Veja cinco estilos musicais que mostram a diversidade no Brasil
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Veja cinco estilos musicais que mostram a diversidade no Brasil

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Algo que é comum a todo brasileiro é o amor pela música. Seja durante a faxina, na hora do banho ou na ida ao trabalho, há sempre uma canção de fundo. Devido ao tamanho continental do País e a suas diferenças culturais, e apesar da centralização do ramo fonográfico brasileiro, é possível observar uma quantidade expressiva de estilos musicais que se diferem intensamente.

As trocas culturais entre os povos que constituíram a identidade brasileira, as influências advindas da globalização, além de outros momentos e questões históricas, políticas, sociais e econômicas, inspiraram e permanecem interferindo na criação e renovação dos estilos musicais do país. Confira, então, 5 gêneros musicais que são a cara da diversidade brasileira e nasceram dessa mistura:

Estilos musicais no Brasil

1- Frevo

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Orquestra de frevo. | Foto: Reprodução.

Ao escrever a canção É de Fazer Chorar, Luiz Bandeira representou bem o que um pernambucano que adora um frevo sente com o fim do carnaval. Felizmente, a “quarta-feira ingrata” não impede as orquestras de frevo de permanecerem com suas apresentações em festas e eventos turísticos. O ritmo, que é certeza do carnaval pernambucano, é considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco, e Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan. 

Nasceu através do desejo do surgimento da nova classe trabalhadora urbana recifense, formada em sua maioria por pretos e pardos, de comemorar o carnaval. Naquela época, virada do século XIX para o XX, a elite festejava de modo mais sofisticado, e o fervor dos foliões nas ruas os desagradava.

Os passos do frevo apresentam uma relação intensa com movimentos da capoeira, e isso não é coincidência. A dança frenética é inspirada nos golpes dos capoeiristas que desfilavam protegendo as orquestras de outras agremiações e também da repressão policial. 

O frevo é dividido em três estilos: frevo de rua, que conta com um instrumental acelerado e não apresenta letra; frevo de bloco, com um ritmo mais lento, narra nostalgicamente a beleza dos carnavais passados; e frevo canção, mais agitado e com letras atuais.  

2- Brega

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O rei do brega, Reginaldo Rossi. | Foto: Reprodução.

O nome surge da falha tentativa de diminuição do ritmo. Tendo origem periférica, o brega foi reprovado por muitos críticos musicais das classes dominantes devido aos seus exageros românticos e dramáticos. Apesar de enfrentar diversos obstáculos impostos pelo preconceito, o ritmo cai nas graças de muitos ouvintes, tendo como seu maior representante o rei do brega Reginaldo Rossi. 

A fusão entre o brega tradicional e elementos da música eletrônica deu origem ao tecnobrega. Apresentando um ritmo mais dançante e uma voz feminina, é possível observar a explosão de duplas que cantam sobre amor e traição, além da emancipação da mulher através também de performances solos. 

O brega tem se adaptado ao mercado brasileiro por meio da adesão de ritmos mais aceitos pelas massas, como aconteceu com o funk. Febre nas periferias recifenses, o brega-funk nasceu da combinação entre instrumentos do brega e as batidas do funk, resultando em um ritmo mais acelerado, sendo um de seus precursores principais a dupla Shevchenko e Elloco. 

3- Samba

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Samba de roda. | Foto: Reprodução.

O samba é um dos elementos culturais que mais representam o Brasil no exterior, ocasionando uma correlação quase que imediata entre o país e o gênero. O contexto de sua criação coincide com a migração dos ex-escravos para o Rio de Janeiro em busca de melhores condições de vida. Resultado dos batuques africanos e influenciado por alguns ritmos europeus, acompanhou as letras que contavam acontecimentos comuns da época, narrando o cotidiano do povo preto no Brasil. Assim como ocorreu com outros costumes de raízes africanas, o samba, por muito tempo, foi visto com maus olhos. 

O ritmo deu origem a outros novos estilos musicais, entre eles: o samba de roda; o samba-enredo, associado às escolas de samba, trazendo consigo temas associados a questões sociais; o samba-canção, executado em um ritmo mais lento, apresentando uma temática mais romântica; e o samba de gafieira, que é uma dança de salão. 

4- Forró

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Forró. | Foto: Reprodução.

Nordestino sim, senhor! De origem popular e difundido através da intensa migração nordestina para outras regiões, o forró conquistou o coração brasileiro. O famoso termo “arrasta-pé”, veio da necessidade de dançar arrastando os pés para não levantar poeira, pois nos lugares onde o forró nasceu, era comum que as festas regadas com o gênero acontecessem sobre o chão sem revestimento.

O forró arrasta-pé corresponde ao tradicional forró de pé-de-serra, que conta basicamente com sanfona, zabumba e triângulo. Geralmente narrando o cotidiano nordestino, carrega consigo um grande nome do ritmo: Luiz Gonzaga. Com a incorporação de novos instrumentos que conferiram um caráter mais urbano ao ritmo, nasce então o forró universitário, que com a adesão de eletrônicos como guitarra e contrabaixo, dá vida ao forró estilizado, representado por bandas como Aviões do Forró, Calcinha Preta, Saia Rodada e Limão com mel.

5- Sertanejo

Sertanejo
Sertanejo. | Foto: Reprodução.

Narrando a vida no campo e as diferenças entre esta e a realidade urbana, o sertanejo nasceu do costume rural de se reunir em roda para comer e contar histórias. As violas características do gênero advêm dos jesuítas, que as utilizavam durante festas religiosas no período colonial.

Originalmente, no sertanejo, era comum a presença de uma voz principal e uma de apoio, além de um arranjo musical muito simples. Aproximadamente na década de 40, novos instrumentos foram adicionados ao sertanejo “raiz”, modernizando o ritmo sem alterar sua temática principal. Somente nos anos de 1970 que se popularizou o sertanejo romântico, que contava com influências norte-americanas em sua composição. Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Rick e Renner, e Daniel são grandes nomes do estilo. 

Com o início dos anos 2000, as canções sertanejas se tornam mais dançantes e agitadas, e agora o ritmo que cantava sobre a vida no campo abre espaço para temáticas voltadas a festas e aos grandes centros urbanos. A febre do sertanejo universitário traz consigo personalidades como Gusttavo Lima, Luan Santana e Michel Teló.

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Por Heloisa Vasconcelos – Fala! UFPE

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