideologias da supremacia branca. Em oposição aos apoiadores do líder dos Estados Unidos, o movimento negro não aprova a política protecionista e contrária à imigração adotada por Trump.

Geórgia
O estado da Geórgia influenciou as eleições dos EUA. | Foto: Science News for Students.

Na Geórgia, não foi diferente. Muitas pessoas compareceram para votar, entre elas jovens que participavam do processo eleitoral pela primeira vez, intensamente influenciados pela campanha do “Get Out The Vote” unida com o movimento “Black Lives Matter”, em português “Vidas Negras Importam”, principalmente em cidades como Atlanta, que contam com uma grande população negra.

O interior do estado votou majoritariamente no partido republicano. As grandes cidades, porém, não, e foram elas que entregaram a Joe Biden, democrata, os 16 delegados.

Resultado das eleições

O atual presidente dos Estados Unidos não aceita tal resultado, de modo que já houve três recontagens, a pedido dele, dos votos da Geórgia, todas que afirmaram a vitória da oposição em uma diferença apertada, foram 49,5% destinados a Joe Biden e 49,3% para Donald Trump. 

Finalmente, é importante recordar que o resultado da eleição presidencial de 2020 é fruto de uma ampla gama de fatores, como a vitória democrata em estados historicamente republicanos, a má gestão durante a pandemia de Covid-19, um governo lotado de escândalos e o desprezo pelas falas e ações contrárias às minorias que têm Donald Trump.

O democrata Joe Biden não é extremamente querido pelos norte-americanos, isto é, não foi uma avaliação positiva dele e suas propostas que o colocaram como novo líder da nação, mas, sim, a rejeição a Donald Trump. 

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Por Maria Fernanda Maciel – Fala! Cásper

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