Veja cinco lendas japonesas e suas influências na cultura pop
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Veja cinco lendas japonesas e suas influências na cultura pop

Veja cinco lendas japonesas e suas influências na cultura pop

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Que o folclore japonês é uma mitologia rica em ótimos contos, isso não é novidade para ninguém. Mas algumas criaturas dessa cultura influenciam muito mais a atualidade que você imagina! Então, venha conferir 5 lendas que inspiraram personagens, filmes e jogos da cultura pop.

Lendas japonesas que influenciaram a cultura pop

Kitsune

Para quem acha que a história da raposa de nove caudas veio do Naruto, sinto informar que você está muito enganado! A Kurama, na verdade, foi inspirada no místico em torno das kitsunes. A palavra que literalmente significa “raposa” ganhou uma grande simbologia no folclore japonês, por representar espíritos que possuem a capacidade de assumir tanto uma forma humana quanto animal. As kitsunes podem ser vistas como seres muito inteligentes que representam tanto uma benção como uma maldição. Reza a lenda que a cada século elas recebem uma nova cauda e, ao totalizar nove, elas se consagram como semideusas. 

Na cultura pop, referências à raposa de nove caudas são as mais diversas. Sejam elas no clássico Naruto, onde a aparece como um Demônio de Cauda (Kurama) selado no corpo do protagonista e representando seu poder, ou em jogos de MOBA, como Leaague of Legends, onde há a (popularíssima) campeã Ahri, que além de carregar referências mais explícitas da Kitsune, também traz referências de Naruto em sua composição estética.

Kitsune
Ahri, League of Legends. | Foto: Reprodução.

Fujin e Raijin

Os deuses do vento e do trovão são talvez os mais populares do panteão Xintoísta (religião ancestral nativa do Japão). Enquanto Fujin carrega um grande saco de couro contendo várias correntes de vento dentro dele, Raijin é representado com uma grande quantidade tambores ao redor de seu corpo, os quais, quando tocados, são capazes de produzir poderosos trovões. Ambos são retratados como criaturas monstruosas e robustas, que podem ser reconhecidas como demônios, divindades ou ambas formas, dependendo da mitologia usada de referência.

Os deuses/demônios, além de estarem nos corpos de uma galera que adora uma tattoo oriental, também são referenciados na série de jogos eletrônicos Mortal Kombat, onde são representados de uma forma mais humanizada com os deuses-irmãos Raiden e Fujin, respectivamente, Deus do Trovão e Deus do Vento. Ambas são divindades jogáveis em Mortal Kombat 11 e têm como objetivo proteger o plano terreno das ameaças divinas/demoníacas e dos outros mundos presentes na franquia.

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Raiden e Fujin, Mortal Kombat 11. | Foto: Reprodução.

Oni

Onis são demônios que habitam as montanhas japonesas e são muito comuns nas artes, teatro e literatura nipônica. Eles podem ser comparados com trolls e ogros da cultura ocidental, são considerados vorazes, de aparência demoníaca e responsáveis por punir humanos que se desviam do caminho da virtude. Segundo a lenda budista, os Onis já foram uma vez humanos e, por cometerem atos hediondos durante a vida, renasceram como ogros em algum dos infernos da religião budista.

Recentemente, o anime Demon Slayer (Kitmetsu no Yaiba) chamou a atenção do público por sua excelente qualidade de animação e de trama. A história do anime gira em torno dos Onis e as atrocidades que fazem para a raça humana, com destaque para a irmã do protagonista, Nezuko, que se mostra um Oni com boas intenções e que se propõem a defender humanos. Além desse anime, o jogo eletrônico de Survivor Horror, Dead by Daylight, também possui referências do ogro nipônico, o killer de nome Oni é uma clara representação da cultura e estética demoníaca japonesa, além de ser um assassino bem chato de enfrentar como sobrevivente.

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Nezuko, Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba). | Foto: Reprodução.

Tenome

Reza a lenda que o tenome era um senhor idoso que foi espancado por assaltantes e deixado para morrer em uma estrada. Por ser cego, antes de morrer, desejou que pudesse ver os rostos de seus agressores. Pela maneira que morreu, acabou se transformando em um espírito maligno do folclore nipônico e tornando-se uma criatura violenta, atacando qualquer pessoa que cruzasse seu caminho, e se alimentando de sangue e ossos humanos. Sua aparência é descrita como um idoso sem olhos na face, porém possuindo eles nas mãos. Soa familiar?

O tenome foi a principal inspiração de Guillermo del Toro para a criação do Homem Pálido, talvez a criatura mais reconhecível do seu filme Labirinto do Fauno, muitas vezes sendo até mais reconhecido que o próprio Fauno. Sem dar spoilers, ele faz parte de um dos testes que Ofélia enfrenta para chegar ao seu objetivo. Possui uma aparência assustadora, além de protagonizar uma das cenas mais memoráveis do filme: quando o personagem coloca as palmas das mãos no rosto para poder enxergar.

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Homem Pálido, O Labirinto do Fauno. | Foto: Reprodução.

Princesa Kaguya

A Lenda do Cortador de Bambus, ou O Conto da Princesa Kaguya, é considerada uma das obras de ficção mais antigas do Japão. A narrativa conta que, em um dia de trabalho, um cortador de bambus achou um broto de bambu que brilhava. Ao cortá-lo, surgiu de dentro uma princesa do tamanho de um polegar, como ele e a esposa não tinham filhos, resolveram adotar a princesa e chamá-la como Kaguya-hime.

O conto foi adaptado para um longa-metragem em 2013, pelo Estudio Ghibli (estúdio responsável por obras do cinema como, A Viagem de Chihiro e Castelo Animado). O longa possui uma estética muito reconhecível que se assemelha aos desenhos do Japão do século X, tornando a obra um espetáculo visual que representa maravilhosamente o legado da lenda. Além de trazer discussões para o panorama atual, com aprofundamento no feminismo e dinâmicas do capitalismo, como a ganância e a significação da beleza intocada.

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Kaguya, O Conto da Princesa Kaguya. | Foto: Reprodução.

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Por Matheus Wilczek – Fala! Universidade Federal de Santa Maria

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